Isto é um espaço pessoal, aqui hei de meter essencialmente música que de alguma maneira me moldou, mas posso ter alguns desvarios eventuais. Se algum artista se sentir "roubado" por ter a sua música partilhada, que mo indique, para que eu possa apagá-la com a máxima prontidão
Depois de já o ter apresentado neste blog com dois dos seus clássicos indiscutíveis, Beyond Skin e Prophesy, de ter saltado os álbus que se seguiram, o "Human" e o "Philtre", eis que me sinto de novo na obrigação de vos assinalar outra obra prima do mestre Sawhney, o mais recente trabalho "London Undersound" cujo enredo se centra nos ataques perpetrados na cidade de Londres (no London Underground...trocadilho) há 4 anos e de como Londres tem vindo a mudar - na sua óptica - desde então. Tem participações dos Ojos de Brujo, Anoushka Shankar e... surpresa... o irreconhecível Paul McCartney, aliás, muito PODRE!!! O disco está muito bom, só saltei dois sons, um dos quais o do McCartney, mas de resto a dika está mesmo a rebentar. Um daqueles álbuns que não dá MESMO para julgar pela capa.
É incrível como no actual panorama de mesmice, estes dois álbuns continuam a soar absurdamente actuais. Dois álbuns que me marcaram o percurso de melómano e que, ainda hoje quando caiem no meu ipod, me transportam nostalgicamente à esses anos já idos. O Funcrusher tem exactamente 11 anos (28 de Julho de 1997) e o Cold Vein tem 8. Hip Hop obscuro do melhor, com rimas de excelência nova iorquina e uma produção ridícula. Para os ecléticos e não exclusivamente para os "nerds" do Hip Hop.
Company Flow - Funcrusher Plus (1997)
1. Bad Touch Example 2. 8 Steps to Perfection 3. Collude/Intrude feat. J-Treds 4. Blind 5. Silence 6. Legends 7. Lune TNS 8. Help Wanted 9. Population Control 10. Definitive 11. Lencorcism 12. 89.9 Detrimental 13. Vital Nerve 14. Tragedy of War (In III Parts) 15. Fire in Which You Burn feat. J-Treds 16. Krazy Kings 17. Last Good Sleep 18. Info Kill II 19. Funcrush Scratch
1. Iron Galaxy 2. Ox Out the Cage 3. Atom (feat Alaska & Cryptic Of Atoms) 4. A B-Boys Alpha 5. Raspberry Fields 6. Straight Off The D.I.C. 7. Vein 8. The F-Word 9. Stress Rap 10. Battle For Asgard (feat L.I.F.E. Long & C-Rayz Walz Of Stronghold) 11. Real Earth 12. Ridiculoid (feat el-P) 13. Painkillers 14. Pigeon 15. Scream Phoenix
Eu sei que sou suspeito para falar do dred, mas este é mesmo um daqueles brothers que para além de ser um puro kamba é um grande artista. Eu pelo menos identifico-me bwé com a sonoridade dele e aprecio muito a profundidade sentimental que ele emprega em cada faixa, sempre adequada a cada atmosfera que ele pretende criar. Este é um EP que espelha a evolução sonora desde o Rudebwoy Stand, álbum de estreia do mano lançado em 2007 e já aqui postado mas também uma amostra do que podem esperar dele para o próximo álbum previsto para 2010. Este EP partiu de um convite do Henrique Amaro (Ant3na) para ser um dos discos da nova "net label" da Optimus, chamada Optimus Discos. Basicamente os artistas metem EP's para download gratuito no site e a Optimus ganha visibilidade e consequentemente clientes. Mas eles pedem para as pessoas se registarem e isso já é um pouquinho mais chato, por isso aqui vai o link para o EP. Meto também o link para outro álbum de uns produtores alemães, no qual ele participa em 3 faixas. Devo confessar que ainda não ouvi o disco, mas as faixas em que o Bz entra são muito nice. Curtam aí e se sentirem a dika e forem ao Optimus Alive, ele vai tocar lá (OPTIMUS alive né?) às 19h30 de sexta-feira, dia 10.
Bezegol - Rude EP
01. Rude Intro 02. Rude Times 03. Rude Rap 04. Rude Love 05. Rude Sentido 06. Rude Dub 07. Rude Outro
01. legalize eucalyptus - intro 02. vengo 03. all night long 04. ele fanan 05. keep marching 06. fado chupao 07. tempu 08. me voy 09. emigrante 10. willst du dabei sein? 11. awu 12. security 13. negro 14. lo que tienen 15. koalas all-stars - outro
Estes kotas são bwé, mas mesmo B-W-É! Lembro-me de ter tomado o primeiro contacto com a música deles com um videoclip onde aparecia o Vincent Cassel (Irreversible, La Haine, Eastern Promises, Ocean's twelve... the list goes on) e achar muita "piada". O som era grande groove e ver o casal de ceguinhos tão alegres e irradiando tanta energia positiva não me causou na altura mais que esse sentimento redutor e quase ofensivo à tudo o que representam estes dois ícones da música pop africana (agora re-etiquetada "World Music" dadas as misturas de estilos).
Conheceram-se no instituto de jovens cegos de Bamako, 25 anos antes de conhecerem Manu Chao que haveria de produzir o seu quarto álbum de originais, catapultando a carreira do casal de uma maneira que só atesta a incompetência dos A&R e da indústria musical que consegue deixar passar tanto tempo até se dar conta que o talento transborda de tal maneira que todos sairão felizes (os rapazes por lançarem a sua música mundialmente e as editoras porque vão lucrar a sério com as qualidades alheias). Seja como for, Dimanche à Bamako causou um impacto tal que o duo foi convidado em 2006 para compor o tema oficial dos jogos olímpicos da Alemanha, depois de também arrecadarem um prémio da BBC 3, enfim, aquele trajecto de pequenos troféus que se acumulam engordando o CV e obrigando os antigos cépticos a fazerem caretas de admiração aprovadora: "mmmhh isto afinal é mesmo bom". Até tocaram para a "innauguration" do Obama.
Deixo-vos também com o novo álbum, Welcome to Mali, que me levou a viajar de uma maneira indescritível. A mistura de sons malianos com o blues, rock, pop mundial está completamente DEVASTADORA. Comprovem logo com o tema de abertura "Sabali", produzido por Damon Albarn (Blur, Gorillaz, The Good the Bad and the Queen...) que pouco ou nada tem a ver com música africana e com a subsequente bomba "Ce n'est pas bon" já mais roots e sempre com a mão do Damon. O álbum conta ainda com as participações do inventor do Bluefunk Keziah Jones, com o músico somali K'naan, o reggaeman Tiken Jah Fakoly, Tiamane Diabaté, entre outros.
Contorço-me de raiva e mordo-me inteirinho por dentro por ter falhado ao show deles no Festival Mestiço do ano passado, sobretudo tendo eles actuado no mesmo dia que o MCK (tive de arrancar dentes do ciso a alguns 2 mil km de distância).
Dimanche à Bamako (2005)
1. M'Bifé 2. M'Bifé Balafon 3. Coulibaly 4. La Réalité 5. Sénégal Fast Food 6. Artistiya 7. La Fête au Village 8. Camions Sauvages 9. Beaux Dimanches (Dimanche à Bamako) 10. Pa Paix 11. Djanfa 12. Taxi Bamako 13. Politic Amagni 14. Gnidjougouya 15. M'Bifé Blues
Welcome to Mali (2008) 1. Sabali 2. Ce N'Est Pas Bon 3. Magossa 4. Djama 5. Djuru 6. Je Te Kiffe 7. Masiteladi 8. Africa 9. Compagnon de La Vie 10. Unissons-Nous 11. Bozos 12. I Follow You [Nia Na Fin] 13. Welcome to Mali 14. Batoma 15. Sekebe
Yá, minha amiga Rita tem muito bom gosto musical, ou pelo menos um gosto muito próximo ao meu, ou então ela conhece o meu gosto e sabe o que me pode mostrar com probabilidades muito fortes de eu amarrar no mambo. Foi o caso destes dois discos.
O primeiro é um projecto que teve vida curta e deixou um pequeno mas soberbo registo de 4 faixas. Banda de um luso-dinamarquês (ou seria sueco?) Johan Rodrigues, que esteve uns anos pela Madeira onde se deu a conhecer e formou a banda. Depois andou meio saltitão e em 2007 fizeram uma tournée nacional das Fnacs e terá sido nessa altura que a Ritinha os conheceu. Não sei se continuam a trabalhar, mas a Rita diz-me que lhes perdeu o traço, o telefone já não dá sinal, o myspace foi apagado, os dreads eclipsaram-se. Toca a ouvir e dar-se conta que em Portugal há muito boa música a ser feita, só não tem expressão nem lugar no já claustrofóbico cubículo dos pop stars.
Aboutowake - Be Awake 01 - Aqui 02 - Bits & Pieces 03 - So Strange 04 - Ninguém Sabe
O segundo é um disco que ouvi ontem a noite e me bateu tipo...yá... imediatamente. Banda de Filadélfia. Começaram por lançar o primeiro disco em 2002 de maneira independente, só tocar em bares e pequenos spots de esquina da cena local, perder dois membros da banda (um deles é hoje advogado), criar uma pequena fanbase e .... a história já foi contada e recontada milhentas vezes né? É muito raro alguém começar grande, é tudo uma questão de atitude e preseverança. Este disco é simplesmente muito bom sem necessidade de grandes justificações. Obrigado Ritinha!
Dr. Dog - Fate 1. The Breeze 2. Hang On 3. The Old Days 4. Army of Ancients 5. The Rabbit, the Bat, and the Reindeer 6. The Ark 7. From 8. 100 Years 9. Uncovering the Old 10. The Beach 11. My Friend
1. Big BW 2. Boondigga 3. The Raft 4. Pull The Catch 5. The Camel 6. The Nod 7. Shiverman 8. Wild Wind 9. Breakthrough
Catem o mambo aqui Jáaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
PS Para todo aquele que andou a dormir nos últimos 4 anos e não ouviu o álbum deles de estreia, arrependam-se, autoflagelem-se e depois redimam-se aqui (está lá para baixo)
Fui apresentado a dois destes artistas nos seus álbuns a solo por wís que são extremamente pancos deles. Eu gostei muito do Lokua Kanza e do Richard Bona, amei de paixão alguns temas, mas assim em geral eram daqueles artistas que ouvia por terem bom som, mas que nunca me davam propriamente saudades de ir a correr ouvi-los quando sacassem uma cena nova, ou ao ponto de metê-los rapidamente no meu ipod. Nem me posso recriminar por ser estúpido quando alguns anos mais tarde os álbuns me pareciam ainda melhores porque, por alguma força desconhecida, continuo a não tê-los no meu ipod. Este álbum no entanto marcou-me muito. O Keita passou-mo há coisa de dois anos acho eu. Ouvi-o uma vez e fiquei muito panco. Parou por aí. Atravessando a Nigéria (ou terá sido ainda no Ghana?) ouvi um dos sons deste disco na rádio e lembrei-me de quão bom era. Voltou a eclipsar-se-me da mente. Mas tudo o que é bom não fica perdido e abandonado numa qualquer gaveta do nosso subconsciente para sempre (a prova está aí com o álbum do Ed Motta que postei recentemente) e ontem a noite antes de adormecer me lembrei que tinha de voltar a ouvi-lo e metê-lo aqui para vocês. Sublime. Vai já para o ipod :=).
Tracks: 1. Ghana Blues - 3:04 2. Kwalelo - 4:14 3. Lamuka - 2:44 4. L'Endormie - 2:37 5. Flutes - 2:52 6. The Front - 0:21 7. Na Ye - 3:35 8. Help Me - 3:29 9. Stesuff - 1:18 10. Where I Came From - 3:31 11. Seven Beats - 1:42 12. Lisanga - 6:48
Este video é do show deles em Sines, no festival de Músicas do Mundo... BICHOOOSSS!!!
O álbum está deka deka deka, saquem já com toda a pressa! Não aguenta o "Navega", mas também não parece que a intenção tenha sido essa. A dika tá diferente, apesar de reconhecermos lá uma identidade Mayra, bumbou com people diferente e conseguiu criar outras atmosferas numa mistura bem bonita entre as mornas e os sons típicos da ilha de Cabo-Verde com sonoridades brasileiras (kota Morelembaum) que na verdade acabam por ser derivados de música africana. "Mayra você é boa fizeste dê novu!!!"
01. Storia Storia 02. Tchápu na Bandera 03. Seu 04. Juána 05. Konsiénsia 06. Odjus Fitchádu 07. Nha Damáxa 08. Mon Carrousel 09. Badiu Si 10. Morena, Menina Linda 11. Palavra 12. Turbulensa 13. Lembránsa
Imperdoável que ainda não tenha posto este disco aqui. Lembro-me que foi o meu primo Tukula que me falou nele quando eu ainda vivia em St. Etienne (2004), espetando-lhe uma porrada de adjectivos superlativos e quando finalmente arrumei um tempo para escutar, armado em radialista, ouvindo os primeiros 5 segundos e avançando para o meio, fiquei tipo: "Porra que cena mais bizarra e monótona". Caguei no meu primo. Só um dia mais tarde é que juntei 1+1 e percebi que os princípios e os fins das músicas eram todos iguais porque havia uma nota permanente ao longo do disco todo, a única coisa que sobrava quando o silêncio de toda a roupagem musical que vestia o som se desvanecia e que era na realidade o fundamento do título do disco "Le Fil" = "O Fio" (condutor). GENIAL! Isso fez-me por o álbum do início com muita atenção e ouvi-lo numa condição mais de ser humano que ainda por cima não estava propriamente apertado de tempo. Fiquei aturdido e encardido pela minha própria estupidez e feliz por ter dado uma segunda chance ao disco. Tornou-se instantaneamente um dos meus favoritos e ficou no meu top nos dois anos seguintes. É uma obra prima a meu ver, com a maior parte dos instrumentos sendo simulados com a boca (baterias e trompetes incluídas), para além dos barulhos com a boca altamente idiotas feitos pela própria tresloucada Camille. Tive de subscrever os adjectivos avançados pelo meu primo e ainda adicionar mais uns tantos. Vale MESMO a pena. Ela lançou outro mais recentemente mas eu ainda não o ouvi e dessa vez foi mesmo falta de compatibilidade com o tempo que tinha em mãos ehehe. Aconselho-vos VIVAMENTE a verem os vídeos dela AO VIVO (se tiverem que escolher).
01 La jeune fille aux cheveux blancs 02 Ta douleur 03 Assise 04 Janine 1 05 Vous 06 Baby Barni Bird 07 Por que l'amour me quitte 08 Janine 2 09 Vertige 10 Senza 11 Au port 12 Janine 3 13 Pâle Septembre 14 Rue de Ménilmontant 15 Quand je marche
Porra, até hoje esses sons soam bem... o primeiro é granda produção já nessa altura do Shawn J. Period (esse mwadié tipo desapareceu de cena, agora tá numa de Christian Rap e outras ondas mais raras). Que saudades desses tempos.
Não sei porquê que me lembrei deste som. Estava na primeira k7 de videoclips de hip hop que vi na vida, fins de 94, princípios de 95. Partilho isto convosco para que vocês possam ver o que é evoluir e ser obstinado. Avancem para o último MC se não tiverem paciência de ouvir tudo (1m59s). O gajo já era bom ehehe.
Porra não sabia que podiam apagar a porra do post inteiro que deu tanto trabalho a escrever. Não foi só tirar do ar, apagaram mesmo da minha lista de edição. Hoje recebi este email a comunicar-me que um qualquer órgão de defesa dos interesses dos artistas ameaçou a blogspot de levar com um processo no tribunal se não apagassem a porra do post. Quem tem blogs deste género já deve ter recebido algo parecido. Eu pensei que eles simplesmente apagassem a porra dos links, porque eu não faço mais do que direccionar as pessoas para ficheiros que já estão hospedados na internet (rapidshare e youtube). Todos pró caralho.
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Por algum defeito de fabrico, nós os amantes de música temos uma tendência muito feia mas irresistível de comparar os discos novos dos artistas que nos kuyam com os seus predecessores. Algumas vezes essas comparações são mais legítimas, quando por exemplo o artista em questão muda completamente de vertente, como é o caso dos rappers que vão da noite para o dia (conscientes/hardcore para pussy-ass soft core popcorn rappers). Também o fazemos quando os artistas continuam a ser inovadores e conseguem o difícil feito de nos surpreender com as novas sonoridades exploradas e, claro, com os resultados dessas explorações que nem sempre são positivos. Nenhum destes álbuns se enquadra nas supracitadas excepções e MESMO ASSIM, vai ser impossível abster-me de uma comparaçãozita. As miúdas são lindas, são divas, são deusas, a música que fazem é refinada, pura, aquece o coração, mas se vocês são daquelas pessoas exigentes que querem sempre novidade, estes não são definitivamente os vossos álbuns. O álbum da Sara está óptimo, mas um pouco remeniscente do Balancé, começa com aquele kizombazito de leve (Sara por favor não caias na repetição óbvia de fazer desse som o teu single), tem até um som com uns acordes parecidíssimos aos do Balancé. Parece também que ela continua a trabalhar apenas e só com os mesmos músicos e escritores. No entanto eu discordo completamente do Nguimbola que me resumiu a impressão dele de uma maneira muito crua e redutora: "O álbum da Sara tá muito podre!". Só perdoo esse tipo de barbaridade a um boelo como o Nguimbola. O álbum está MUITO fixe, nem podia ser de outra maneira, é a Sara Tavares caracoles. Só que pronto, não bate tanto quanto o Balancé. O álbum da Lura está a bater deka deka deka. Também sem surpresas, é o som típico da Lura, mas ainda vai tendo execuções muito para além do muito bom. Lura wins! eheheh Mano Djo, agora vamos esperar o da Mayra né? Armada como ela anda, espero que não decepcione!
01. Libramor 02. Um Dia 03. Tabanka 04. Eclipse 05. Marinhero 06. Maria 07. Terra'l 08. Quebrod Nem Djosa 09. Na Nha Rubera 10. Orfelino 11. Sukundida 12. Mascadjon 13. Queima Roupa 14. Canta Um Tango
01 Quando das um pouco mai 02 Sumanai 03 Ponto de Luz 04 Caminhanti 05 Pé na Strada 06 Di Alma 07 Bué (você é…) 08 Keda Livre 09 Só d’Imagina 10 Minino 11 Voz Di Vento 12 Exala 13 Fundi Ku Mi 14 Manso Manso
(Ela aqui tá parecida com aquela mboa do filme Smoking Aces que contracenou com a Alicia Keys)
Este álbum ainda não o analisei bem, mas nem preciso, eu quase que meto as minhas nádegas no fogo por este gajo, sei que ele não me vai desiludir. Um dos temas neste álbum tem uma remix com a Nneka, outra nigeriana na diáspora que também tem feito um zunzum nesses últimos tempos. O meu favorito até agora é o Black Orpheus que já meti aqui o ano passado e este até tem uma capa parecidíssima, coisa que me deixa sempre meio de pé atrás. Inventor do bluefunk, Keziah Jones com o seu dedilhar doidão a rebentar a raboseiiiiraaaaa concerteza.
Epá eu curto bwé deste mangas. OK, é possível que ele esteja a ser um pouco repetitivo na temática abordada, é possível que ele esteja a tentar reeditar fórmulas que já provaram funcionar bem para ele e não esteja a fazer tanto daquilo que mais apreciamos nos artistas que é ser arrojado. Mas eu gosto muito da maneira dele de fazer música e acho que a tendência para se afastar um pouquinho mais da cena mais rapeada para aumentar a sua tónica mais soul é bem normal. Já se sentia que esse seria o caminho natural para ele desde o Dusty Foot Philosopher. As letras dele continuam bem escritas, com profundidade e piada no mesmo som bem ao estilo africano. Lembremo-nos que este é um senhor que aprendeu inglês há alguns anos quando chegou à América, é incrível como ele parece estar mais à vontade nesse idioma estrangeiro que no arabesco somali dele. O disco VALE MUITO A PENA, apesar do meu voto de preferência ir para o primeiro.
01. T.I.A (This Is Africa) 02. ABC’s (feat. Chubb Rock) 03. Dreamer 04. I Come Prepared (feat. Damian Marley) 05. Bang Bang (feat. Adam Levine) 06. If Rap Gets Jealous (feat. Kirk Hammett) 07. Wavin’ Flag 08. Somalia 09. America (feat. Mos Def and Chali 2NA) 10. Fatima 11. Fire in Freetown 12. Take a Minute 13. 15 Minutes Away 14. People Like Me
Bem pessoal, este post é muito especial por milhentos motivos que não ia conseguir resumir num textinho introdutório. Por não conseguir resumir vou fazer uma pequena longa exposição. Estou em Brasília a vêr familiares que não via há mais de 17 anos e a reviver retalhos da minha infância que estavam bem arrumadinhos no meu subconsciente. A última vez que cá estive, em 1989 e já no aeroporto para apanhar o vôo de regresso, comprei umas K7's de música brasileira completamente às escuras. Ia desde Xuxa, Paquitas, Fábio Jr, Simone, Mara e Trem de Alegria, até ao disco que aqui vos apresento e que não faço a mínima ideia da razão que me levou a adquiri-lo, porque nunca tinha ouvido o nome do indivíduo e a capa como podem constatar não é exactamente muito apelativa ao imaginário de uma criança de 8 anos. A verdade é que foi justamente essa K7 que eu ouvi mais vezes, adorava a musicalidade e as letras e tudo mais. Os anos passaram e a K7 desapareceu, empurrada para uma longínqua memória a medida que se amadureciam os meus gostos. Ao ponto de eu já não ter bem a certeza se tinha sido uma maluquice de criança ou se realmente a coisa valia a pena. Ainda procurei na internet algumas vezes o disco, mas não me lembrava do título e a discografia do moço só começava a partir de 91. Não me lembrava do título nem letra de nenhuma das músicas e nunca me embrenhei muito a sério para descobrir. Ficou sempre ali numa nebulosa. Até há uns dias atrás quando fui com o meu primo a uma festa e o DJ só passou sons nervosíssimos encerrando a sessão com o clássico "Manuel" do artista em questão. É indescritível a miríade de sensações que me percorreram a alma nesse momento, a revelação da plenitude do significado da frase "Last night a DJ saved my life". Fui procurar mais profusamente e.... aqui está o disco, 21 anos depois, ainda fresco, maravilhoso, absurdoooooo. Como se tivesse saído ontem. Grande Ed Motta, sobrinho do mito Tim Maia. Este álbum se calhar não vai vos bater como bate a mim, existe toda essa história de vida que me liga a ele, mas garanto-vos que mau não vão achar....é impossível!!! Eu podia ficar aqui agora o dia inteiro a desdobrar-me em elogios por esta pérola, mas deixo o resto as reticências para vocês completarem. Petróleo BRUTO.
01 - Manuel 02 - Vamos Dançar 03 - Lady 04 - Seis da Tarde 05 - Um Love 06 - Baixo Rio 07 - Caminhos (Não é só o meu) 08 - Parada de Lucas 09 - A Rua
Epá, eu tenho tanta coisa para meter aqui que depois de uma longa ausência seria difícil escolher o ideal para recomeçar a postar. Mas no outro dia o meu avô decidiu mostrar-me o CD Demo de um Sr. que ele conheceu ainda miúdo e que recentemente lhe entregou em mãos este disco que agora partilho com o mundo, pelo simples facto de achar que o kota bumbou fixe. Não é exactamente o meu estilo predilecto apesar dos Shadows serem um grupo mítico e eu atinar com algumas das malhas (Apache é um clássico absoluto). O kota deu-lhe a sério, fez tudo sozinho, tocou todos os instrumentos, equalizou, masterizou, tudo no quarto/estúdio dele. Com tanto jeito e tantos meios, porquê uma rendição destas e não um álbum de originais, isso já só o kota saberá responder, mas justiça seja feita, as covers dele estão mesmo perto das verdadeiras. E que dizer daquele nome artístico? Refinado hã? Este vai para quem tiver avós que também lhes metem a curtir música de décadas longínquas.