quinta-feira, 28 de julho de 2011

O post solitário de Julho

Epá... tá mal, não há muita coisa a excitar-me ultimamente, musicalmente falando, à excepção talvez de um grupo sul-africano que hei de postar aqui brevemente (makas com os títulos nos cd's, mas depois eu explico no momento apropriado). Para não deixar este mês em branco, vou fazer o re-post de alguns links que expiraram e que considero ser obrigatórios, pelo menos para aqueles que partilham da minha linha melómana. Fica ainda a faltar o disco dos Nextmen, pois não consegur encontrar um link disponível. Sem mais fióco-fióco, aqui seguem os links para os posts em questão:


Post do Tété, onde o disco L'air de Rien estava expirado
Post do Nitin Sawhney onde o disco Beyond Skin estava expirado
Zero 7 - Simple Things
Madlib - Shades of Blue e Untinted, ambos expirados

Se houver discos cujos links estejam em baixo, façam-me saber com comentários SEMPRE no post MAIS RECENTE, porque eu não fico a verificar cada um dos 200 posts a ver se tem mensagens novas.
Tá bateire

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Grasspoppers - Dub Inna Week

Não sei onde estava quando este disco foi posto a circular, mas acabou por me passar ao lado. Durante a estadia do meu papoite Mpula em Luanda, ele passou-me um montão de discos que estariam em alta rotação no seu leitor, dentre os quais o do Baloji que postei anteriormente, o último de duas lendas do reggae marfinense (e africano), Alpha Blondy e Tiken Jah Fakoly, umas compilações de High Life e outras pedras. Também tinha lá este disco, que deixei passar por baixo do radar da primeira vez, não desejando voltar a cair no erro. Porra, tá bwé forte o mambo.

Feito assim numa semana, cheio de espontaneidade incontida, um método que acaba sempre por trazer ao de cima o melhor dos artistas, pois, a meu ver, o descomprometimento com qualquer responsabilidade de vingar vendendo discos ou granjeando concertos, para sustentar os membros da banda, sem necessidade patente de agradar seja lá que nicho for, é a mais libertadora sensação. A feitura deste disco foi como uma grande festa de contribuição onde cada artista trouxe a sua (boa) disposição para adoçar o ambiente, num efeito de grande contágio coletivo.

O conceito e a sua materialização foram do Milton e Marisa Gulli (Cacique 97, Phillarmonic Weed) que aqui se apresentam como Grasspoppers, a capa do disco é a foto vencedora de um concurso promovido pela Rádio Fazuma e os meus temas preferidos são o Tubby Intro, Complicação Dub (grande refrão), Cassius e, o mais forte de todos, Tunda Já, com o Prince Wadada.

Deixo aqui as palavras dos próprios para apresentar o disco:

Na televisão disputava-se a final do campeonato do mundo na África do Sul, mas o som estava desligado. Nesse dia começaram as gravações do Dub Inna Week: numa semana seria composto e gravado um disco de dub. Muito fumo, algumas cervejas, ocasionais copos de vinho e de whisky. Algumas pessoas entravam, outras saíam. As ideias surgiam naturalmente e sem esforço. Parava-se para jantar e depois de saciada a fome já haviam novas ideias. Mais pessoas apareciam, traziam uma garrafa de vinho, outras vinham carregadas com o seu veneno dub (efeitos, delays e instrumentos que tinham em casa), outras vinham com inspiração. Letras escreviam-se em cima do joelho enquanto se montavam os instrumentais. De uma simples linha de baixo surgiam mil ideias quase imediatamente. Ambiente relaxado. Tudo isto aconteceu no Abyssinia Studios 03, o estúdio caseiro dos The Grasspoppers: um computador portátil, guitarras, baixos, percussões, um microfone de condensador e 2 controladores Midi. Acordava-se a pensar em dub e adormecia-se a pensar em dub. As cabeças estavam cheias de eco, reverb, skankings, riddims e basslines. Sorria-se e dançava-se quando de um esboço começava a surgir um tema. Dub era a palavra de ordem. No último dia dessa semana festejou-se. 9 temas novos tinham sido compostos e gravados na sua totalidade. Os dubmasters : Milton Gulli (Cacique´97, Cool Hipnoise, Philharmonic Weed), Marisa Gulli (Cacique´97, Philharmonic Weed, Faith Gospel Choir), Renato Almeida (Kussondulola, Jammin, Mercado Negro), Natty Fred (Dread Natta, Riddim Culture), Prince Wadada, Zé Lencastre (Cacique´97, The Most Wanted), Vinicius Magalhães (Cacique´97, Farra Fanfarra) e directamente de Luanda, o MC Faradai que, graças às tecnologias da internet, gravou uma rima no seu estúdio caseiro em Angola. No pressure, no music biz bullshit, just the pleasure of making music! Lets make some holy ghost crazy noize!!!!!!!!! Dubwise!!!

1. King tubby intro
2. Complicação Dub
3. Dub Safari
4. Cassius
5. Buenos Aires Dub
6. Tunda já
7. Folhas de Feijão Makonde
8. Rootsman
9. Cool Down Brother




Catem o mambo aqui

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Baloji - Kinshasa Succursale

Eis um segundo álbum que me fará regressar ao primeiro com mais atenção, pois sobrevoei literalmente o "Hotel Impala" sem lhe emprestar realmente os meus ouvidos. O segundo de originais deste congolês/belga que emigrou atrelado ao pai para a Bélgica ainda bebé, deixando para trás a mãe de quem só voltará a ouvir falar 23 anos mais tarde, é simplesmente sublime.

Ao pai pertencia o Hotel Impala que foi, ao que parece, destruído durante uma das muitas guerras que lavraram a RDC. O kota era um homem de negócios que vivia entre Liège e Lubumbashi e que perou uma mamoite num daqueles tiros de desanuvio, deixando a kota concebida. Através do azar lhe puseram nome Baloji que quer dizer feiticeiro ou bruxo em swahili.

O kota abandonou a cria indesejada com a mboa de ocasião que virou mãe de um bruxo, mas depois de 4 anos a consciência lhe pesou e levou o kandengue pra Bélgique, onde ele se vê rodeado de estranhos passados repentinamente a "frères". No entanto, nunca chegando a ser verdadeiramente aceite pela nova mãe que o via como fruto de uma traição do marido, cresceu com feridas internas que não cicatrizavam e tornou-se violento, saindo de casa aos 16, vivendo em casas ocupadas e dedicando-se a delinquência para sobreviver, aos 20 escapou ser recambiado para sua terra natal após problemas fáceis de adivinhar com a polícia, ficando sem conseguir renovar os seus papéis (dos 4 aos 16 não foi o suficiente para lhe darem nacionalidade? fascistas do caralho!).

A luta dos papéis foi vencida, o grupo de rappers ao qual pertencia rebatizou-se Starflam, tiveram um sucesso incomum para um grupo belga de hip hop e, depois de 3 álbuns, o Baloji decide que já não quer mais nada com o microfone..até receber uma carta da mãe verdadeira que o viu num clip pela televisão e o reconheceu, 23 anos depois!

Levou 3 meses a reunir coragem para ligar para a velha, que lhe pede que faça um resumo do que tinha sido o seu percurso desde que se separaram. A resposta veio em forma de álbum solo, o Hotel Impala, que termina usando o mui conveniente sample "I'm going home to see my mother" de Marvin Gaye.

Daí para o Kinshasa Succursale a história continua linda e recheada de peculiaridades tão comuns no nosso flagelado continente que continua a ter estofo para parir autênticas aberrações de humildade, de amor ao próximo, de simplicidade, de generosidade, inspiradores pelo simples facto de existirem, sobreviventes nesse mundo que só lhes cobra juros.

Em 2007 quando cumpriu a promessa de regressar à RDC, descobriu que a sua carta audiofónica não tinha sido recebida com a intensidade que lhe aplicou, muito por culpa das sonoridades do hip hop que continua a insistir em samplar o soul, funk e a música preta norte-americana, com as quais o congolês não tem necessariamente muita afinidade.

Assim decidiu fazer este álbum completamente congolesado para não haver pretextos de aculturação e que bomba que saíu! Para mim, completamente revolucionário no seu experimentalismo, fundindo em simbiose perfeita a modernidade do hip hop com os populares soukous, dombolo, afro-rumba, mutuashi, sébéné e outros como o afro-funk nigeriano e o ska jamaicano. É mais um daqueles álbuns relâmpago (vide Ayo) gravado em 5 dias depois de uma audição a 35 músicos que nunca tinha antes visto, chamaram-lhe l' Orquestre de la Katouba, inspirado no ghetto de Lumbumbashi onde Baloji nasceu e onde, até hoje, reside a sua mãe.

A gravação foi ouro sobre azul mas a EMI (editora do Baloji) odiou o disco, alegaram que não conseguiriam vender mais de 150 cópias, cortaram-lhe a corda, provando mais uma vez a incompetência das majors em lidar com a diferença, não podendo aplicar as mesmas fórmulas corriqueiras que lhes permitem não ter mais de usar a massa encefálica para adequar cada campanha de marketing a cada produto ao qual corresponderá um público alvo. Resumindo, outra editora mais pequena e desconhecida pegou naquilo e vendeu 60 MIL cópias!!! Consequência imediata: chamou bwé de atenção aos grupos de interesse comum, dentre os quais se destaca o óbvio Damon Albarn que o recrutou para o seu projeto Africa Express, teve uma tourné mundial e está a preparar um novo disco.

Como se não bastasse, fez dois dos vídeos mais fodidos de qualquer derivado da cultura afro de SEMPRE, para os quais as suas noções de insider do mundo da moda (já foi modelo da Louis Vuitton) ajudaram na coesão do aspético estético.

Fisicamente e mesmo de xipala o Baloji faz-me bwe lembrar o nosso Pensólogo Shunnoz Fiel dos Santos.

Acho que chega de conversa fiada. Oiçam vocês e façam o vosso juízo.

01 Le jour d'après / Siku ya Baadaye
02 (Indépendance Cha-Cha) avec Royce Mbumba
03 Tshena Ndekela avec Monik Tenday
04 Karibu ya Bintou avec Konono No. 1
05 Congo Eza ya Biso (Le secours populaire) avec La Chorale de la Grâce
06 De l'autre Côte de la Mère
07 À l'heure d'été - Saison Sèche avec Larousse Marciano
08 La petite espèce (Bumbafu Version)
09 Nazongi Ndako (Part 1) avec Zaiko Langa-Langa et Amp Fiddler
10 Nazongi Ndako (Part 2) avec Royce Mbumba
11 Kyniwa-Kyniwa avec Bebson de la Rue
12 Genèse 89
13 Tout ceci ne vous rendra pas le Congo
14 Kesho avec Moise Ilunga

O melhor vídeo na minha opinião



Mas prefiro esta música


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Angonotícias

Epá, não aguentei. Acabei de ler a notícia sobre a nova lei que regula os espetáculos e eventos de diversão, quando me deparo com este primeiro comentário que me levou as lágrimas depois de me dar algum trabalho a "traduzir". Partilho convosco para que não seja apenas mais um momento de brilhantismo não se perca nos ilegíveis e intermináveis comentários desse site de notícias, sobejamente conhecido sobretudo pelo pessoal na diáspora. Aqui vos deixo então o comentário que parece ser uma resposta ao Black Pig! :)

"Al Viborah
Gude naite, leidies e gentlemenes. In acordingue tu a demande frome a lote ofe families, ui estart aguen to espique de englixe for de jói ofe ol. Ai oupe dat iu do note biqueime angri, becóse dis iz uone uix frome de dógue ofe Malanje. Tanque iu ande bai bai, si iou sune ire in de saite. Ande faque iu, blaque pigue!"

domingo, 24 de abril de 2011

Eduardo Galeano - Sangue Latino

Aos meus 11 "seguidores":

Não fiquem chateados, tudo na vida tem o seu tempo e o seu lugar e todos temos as nossas fases. Neste momento eu, um melómano confesso, não ando minimamente virado para a música, se vos disser que passou-se mês e meio sem que eu tivesse a curiosidade de explorar os meandros musicais vocês irão certamente recusar-me o auto-proclamado epíteto. Não só não procurei como não mantive canais abertos para deixar que ela me encontrasse, até que a minha namorada rompeu o meu jejum audiofónico e me mostrou três artistas que eu desconhecia e que muito apreciei. Provavelmente hei de postar alguma coisa de um deles aqui nos próximos tempos. Entretanto, estou mais numa fase de reavaliação, reenquadramento de eixos e prioridades, "egocentrando-me" :). Nesse exercício nada simples, ao contrário do que pode muitas vezes parecer, os interesses principais que regem a nossa existência sofrem um abalo e passam a ser, temporariamente (espero), secundarizados. Como não queria deixar de partilhar alguns desses momentos convosco, meus fiéis 11 "seguidores" que estranharão o meu silêncio, quero partilhar convosco uma entrevista ao escritor uruguaio Eduardo Galeano que a minha boa amiga Aline me empurrou hoje. É simplesmente de uma clarividência e sabedoria inspiradoras. Para quem o tempo não se conta ao milésimo de segundo:

Eduardo Galeano • Sangue Latino from Breno Cunha on Vimeo.

domingo, 3 de abril de 2011

Um vídeo da manif de ontem

Se aparecerem mais imagens e/ou vídeos relevantes, eu vou continuar a postar aqui. Entretanto queiram referir-se ao site oficial para outras informações.
Foi o segundo passo, a primeira manif oficial de muitas que espero que venham a acontecer nos próximos meses até as eleições. ZÉ DU FORA!!!

sábado, 19 de março de 2011

Halloween - Projecto Mary Witch

Dizer que curto muito este gajo nesta altura pode ser interpretado como a confirmação que precisavam aqueles me passaram a associar ao mundo obscuro das drogas e violência, à pala do excerto do concerto que viram no youtube, mas, sandinga, sou grande fã da frontalidade e crueza deste MC, acho que ele tem essas qualidades em abundância, compensando pelos eventuais delírios ideológicos (ou falta deles) que possam chocar com os meus. Ele consegue com as suas narrativas pintar um quadro tão minucioso no seu detalhe, que praticamente conseguimos ser sugados para dentro dele e viver na pele a realidade precária e sufocante dos seres humanos relegados àquela condição de humilhante exclusão social. Conseguimos ter uma percepção da raiva, da angústia, da sensação de abandono e subjugação que podem de certo modo explicar a entrega à certos comportamentos sociais erráticos que desvirtuam o bem-estar geral, bem-estar esse a que pessoas nesses patamares da sociedade nunca auferiram.

Gosto da maneira que "a Bruxa" partilha com a sua audiência o que lhe vai na alma, sem filtros, sem meias palavras, num permanente baile entre a plena consciência e orgulho quase defensivo da sua situação social, e o arrependimento de certas atitudes desmesuradas que essa mesma condição aflitiva lhe impõe, sem no entanto cair na banalidade de glorificar a vida da qual se vê refém: "vai, puto vai devagar, o crime não é uma coisa da qual possas te orgulhar". Nesta entrevista o Hallo, que revela um discurso que pode parecer surpreendente para aqueles que lhe reprovam as letras, diz que não quer ser moralista nem professor de ninguém, mas o que ele não se dá conta é que este tipo de exercício ponderado e honesto da palavra é, em si só, uma autêntica lição de vida, quer para aqueles que partilham da sua condição, como para nós, os outros, aqueles que, com uma facilidade injusta e arrogante, se apressam a julgar as (re)ações sem se debruçar sobre as causas.

Obrigado Halloween, por dares ao hip hop no idioma de Camões algo que muito lhe falta, pois neste universo de personagens que mais parecem criações da Marvel, tu consegues destacar-te com as magníficas imperfeições que te tornam.... um ser humano!

01- Mary Bu
02- Reportagem
03- Gangs de Lisboa
04- Bang-Bang
05- Procriar
06- S.O.S Mundo
07- Fly Nigga Fly
08- No Love
09- Krika Kriminals
10- O Bom Jogador
11- Bitch Nigga
12- Várias Vidas
13- Dia de um Dred de 16 anos
Faixa bónus
: Exorcismo de Mary Witch



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sábado, 12 de março de 2011

Reks - Um pouco de (muito) bom Hip Hop. Porque não?

Eu sou panco deste gajo desde o primeiro álbum de 2001 (Soul of Black Folk e mais dois ou três temas ali são clássicos instantâneos). Quando saíu o segundo deixei de lhe dar muita atenção. Achei repetitivo e fraco. O que se passou desde então... o mano está cada vez mais maduro e a sua música reflecte isso mesmo. Grandes textos, muito sentimento e altos instrumentais.





quarta-feira, 2 de março de 2011

Gog - Brasil com P

Um dos ensaios mais fodidos do género hip hop. É simplesmente incrível, é inqualificavelmente arrebatador, violentamente arrepiante, hipnotizante, electrificante, transcendendo indubitavelmente a picuinhice de algum melómano que não seja adepto do género. Ora confirmem lá:

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

7 de Março. Será que a malta adere?

Obrigação social e moral de partilhar esta informação. Não vou esperar a ver se é credível ou não, sendo que não o fiz com a proposta do Cantona que era muito menos relevante para mim pessoalmente. Isto é o meu país e o meu povo e, neste caso, há imitações que eu acho que valem sim senhor a pena. Espero que a coisa consiga contagiar o número mais elevado possível de pessoas e que no dia 7 possamos desafiar a arrogância institucional e a prepotência individual do Sr. Dino Matross. Para já, neste momento, parte da minha missão se conclui.

http://www.revolucaoangolana.webs.com/

A página não inspira muita confiança, mas lembrem-se que o domínio perfeito da língua portuguesa e um site XPTO não fazem parte dos requisitos para a força de vontade de uma massa de descontentes e, não tornam a pessoa menos idónea. Existe até uma dose de humor benvinda no nome da pessoa que assina esta petição: Agostinho Jonas Roberto dos Santos. Muito bom:).

Aconteça o que acontecer, duvido seriamente que possamos ter algo como o que esta imagem do Egito (novo acordo ortográfico) ilustra:


Até dia 7 e se alguém tiver uma máscara de gás para me emprestar é só dar a dika nos comentários.