sábado, 21 de janeiro de 2012

Damani Vandúnem - Statu Quo

Já oiço falar do Damani há muito tempo. Temos um amigo em comum que pelos vistos é muito bom amigo dos dois, pois mereceu neste disco do Damani um tema que lhe foi especialmente dedicado. Já cheguei a ouvir um som ou outro e um dos vídeos que ele disponibilizou no youtube, mas, apesar de lhe reconhecer talento, simplesmente não era nada que me tocasse de alguma forma especial. Ainda assim e, vendo que o próprio disponibilizou este novo disco para download gratuito no seu bandcamp, achei que deveria emprestar-lhe mais uma vez os meus ouvidos tentando livrar-me das ideias pré-concebidas que vinham das escutas anteriores. Não me arrependi.

Na verdade, este disco não me preencheu as medidas no que toca à profundidade na abordagem, sendo, a meu ver, algo repetitivo, várias vezes despistando-me e deixando-me sem perceber qual é o foco dos temas.

Dito isto, um disco não se avalia só por aí e, para ser justo, a música se fosse toda compreensível com nítida limpidez, provavelmente não nos desafiaria à reflexão e à interpretação pessoal, perdendo eventualmente um pouco da sua graça.

Há coisas igualmente importantes que se retiram da escuta de uma música ou, no caso, de um disco repleto delas e, uma delas para mim, é a energia derivada da sinceridade no que se diz/canta que tem a capacidade de nos tocar de maneiras que complicam qualquer descrição racional. Terei de dizer que nesse campo, este disco esteve acima da média, sobretudo porque a fasquia das expectativas estava colocada a um nível bastante baixo, saindo eu com a alegria de ser surpreendido.

Para já, a nível de instrumentais, mesmo que não se reinvente a roda, o disco está super bem produzido, com uma musicalidade doce e agradável, atribuindo-lhe uma solidez rara de tão robusta (tem identidade sonora, mesmo os instrumentais que não me mexem tenho de reconhecer que estão bem produzidos).

O "escorrega" (flow) do homem terá poucos defeitos a serem apontados, com uma levada segura e sempre dentro dos tempos, sem grandes oscilações o que poderá jogar tanto à favor como contra, pois poderá eventualmente tornar-se aborrecida após 10 faixas. No caso dele e na minha opinião, será neutro, pois tem um timbre único e um tom sincero que acabam por encobrir os eventuais e reiterados lapsos que me tiram do sério ao ponto de saltar para a faixa seguinte. Esses pontos negativos passo agora a citar:
      - A opção pelo auto-tune para mim é um autêntico corta-tesão.
      - O inglês também não me cativa em absoluto e então quando se faz recurso a ele com a frequência que o Damani faz, pode matar músicas que a princípio teriam tudo para estar no meu leitor de mp3, como o Acto II por exemplo.
      - As frases que não rimam deixam-me um inexplicável amargo de expectativa traída.

Mesmo que as letras não sejam de um exímio domínio da palavra, não são necessariamente pobres e aí sim, posso dizer que é uma dika dele, um estilo próprio, no qual se sente que ele está completamente à vontade.

Há no entanto momentos em que a sua maneira própria de exprimir-se colocam os temas entre o "muito bom" e o "sublime":
    -  Em Aghatusi, Damani aborda com o coração desfeito a tragédia da criança africana e do continente em geral mostrando ser africanista com referências as influências do Egito na ciência moderna, com uma ou outra dika em Swahili e um refrão simples e eficaz.
   -  Em Afri Can, quase como uma sequela de Aghatussi, menciona a angústia de ser colocado numa categoria à parte entre africanos por ter kumbu, recusando a colocação nesse patamar dizendo que a raça "aos meus olhos é só uma". Coloca-se no papel de culpado, num tom auto-crítico sempre salutar e aplaudido pelos meus ouvidos, terminando com uma mensagem positiva e esperançosa "o nosso tempo chegou, é seguir em frente!"
   -  O Ma Trip é uma espécie de celebração do seu percurso, mais uma vez com dikas simples e honestas, assumindo-se por exemplo fã saudosista da francesinha. Tem também um pouco de convencimento em excesso na linha do "só faço classics", mas a variação do instrumental dos versos para o refrão é inebriante.
   -  O Aki na Banda é uma análise fria e "na mouche" da sociedade luandense que encontrou no seu regresso ao lugar para onde "os ponteiros apontaram", em cima de um dos melhores instrumentais de todo o disco. Um tema obrigatório do ano de 2011.

Em suma, é um álbum pessoal, com alguns temas bastante introspectivos, não havendo aqui piscar de olhos ao DJ para estar inserido entre "Abana o vestido" e "Windeck", sendo os seus temas mais animados (Dá-me Money e Make U Mine), dentro da linha dos outros todos, autêntico, sincero... é a dika dele, podemos sentir ou não e este eu senti. Obrigado pelo freebie de alto nível Damani!

01.Hello
02.Dá-me Money
03.Celebra a Vida (Tributo à Jimmy P)
04.Aghatussi
05.Ma Trip (Portugália)
06.Dronner
07.Aki na Banda
08.Afri Can
09.Make U Mine
10.Acto II
11.Bom Dia (Uma Tarde em Paz pt.II)
12.Falam,Falam
13.Iluminado
14.O Meu Belo Guia



Vão sacar o álbum ao bandcamp do mano aqui. É grátis!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Reks - Mascara

O Reks está a conquistar um lugar cimeiro no meu top dos mais queridos do rap ao longo destes últimos anos. Sempre foi sólido, mas a idade está a fazer-lhe bem e a canalizar a sua temática lírica com grande predominância para temas introspectivos ou socialmente polémicos, denotando uma grande sensibilidade e profundidade nas análises com que nos presenteia. Neste som ele fala de como o complexo de inferioridade do preto lhe afundam, comprometendo a sua auto-estima e a capacidade para singrar na vida. Não se priva de mencionar nomes. MUITO BOM!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Halloween Remisturado

Esta remixtura está muito boa, mas eu sou irado pela versão original desse som, de modos que ia ser muito difícil eu achar que alguma coisa a superaria. No entanto, não é pela remixtura audio que eu faço este post, mas sim pelo incrível vídeo de street dancers que o Malaiko descobriu e associou à música. Não consigo deixar de ficar perplexo e maravilhado com este tipo de criatividade espontânea. Curtam

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Do velho para o novo

O ano de 2011 passei-o quase sem motivação para ouvir música, pesquisar coisas novas que estivessem a sair, apreciar o que de mais inovador se estava a fazer no infinito espectro sónico que não consegue deixar de se expandir, mas sobretudo no Hip Hop que é o género que mais exerce sobre mim poder de atração. A minha cabeça estava virada para outras coisas que me extraíam toda a energia e atenção. No entanto, nos eventuais rasgos de lucidez em que conseguia me desligar das ocorrências turbulentas, consegui pescar uma coisa ou outra, sendo a que mais me impressionou provavelmente um puto de Yonkers chamado Tyler the Creator. Vou colocar o vídeo dele em baixo, depois dos dois artistas que mencionarei agora: The Roots e Common. Bwé de alegria ao saber que ambos tinham novos álbuns na calha, pois são artistas que cresci a ouvir e com os quais nunca (por um lapso de tempo talvez com o Common) deixei de me identificar e dos quais espero música da mais alta qualidade senão refrescante. Os The Roots rebentaram a escala e atingiram um patamar ao qual dificilmente elevo alguém, que é um de confiança quase cega, do estilo "posso comprar sem ouvir que não me arrependo", pois ao 11º álbum de originais eles mantêm algo que todo o VERDADEIRO ARTISTA deveria manter: a ousadia de se reinventarem, de explorarem novas sonoridades, sobretudo as que deles menos se esperam sem que, no entanto, já tenham sido exploradas por outros com sucesso. Não vou fazer aqui uma crítica do álbum, vou só meter-vos dois vídeos. Quanto ao Common, a música continua forte, os instrumentais são do karaliu, ele tem dikas rijas, mas estou agora a ver os 4 ou 5 clips que ele já fez para promover o disco e, sinceramente, a impressão com que fico é que ele não quer aceitar que está a envelhecer, como se de repente, não se pudesse ser fresco e relevante aos 40+, como se tivesse a querer viver tardiamente a sua juventude, tipo aqueles mais-velhos rebarbados que pausam na disco quando já estão perto de se tornarem avós. Foi a sensação com que fiquei, sobretudo depois de me ter apercebido que, de forma algo pueril, foi ele que começou o bife com o Drake, um miúdo petulante que se sente no direito de o ser pela forma como vem sido adulado, mas que um adulto como o Common já tem idade para saber que isso faz parte da atitude dos 20's e deixar o miúdo em paz. Aquele excesso de agressividade nas palavras (que nem sequer no Bitch in yoo usou), a atitude de boxeiro e o videoclip num bairro aparentemente perigoso do Haiti... tudo demasiado juvenil amigo Common, demasiado "adolescência atrasada". Deixo-vos com o clip do Blue Sky que ainda foi a que melhor me caíu. Agora sim, a novidade do puto revelação. Estranhamente bom:

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ilitha Lelanga Marimba Ensemble - Fading Memories


Uma prima da minha namorada acabada de chegar de Capetown entrou no boter e disse "mete só este CD que ainda não consegui ouvir", mesmo quando eu estava a matar saudades do meu álbum do Masta Ace INC. - Sittin' On Chrome. A capa era fajuta mas o disco reunia critérios que o tornam um imperativo para os meus ouvidos, obrigando-me a interromper voluntariamente a minha sessão "trip down memory lane":

- o ser música africana independente (que significa "nada de apoios corporativos") comprada diretamente da mão do artista, numa das suas performances de rua. Só este critério seria suficiente para parar a minha escuta, pois não fazê-lo acarretaria consequências óbvias como a redução a praticamente zero da probabilidade de voltar algum dia a cruzar-me com este grupo/disco, passando ao lado de uma magnífica oportunidade de enriquecer o colorido da minha palette acústica.

- o facto de o instrumento central ser de percussão africana, sendo uma espécie de "orquestra da marimba", só por si algo extremamente curioso e intrigante.

- a música sul-africana ser de uma riqueza avassaladora apesar de ainda muito pouco explorada (tendo em conta a sua qualidade).

- a excitação no tom de voz da prima da mboa que os tinha visto ao vivo no Waterfront comprando o disco de impulso.

- Capetown ter se tornado a minha cidade preferida no mundo depois de visitá-la a primeira vez o ano passado.

Trouxe o CD para casa para o rippar e voltei a colocar o meu Masta Ace. Há tempo para tudo e nenhum para arrependimentos, sobretudo quando a música é excelente, à excepção de um outro tema que achei menos intensos e que deixaram a desejar (aliás aquele soprano logo na faixa de abertura é um susto!). Ainda assim, para contrariar a tendência daqueles que acabam por ser (na minha ótica) erros de palmatória recorrentes e ingénuos de grupos africanos, quando tentam universalizar a sua sonoridade fazendo versões-pipoca de músicas de fama mundial, aqui, a versão do grandioso Summertime do George Gerswhin (e imortalizado pelas milhentas versões desde Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, George Benson e a lista continua) está simplesmente sublime.

Curtam o som único destes 4 manos do Gugulethu e bom ano de 2012 a todos.

01. Seasons Of Change
02. African Sounds
03. Zoleka
04. Zane'mvula
05. Halleluyah
06. Sthandwa
07. Reggae Music
08. Mashaba
09. Zamdela
10. Mayivuye I-Afrika     
11. Marimba-Mania     
12. Summertime
13. Abasazi



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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

SBTRKT - SBTRKT

Diretamente do "Só Pedrada" (um blog consistente e que se recomenda vivamente para quem gosta de grooves pesados), descobri este DJ que começou recentemente a usar este pseudónimo e a esconder-se por detrás de uma máscara, apesar de já ter anos de estrada num registo mais de bastidores. Já fez dezenas de remisturas para artistas de renome como Radiohead, M.I.A., Basement Jaxx e Mark Ronson (produtor da malograda Amy Winehouse) para citar alguns. Defende-se dizendo que não é uma pessoa social e que o anonimato é uma maneira de se manter recatado sem se sentir forçado a passar tempo com DJs para que estes, simpatizando com ele, passem a sua música. Uma maneira de subtrair a pessoa da sua arte, deixando que esta fale por si só. O disco é muito bom, muito diferente, muito único, misturando vários sub-géneros eletrónicos, sobretudo dubstep e two-step.

Curtam a cena.

01. Heatwave
02. Hold On
03. Wildfire
04. Santuary
05. Trials of the Past
06. Right Thing to Do
07. Something Goes Right
08. Pharaohs
09. Ready Set Loop
10. Never Never
11. Go Bang

Vou chutar dois vídeos para que se perceba a diversidade sonora que podem esperar deste álbum




Catem o mambo nos comentários

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Videogames e Cartoons

Mais dois sons para sublinhar o comentário no vídeo anterior do Bjorn Torske. Aqui são samplados o Super Mario e os Simpsons, por dois grandes do hip hop, Smif n Wessun e Masta Ace respetivamente. São antigos mas sempre frescos.





Bjorn Torske - Spelunker

Ouvi este som há uns anos na Rádio Oxigénio. O papoite é sueco se não me falha a memória. Saquei o álbum e não me entrou, mas este sonoro me kuya de milhões, essa vibe dub com sample de videogame é um vencedor antecipado.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Nathalie Natiembe - Hkdododansing

Vou tentar conseguir o álbum desta mamoite reunionesa. Eu ouvi este som no vôo de regresso à Luanda há uns dias atrás no canal "world music" (what else is new?). Estava mais para lá de Bagdad mas, mesmo com aqueles fones podres que distribuem no avião, os meus ouvidos foram me obrigando a despertar e a prestar atenção, o cérebro buscando o padrão do previsível, da gaveta onde enfiar o som, recusando arrogantemente que algo ainda consiga, nos dias de hoje, soar-me incrivelmente fresco. Lembro-me de ter sentido algo parecido quando há uns anos atrás ouvi o tema da Elza Soares "A Carne" no programa Música Sem Espinhas na RDP África: FOoooooooooooUUUUUUUUUUUUUUuuuuuuuuuuuddddddaaaaaa-ssssseeeeeeee!!! Algo assim.


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Pródigo e Víruz - Dentes de Ouro, Flow de Platina


O Víruz (VRZ) e o Pródigo são meus brothers de há muitos anos já. O VRZ foi o primeiro rapper português com quem colaborei nos meus primórdios, desde o EP Confiança ou Vingança quando ele ainda girava com o Infamous. Com o Pródigo estive nos primeiros concertos de Hip Hop que vi em Lisboa, ainda no Ritz Club, dentre os quais conto o mítico concerto do Das Primeiro, com Micro e Dealema a encerrar. Anteontem fui visitar o VRZ e calhou bem na altura que eles tinham concluído o novo clip para este disco que levou 7 (!) anos a ficar consumado, num ritmo muito alentejano.

Sempre naquela onda de metáforas encriptadas, rimas gabarolas e punchlines, mais refinadas com a idade, mas também ressentindo-se um pouco do mesmismo na própria convicção com que são debitadas, muito menos agressiva e esfomeada que outrora, mantendo-se no entanto super competentes, obrigando-nos frequentemente ao esforço da descoberta no "estão a falar sobre quê exatamente?".

Também tem muitos piscar de olhos ao que em tempo se chamou rap-love, sem no entanto enveredar pelos óbvios instrumentais "melaço", alguns raps sexuais e quase misóginos também, mas mantendo-nos fixados na música.

O ponto mais alto deste disco será sem sombra de dúvida (para mim) a produção do humilde e discreto porém FODIDO Syniko! Produziu o disco todo mas não quis o nome dele a forçar um trio (Pródigo, Viruz e Syniko), sendo o responsável pela coesão sonora do disco, dando-lhe uma identidade e um cunho distinto de um disco que poderia facilmente ser "só mais um", enriquecendo-o com samples de ambiente, mas, sobretudo, com produções obesas de um gajo que toca a maior parte do que ouvimos. O DJ Sims também deu o ar da sua graça com uns scratchs minuciosos, carimbando definitivamente o disco com o selo da qualidade de consumo, incluíndo o da A$AE.

O sample do Quim Barreiros está clássico!!! "Eu gosto de rap, quando é para rapar alguma coisa".

Em termos de musicalidade este é o melhor e mais completo álbum de Hip Hop que ouvi desde o último do Pratica(mente).

Meus preferidos: Toque de Midas, Os Maus da Fita (instrumental? Scratch no final? Perfeito!), Paixão Marroquina, Eu Perdoo e Gira.

Os manos providenciaram o álbum para download grátis no Bandcamp deles, cobrando 5e pela cópia física para quem desejar ter o disco na coleção.

NOTA: O Víruz disponibilizou o álbum de INSTRUMENTAIS e propôs aos MC's angolanos que estejam interessados em aproveitar algum deles e submeter-lhes as suas versões das músicas, sendo que as que eles mais gostarem serão disponibilizadas no bandcamp deles.



















01.Dentes de Ouro
02.Mais + Mais
03.Irredutíveis Lusitanos
04.Safira
05.Toque de Midas
06.Chicos Espertos
07.Os Maus da Fita
08.Flow de Platina
09.Paixão Marroquina
10.A$AE
11.Segredos
12.Eu Perdoo
13.A Ferro e Fogo
14.Upgrade no Sistema
15.Kim Barreiros
16.Gira
17.Quando a Música Acaba



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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Hoje acordei com esta música

Sei que já a postei aqui, mas foi há bwé:

André Sampaio e os Afro Mandinga - Bumaye!

Yá pessoal, a cabeça anda consumida com assuntos de máxima urgência, sendo o principal a remoção do Zé Dú do trono, por isso o tempo e a paz de espírito não andam a reinar. No entanto, sempre que aqui deixo qualquer coisa, será algo que considero mesmo especial e que merece ser partilhado com o mundo, sobretudo quando gravitam fora do circuito de promoção oficial com o qual o cidadão comum tem contacto (rádios nacionais, mtv's e esses mambos corporativos). Bumaye! é certamente um desses, sendo a mistura do afro-beat, afro-blues e toda a miríade de influências que, só por si, constituem o complexo e riquíssimo mosaico cultural brasileiro, uma autêntica lavagem de alma no efémero passeio pelas 4 faixas que constituem este EP, que não é mais do que a versão curta de um álbum com o mesmo título que deverá ver a luz do dia brevemente para gaudio dos nossos tímpanos.

O André é guitarrista e compositor da banda reggae brasileira Ponto de Equilíbrio e com eles fez 3 discos, sendo esta a primeira incursão numa aventura a solo. A solo como quem diz, pois está muito bem acompanhado pelos Afro Mandinga, dentre os quais se conta Pedro Pedrada, companheiro nos Ponto. Uma aventura bem conseguida e encoraja-se ao rapaz a entregar-se a outras futuras explorações sonoras.

O título Bumaye! é mais do que sugestivo e remete-nos ao óbvio, enormíssimo, Cassius Clay mcp Muhammad Ali. "Bumaye, and you're gone... sucker!"

Scaneei o livrinho que vem cheio de detalhes para aqueles que gostam de saber mais. Fi-lo como bónus e prenda pela ausência tão prolongada :)

01.Bumaye/Ja Funmi
02.Rainha
03. Ecos de Niafunke
04.Juízo Final

(Não encontrei vídeo relacionado)

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sábado, 13 de agosto de 2011

Nozinja e o Shaangan Electro

Há algumas semanas fui assistir ao concerto de um grupo até então completamente desconhecido para mim e ao qual tinha sido introduzido uns dias antes: Shangaan Electro. A palavra Shaangan envia sinais ao meu cérebro que protagoniza automaticamente uma associação à China, evidentemente pela similitude fonética com a cidade chinesa de Shangai. Excepto que a primeira está numa latitude completamente inesperada: Limpopo, África do Sul e a sonoridade é realmente única, repetitiva sim, mas hiper-distinta. Ritmos acelaradíssimos acima dos 185 bpm, uma confusão de padrões de bateria digital que se sobrepõem parecendo martelos pneumáticos, sintetizadores muito xungas e uma permanente, adocicada marimba para contrastar com a agressividade rítmica dos outros elementos. Frequentemente complementados com cânticos tradicionais/religiosos/"gospélicos" sul-africanos, tornando exuberante o que seria, de outra forma, provavelmente intragável.

A apresentação ao vivo vale muito pela sua ingenuidade, um elemento que pode facilmente oscilar entre a falta de profissionalismo e a pureza do improviso momentâneo e que, no caso dos Shangaan, felizmente descambou para a segunda. Meteram as crianças no palco, depois os seus progenitores e até algumas avós. Foi muito giro mesmo. Boa energia, boa onda.

Claro que, naquele estilo africano peculiar, saíndo de trás do sampler para trás da bancada de mercadoria vendável, o Nozinja (produtor de todos os grupos do Shaangan), conseguiu vender cd's virgens, cd's sem títulos, cd's que não correspondem a capa, lá acertando de vez em quando no produto certo (o Vanghoma que aqui posto). Fanfarronice que não se consegue levar a mal, vê-se que não é maliciosa, mas por culpa disso, o disco que aqui vos coloco como sendo dos BBC, não creio sê-lo na verdade.

Matei-me a procurar na internet e só encontro as compilações editadas pela Honest Jon's do Damon Albarn, onde nenhuma das músicas dos BBC corresponde à músicas no disco que aqui vos posto. Na realidade, a primeira música do disco é de outro artista perfeitamente identificado, sendo aliás o tema ilustrativo da sonoridade shangaan que se encontra com mais facilidade no youtube, e o último sonoro é uma versão dub do mesmo tema. Para nos baralhar definitivamente a cabeça, o título da música "Nwa Gezani" é o título que aparece como título do álbum dos BBC como poderão conferir pela capa que tive o cuidado de scanear, mas ela é de autoria de Zinja Hlungwani como atesta o vídeo hilariante com fundos do windows 98 no final deste post.

B.B.C. (B.eautiful B.lack C.ulture) - Nwa Gezani

01.Zinja Hlungwani - Nwa Gezani
02.Título desconhecido
03.Título desconhecido
04.Título desconhecido
05.Título desconhecido
06.Título desconhecido
07.Título desconhecido
08.Título desconhecido
09.Título desconhecido
10.Título desconhecido
11.Título desconhecido
12.Zinja Hlungwani - Nwa Gezani Dub Version



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Tiyiselani Vomaseve- Vanghoma

01. Papa Vata Vuya Rini
02. Vanghoma
03. Xe Nasaniseka
04. Bombani
05. Wova Jaha
06. Votswelani
07. Mbilu Ya Nga
08. Vaswikota Ka
09. Voseveni Va Mina
10. Papa (Remixx)
11. Se Naxaniseka (Remix)
12. Bombani (Remixx)



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Versão alternativa e super bem conseguida por um youtuber que usou como suporte vídeo uma curta-metragem de 1927, dando-lhe como banda sonora o Nwa Gezani e conseguindo um magnífico video-clip


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Aline e César - A Minha Embala

Essa miúda está destinada a encantar ouvidos e a fazer bater corações. O progresso é notável da sua maquete para este novo projeto com o seu amigo César Herranz, tanto na segurança vocal, no dedilhar mais refinado da guitarra, como, agora, no recheio do ambiente com flauta e percussão do César. Felizmente, continua docemente longe da perfeição, mantendo um charme nas suas notas ao lado ou no descoordenar do arranjo musical.

Eu só me verguei à partir da faixa número 3, tendo as duas primeiras falhado em captar-me o coração, não por serem más, longe disso, mas soaram-me menos naturais e sentidas que as do Rascunhos e, para meu alívio, das que se lhes seguiram.

Maria Silêncio... o que dizer? Sublime! Um poema galego de Ricardo Carvalho Calero transformado em música, na promoção do universo da galeguia que muito tem inspirado a Aline. O Olhar Adiante eu já tinha gostado, mas no outro dia quando ela a tocou na Casa do Brasil acompanhada da irmã Raquel, arrepiei e emocionei-me, senti aquela penugem da nuca a eriçar-se, fiquei malaike mesmo, o som ficou lindo demais (Aline, grava só essa versão com a tua mana yá?). Agora ouvindo o som de novo sou remetido para esse concerto e para as intensas sensações que me provocou e consigo sentir emular fraccionalmente esse momento.

O poema de Alexandre Dáskalos "Que é S. Tomé", que foi também de onde a Aline tirou o nome para o projecto, foi musicado com uma simplicidade genial, deixando o espaço preponderante para a letra, com um dedilhar mais vigoroso da guitarra e uma flauta discreta mas essencial.

Também está muito fixe a colaboração com a voz masculina que vem acrescentar um tom novo na palette em "Kamba de Fala".

Os temas "Foz" e "Assinatura de Sal" são dois típicos temas ao estilo da Aline que cruzam as suas muitas influências, sentindo-se de forma algo vincada o romantismo da Bossa Nova: algo tristes, melancólicos e de refinado bom gosto, a anos-luz do comum perfume barato anselmo ralphista.

Aline, tens carta branca para continuares a hipnotizar-nos com essa voz de encantar serpentes, esse teu jeito dengoso e sorriso menino que te tornam tão especial.

01. Uma Pedra de Sal
02. Jeitos
03. Maria Silêncio
04. Olhar Adiante
05. Kamba de Fala
06. Que é S. Tomé
07. Assinatura de Sal



Visitem o site oficial do grupo aqui e vejam mais vídeos aqui

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quinta-feira, 28 de julho de 2011

O post solitário de Julho

Epá... tá mal, não há muita coisa a excitar-me ultimamente, musicalmente falando, à excepção talvez de um grupo sul-africano que hei de postar aqui brevemente (makas com os títulos nos cd's, mas depois eu explico no momento apropriado). Para não deixar este mês em branco, vou fazer o re-post de alguns links que expiraram e que considero ser obrigatórios, pelo menos para aqueles que partilham da minha linha melómana. Fica ainda a faltar o disco dos Nextmen, pois não consegur encontrar um link disponível. Sem mais fióco-fióco, aqui seguem os links para os posts em questão:


Post do Tété, onde o disco L'air de Rien estava expirado
Post do Nitin Sawhney onde o disco Beyond Skin estava expirado
Zero 7 - Simple Things
Madlib - Shades of Blue e Untinted, ambos expirados

Se houver discos cujos links estejam em baixo, façam-me saber com comentários SEMPRE no post MAIS RECENTE, porque eu não fico a verificar cada um dos 200 posts a ver se tem mensagens novas.
Tá bateire

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Grasspoppers - Dub Inna Week

Não sei onde estava quando este disco foi posto a circular, mas acabou por me passar ao lado. Durante a estadia do meu papoite Mpula em Luanda, ele passou-me um montão de discos que estariam em alta rotação no seu leitor, dentre os quais o do Baloji que postei anteriormente, o último de duas lendas do reggae marfinense (e africano), Alpha Blondy e Tiken Jah Fakoly, umas compilações de High Life e outras pedras. Também tinha lá este disco, que deixei passar por baixo do radar da primeira vez, não desejando voltar a cair no erro. Porra, tá bwé forte o mambo.

Feito assim numa semana, cheio de espontaneidade incontida, um método que acaba sempre por trazer ao de cima o melhor dos artistas, pois, a meu ver, o descomprometimento com qualquer responsabilidade de vingar vendendo discos ou granjeando concertos, para sustentar os membros da banda, sem necessidade patente de agradar seja lá que nicho for, é a mais libertadora sensação. A feitura deste disco foi como uma grande festa de contribuição onde cada artista trouxe a sua (boa) disposição para adoçar o ambiente, num efeito de grande contágio coletivo.

O conceito e a sua materialização foram do Milton e Marisa Gulli (Cacique 97, Phillarmonic Weed) que aqui se apresentam como Grasspoppers, a capa do disco é a foto vencedora de um concurso promovido pela Rádio Fazuma e os meus temas preferidos são o Tubby Intro, Complicação Dub (grande refrão), Cassius e, o mais forte de todos, Tunda Já, com o Prince Wadada.

Deixo aqui as palavras dos próprios para apresentar o disco:

Na televisão disputava-se a final do campeonato do mundo na África do Sul, mas o som estava desligado. Nesse dia começaram as gravações do Dub Inna Week: numa semana seria composto e gravado um disco de dub. Muito fumo, algumas cervejas, ocasionais copos de vinho e de whisky. Algumas pessoas entravam, outras saíam. As ideias surgiam naturalmente e sem esforço. Parava-se para jantar e depois de saciada a fome já haviam novas ideias. Mais pessoas apareciam, traziam uma garrafa de vinho, outras vinham carregadas com o seu veneno dub (efeitos, delays e instrumentos que tinham em casa), outras vinham com inspiração. Letras escreviam-se em cima do joelho enquanto se montavam os instrumentais. De uma simples linha de baixo surgiam mil ideias quase imediatamente. Ambiente relaxado. Tudo isto aconteceu no Abyssinia Studios 03, o estúdio caseiro dos The Grasspoppers: um computador portátil, guitarras, baixos, percussões, um microfone de condensador e 2 controladores Midi. Acordava-se a pensar em dub e adormecia-se a pensar em dub. As cabeças estavam cheias de eco, reverb, skankings, riddims e basslines. Sorria-se e dançava-se quando de um esboço começava a surgir um tema. Dub era a palavra de ordem. No último dia dessa semana festejou-se. 9 temas novos tinham sido compostos e gravados na sua totalidade. Os dubmasters : Milton Gulli (Cacique´97, Cool Hipnoise, Philharmonic Weed), Marisa Gulli (Cacique´97, Philharmonic Weed, Faith Gospel Choir), Renato Almeida (Kussondulola, Jammin, Mercado Negro), Natty Fred (Dread Natta, Riddim Culture), Prince Wadada, Zé Lencastre (Cacique´97, The Most Wanted), Vinicius Magalhães (Cacique´97, Farra Fanfarra) e directamente de Luanda, o MC Faradai que, graças às tecnologias da internet, gravou uma rima no seu estúdio caseiro em Angola. No pressure, no music biz bullshit, just the pleasure of making music! Lets make some holy ghost crazy noize!!!!!!!!! Dubwise!!!

1. King tubby intro
2. Complicação Dub
3. Dub Safari
4. Cassius
5. Buenos Aires Dub
6. Tunda já
7. Folhas de Feijão Makonde
8. Rootsman
9. Cool Down Brother




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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Baloji - Kinshasa Succursale

Eis um segundo álbum que me fará regressar ao primeiro com mais atenção, pois sobrevoei literalmente o "Hotel Impala" sem lhe emprestar realmente os meus ouvidos. O segundo de originais deste congolês/belga que emigrou atrelado ao pai para a Bélgica ainda bebé, deixando para trás a mãe de quem só voltará a ouvir falar 23 anos mais tarde, é simplesmente sublime.

Ao pai pertencia o Hotel Impala que foi, ao que parece, destruído durante uma das muitas guerras que lavraram a RDC. O kota era um homem de negócios que vivia entre Liège e Lubumbashi e que perou uma mamoite num daqueles tiros de desanuvio, deixando a kota concebida. Através do azar lhe puseram nome Baloji que quer dizer feiticeiro ou bruxo em swahili.

O kota abandonou a cria indesejada com a mboa de ocasião que virou mãe de um bruxo, mas depois de 4 anos a consciência lhe pesou e levou o kandengue pra Bélgique, onde ele se vê rodeado de estranhos passados repentinamente a "frères". No entanto, nunca chegando a ser verdadeiramente aceite pela nova mãe que o via como fruto de uma traição do marido, cresceu com feridas internas que não cicatrizavam e tornou-se violento, saindo de casa aos 16, vivendo em casas ocupadas e dedicando-se a delinquência para sobreviver, aos 20 escapou ser recambiado para sua terra natal após problemas fáceis de adivinhar com a polícia, ficando sem conseguir renovar os seus papéis (dos 4 aos 16 não foi o suficiente para lhe darem nacionalidade? fascistas do caralho!).

A luta dos papéis foi vencida, o grupo de rappers ao qual pertencia rebatizou-se Starflam, tiveram um sucesso incomum para um grupo belga de hip hop e, depois de 3 álbuns, o Baloji decide que já não quer mais nada com o microfone..até receber uma carta da mãe verdadeira que o viu num clip pela televisão e o reconheceu, 23 anos depois!

Levou 3 meses a reunir coragem para ligar para a velha, que lhe pede que faça um resumo do que tinha sido o seu percurso desde que se separaram. A resposta veio em forma de álbum solo, o Hotel Impala, que termina usando o mui conveniente sample "I'm going home to see my mother" de Marvin Gaye.

Daí para o Kinshasa Succursale a história continua linda e recheada de peculiaridades tão comuns no nosso flagelado continente que continua a ter estofo para parir autênticas aberrações de humildade, de amor ao próximo, de simplicidade, de generosidade, inspiradores pelo simples facto de existirem, sobreviventes nesse mundo que só lhes cobra juros.

Em 2007 quando cumpriu a promessa de regressar à RDC, descobriu que a sua carta audiofónica não tinha sido recebida com a intensidade que lhe aplicou, muito por culpa das sonoridades do hip hop que continua a insistir em samplar o soul, funk e a música preta norte-americana, com as quais o congolês não tem necessariamente muita afinidade.

Assim decidiu fazer este álbum completamente congolesado para não haver pretextos de aculturação e que bomba que saíu! Para mim, completamente revolucionário no seu experimentalismo, fundindo em simbiose perfeita a modernidade do hip hop com os populares soukous, dombolo, afro-rumba, mutuashi, sébéné e outros como o afro-funk nigeriano e o ska jamaicano. É mais um daqueles álbuns relâmpago (vide Ayo) gravado em 5 dias depois de uma audição a 35 músicos que nunca tinha antes visto, chamaram-lhe l' Orquestre de la Katouba, inspirado no ghetto de Lumbumbashi onde Baloji nasceu e onde, até hoje, reside a sua mãe.

A gravação foi ouro sobre azul mas a EMI (editora do Baloji) odiou o disco, alegaram que não conseguiriam vender mais de 150 cópias, cortaram-lhe a corda, provando mais uma vez a incompetência das majors em lidar com a diferença, não podendo aplicar as mesmas fórmulas corriqueiras que lhes permitem não ter mais de usar a massa encefálica para adequar cada campanha de marketing a cada produto ao qual corresponderá um público alvo. Resumindo, outra editora mais pequena e desconhecida pegou naquilo e vendeu 60 MIL cópias!!! Consequência imediata: chamou bwé de atenção aos grupos de interesse comum, dentre os quais se destaca o óbvio Damon Albarn que o recrutou para o seu projeto Africa Express, teve uma tourné mundial e está a preparar um novo disco.

Como se não bastasse, fez dois dos vídeos mais fodidos de qualquer derivado da cultura afro de SEMPRE, para os quais as suas noções de insider do mundo da moda (já foi modelo da Louis Vuitton) ajudaram na coesão do aspético estético.

Fisicamente e mesmo de xipala o Baloji faz-me bwe lembrar o nosso Pensólogo Shunnoz Fiel dos Santos.

Acho que chega de conversa fiada. Oiçam vocês e façam o vosso juízo.

01 Le jour d'après / Siku ya Baadaye
02 (Indépendance Cha-Cha) avec Royce Mbumba
03 Tshena Ndekela avec Monik Tenday
04 Karibu ya Bintou avec Konono No. 1
05 Congo Eza ya Biso (Le secours populaire) avec La Chorale de la Grâce
06 De l'autre Côte de la Mère
07 À l'heure d'été - Saison Sèche avec Larousse Marciano
08 La petite espèce (Bumbafu Version)
09 Nazongi Ndako (Part 1) avec Zaiko Langa-Langa et Amp Fiddler
10 Nazongi Ndako (Part 2) avec Royce Mbumba
11 Kyniwa-Kyniwa avec Bebson de la Rue
12 Genèse 89
13 Tout ceci ne vous rendra pas le Congo
14 Kesho avec Moise Ilunga

O melhor vídeo na minha opinião



Mas prefiro esta música


Catem o mambo aqui

Angonotícias

Epá, não aguentei. Acabei de ler a notícia sobre a nova lei que regula os espetáculos e eventos de diversão, quando me deparo com este primeiro comentário que me levou as lágrimas depois de me dar algum trabalho a "traduzir". Partilho convosco para que não seja apenas mais um momento de brilhantismo não se perca nos ilegíveis e intermináveis comentários desse site de notícias, sobejamente conhecido sobretudo pelo pessoal na diáspora. Aqui vos deixo então o comentário que parece ser uma resposta ao Black Pig! :)

"Al Viborah
Gude naite, leidies e gentlemenes. In acordingue tu a demande frome a lote ofe families, ui estart aguen to espique de englixe for de jói ofe ol. Ai oupe dat iu do note biqueime angri, becóse dis iz uone uix frome de dógue ofe Malanje. Tanque iu ande bai bai, si iou sune ire in de saite. Ande faque iu, blaque pigue!"

domingo, 24 de abril de 2011

Eduardo Galeano - Sangue Latino

Aos meus 11 "seguidores":

Não fiquem chateados, tudo na vida tem o seu tempo e o seu lugar e todos temos as nossas fases. Neste momento eu, um melómano confesso, não ando minimamente virado para a música, se vos disser que passou-se mês e meio sem que eu tivesse a curiosidade de explorar os meandros musicais vocês irão certamente recusar-me o auto-proclamado epíteto. Não só não procurei como não mantive canais abertos para deixar que ela me encontrasse, até que a minha namorada rompeu o meu jejum audiofónico e me mostrou três artistas que eu desconhecia e que muito apreciei. Provavelmente hei de postar alguma coisa de um deles aqui nos próximos tempos. Entretanto, estou mais numa fase de reavaliação, reenquadramento de eixos e prioridades, "egocentrando-me" :). Nesse exercício nada simples, ao contrário do que pode muitas vezes parecer, os interesses principais que regem a nossa existência sofrem um abalo e passam a ser, temporariamente (espero), secundarizados. Como não queria deixar de partilhar alguns desses momentos convosco, meus fiéis 11 "seguidores" que estranharão o meu silêncio, quero partilhar convosco uma entrevista ao escritor uruguaio Eduardo Galeano que a minha boa amiga Aline me empurrou hoje. É simplesmente de uma clarividência e sabedoria inspiradoras. Para quem o tempo não se conta ao milésimo de segundo:

Eduardo Galeano • Sangue Latino from Breno Cunha on Vimeo.

domingo, 3 de abril de 2011

Um vídeo da manif de ontem

Se aparecerem mais imagens e/ou vídeos relevantes, eu vou continuar a postar aqui. Entretanto queiram referir-se ao site oficial para outras informações.
Foi o segundo passo, a primeira manif oficial de muitas que espero que venham a acontecer nos próximos meses até as eleições. ZÉ DU FORA!!!