segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Bill Withers vs Aloe Blacc

A competição não é propriamente justa per se, pois são dois álbuns contra um (apesar do Aloe Blacc ter outro álbum antes deste, não irei postá-lo para já), e porque estamos a comparar os anos 80 com uma tentativa contemporânea de os emular.

Tem havido uma tendência para isso recentemente e deve ter muito a ver com a crise e com a chegada do primeiro preto à casa branca, há um certo renascer de febrilidade reivindicativa, de luta por direitos civis, humanos, laborais e outros que se nos possam ocorrer.

Pelo menos há um certo nicho para quem isso está na moda e é para essas pessoas que álbuns como o "Wake Up" do John Legend, o "The Way I See it" do Raphael Saadiq e agora este "Good Things" do Aloe Blacc, são confeccionados.

Não quero implicar que sejam totalmente amorfos e cerebrais, pois estaria a incorrer numa perigosa presunção especulativa, baseada no meu crónico cepticismo no que toca às motivações do ser humano, até porque, mais nuns do que noutros, se sente a alma do artista a ser despejada sem contenção nos vários elementos que constituem uma canção ao transmitirem-nos emoções que sabemos instintivamente serem despoletadas apenas quando o nosso interlocutor é sincero.

Posto isto, o Aloe passou de rapper, para rapper/r&b, para full on neo-soul e se muito disso tem a ver com o palavras grandiosas tipo crescimento e evolução, muito terá a ver também com o "foca-te naquilo que os teus fãs mais apreciam em ti, já que não podes sobressair em tudo, dedica-te a uma coisa só", conselhos imparciais do seu entourage.

O disco está recheado de pérolas, para mim sobretudo no início em que o sentimento dos anos 70 está bem representado, depois disso começa a ficar um pouco monótono e forçado, deslocado do seu tempo, pois, admitamos, por mais que o Aloe queira, isto não são os anos 70 e se as influências dele são evidentes, a tentativa de reproduzi-las acaba por ser sempre o patinho feio andando na sombra dos grandes. Se este álbum tivesse saído na década que o artista tenta recriar provavelmente teria passado despercebido, perdido no meio de tantos discos do mesmo género, mas isto são 40 (!) anos depois e não deixa de chamar a atenção do nicho acima referido (do qual faço parte :) ) e ele vale pelo que vale, bons balanços, algumas letras muito boas, alguns sons com mais alma que outros, vale mesmo a pena, quanto mais não seja pelo tema que o propulsionou para a zona alumiada pelos holofotes do mainstream: "I need a dollar", que é também o tema do genérico de uma série nos states chamada How to Make it in America (não conheço, não sou muito das séries).

Vou meter a dika nos comentários, porque é álbum recente, por isso já sabem, os links andam a durar pouco.

Aloe Blacc - Good Things

01. I Need A Dollar
02. Green Lights
03. Hey Brother
04. Miss Fortune
05. Life So Hard
06. Take Me Back
07. Femme Fatale
08. Loving You Is Killing Me
09. Good Things
10. You Make Me Smile
11. If I
12. Mama Hold My Hand
13. Politician (Reprise)



Catar nos comentários


Bill Withers

Vou copiar o texto do blog de um zuka que me fez a papinha toda no que toca a um resumo do percurso do rapaz que fez o tema mais forte no álbum do John Legend :).

"O cantor e compositor William Withers, nascido no dia 4 de julho de 1938 em Slab Fork, West Virginia, teve sua grande chance através do tecladista Booker T. Jones, líder da banda Booker T. & The MG's. Os dois se conheceram em 1970, após um show dos MG's, e Jones ficou impressionado com a demo que Withers lhe mostrou, conseguindo para o cantor um contrato com a gravadora Sussex. Por essa época, Bill trabalhava como operário numa fábrica de aviões.

Em 1971, gravou dois discos, Man And Boy e Just As I Am. O segundo, produzido por Booker T. Jones e contando com a participação de Stephen Stills na guitarra, trazia a canção Ain't No Sunshine, que chegaria ao primeiro lugar do hit parade americano e daria a Withers o Grammy de melhor canção de rhythm & blues do ano. Still Bill, de 1972, incluiu o segundo grande sucesso de Bill Withers, Lean On Me.

No mesmo ano, Michael Jackson regravou Ain't No Sunshine. Na década seguinte, o músico continuou gravando, mas sem o mesmo sucesso. Seus discos passaram a trazer uma batida mais funkeada, em lugar da sonoridade típica do rhythm & blues dos anos 70."

Todos sabemos como o Bill se reacende nos ouvidos das gerações mais recentes e mais viradas para o cinema do que para a música: o filme Notting Hill inclui o tema "Ain't no Sunshine" num daqueles segmentos em que a música ganha protagonismo e o filme passa a ser um videoclip. Boom, lembramo-nos todos que o kota era muito forte e foi-se buscar os velhos e empoeirados disco de vinyl para se lembrarem os idos tempos da boa música, o que vem mais uma vez provar que a boa música continua a ser boa...40 anos depois! Pergunto-me se os meus filhos e netos vão curtir o "Candy Shop" da mesma maneira que eu curto estes dois álbuns do Bill. Deliciem-se.

Bill Withers vs Aloe Blacc - Bill Withers vence com dupla volta de avanço.

Bill Withers - Just As I Am (tirem o "just" do título e têm o título do terceiro da Alicia Keys)

01.Grandma's Hands
02.Everybody's Talking
03.Harlem
04.Ain't No Sunshine
05.Do It Good
06.Hope She'll Be Happier
07.Let It Be
08.I'm Her Daddy
09.In My Heart
10.Better Off Dead
11.Moanin' And Groanin'
12.Sweet Wanomi



Catem o mambo aqui


Bill Withers - Still Bill

01.Lonely Town, Lonely Street
02.Let Me In Your Life
03.Who Is He And What Is He To You
04.Use Me
05.Kissing My Love
06.I Don't Know
07.Another Day To Run
08.I Don't Want You On My Mind
09.Take It All In And Check It All Out
10.Lean On Me



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8 comentários:

ikono disse...

Epá, para quem for rápido a puxar o gatilho, senão esperem até os próximos links funcionais.
inté :)

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Anônimo disse...

Bue fixe teu Blog..., qual a palavrapasse deste mov...

ikono disse...

brother... procurei na net e não tou a ver ng a reclamar q o mambo tenha password. Mais alguém com o mesmo problema? Estás a falar do disco do Aloe Blacc ou um dos Bill Withers?

ikono disse...

Brother, desculpa la, tens razão sim senhor, fui verificar o blog do qual aproveitei o link e de facto no fim do post o rapaz assinala que ambos os discos do Bill Withers carecem de palavra passe para descompactar.
Aqui a tens:

lagrimapsicodelica

copia e cola qd o winrar te pedir a pass. Obrigado por me assinalares isso.
abraço

Portfólio Daiana Cruz disse...

Fui tentar baixar pelo link que vc postou ai, mas aparece link removido.
Tem como tu postar novamente? Quero muito esse som! Abraçosss
Dayo.

ikono disse...

Dayo tudo fixe?
qual e o link que diz q foi removido? Eu experimentei os 3 e não tive essa mensagem de erro. Diz-me qual dos discos não funciona para ti

ikono

Anônimo disse...

ola, realmente o de aloe blacc pede pass, e a lagrimapsicodelica nao funciona, será que existe outra? Obrigado

garni husin disse...

A very interesting read and a great post alltogether. thanks for sharing this information.


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