sábado, 13 de novembro de 2010

Janelle Monáe vs Erykah Badu

Janelle Monáe - The ArchAndroid: Suites II and III

Comecei por ver um vídeo desta moça num dos vários canais de música que existem no pacote da TV Cabo na tuga. Lembro-me de ter achado piada pelo todo, o grife, o penteado, a cor chocolatona, os olhos, mas a música propriamente dita, não achei nada de especial, sobretudo porque me fazia lembrar demais o Hey Ya do Andre3000, de quem ela parecia querer espremer uma versão feminina. Desinspirada e imitadora, caguei nela.

Só voltei a ouvir porque num dos sites de hip hop onde leio as críticas o álbum dela recebeu @@@@1/2, e isso foi razão mais do que suficiente para eu lhe dar uma segunda oportunidade. Ainda bem que o fiz. A rapariga é incrivelmente dotada e tem uma imaginação muito adubada quissá derivada da profissão que ela quis seguir inicialmente e que lhe levou a mudar-se do Kansas para NY para estudar, drama (actriz de teatro). Em 2007 ela lançou a primeira parte do que deveria ser um álbum em 4 partes (ela chama-as Suites), um EP chamado Metropolis (Suite I), que seria distribuído no seu site e em sites de download de mp3.

Eis que se intromete nesse percurso o P.Diddy que a assina para a Bad Boy, depois do Big Boi (Outkast) lhe ter falado nela . O EP é lançado oficialmente com o título Metropolis: The Chase Suite. O engraçado é que o A&R da Bad Boy adorou a Monae, justamente pelos motivos mais inesperados: "adorei o aspecto dela, o facto de não conseguir ver o seu corpo". Engraçado, quando esses cabrões tratam sempre de acelerar o processo de putrefacção artística impingindo as suas meninas que se descasquem para poderem vender discos. Aqui estão eles a apreciar a antítese do que promovem. Ou será um desafio? Ver quanto tempo leva até a miúda se vergar à realidade misogénica da indústria.

Este álbum, inclui as Suites II e III, ficando a faltar a parte conclusiva desse filme. Filme mesmo, pois o conceito do álbum é inspirado directamente por um filme alemão da década de 20, Metropolis, um filme mudo sobre a industrialização, a sociedade de consumo e a luta de classes, considerado o Padrinho da ficção científica. Este The Archandroid não só pega inspiração na capa muito similar à do filme original, como nas temáticas abordadas, sendo a Janelle de um ecletismo ímpar.

O filme de Janelle conta a estória de Cindy Mayweather, uma criatura alienígena encarnando uma androide feminina que atende pelo nome de Cindy Mayweather e pelo #57821, no ano de 2719. Mayweather apaixona-se por um humano chamado Anthony Greendown e esse erro ser-lhe-á fatal, pois os poderosos do século em questão decidem, ao tomar conhecimento dessa grave infracção do protocolo, desactivar a andróide Mayweather. Felizmente, Cindy descobre que é possuidora de super-poderes e que se trata na realidade de uma espécie de Messias da comunidade andróide, empenhando-se em salvar a comunidade, que acaba por ser finalmente a única chance que tem de também se salvar a si própria.

A miúda é de outros tipos, só vos digo. Catem o mambo enquanto tá quente.

01. Suite II Overture
02. Dance Or Die (Feat. Saul Williams)
03. Faster
04. Locked Inside
05. Sir Greendown
06. Cold War
07. Tightrope (Feat. Big Boi)
08. Neon Gumbo
09. Oh, Maker
10. Come Alive (The War Of The Roses)
11. Mushrooms & Roses
12. Suite III Overture
13. Neon Valley Street
14. Make The Bus (Feat. Of Montreal)
15. Wondaland
16. 57821 (Feat. Deep Cotton)
17. Say You’ll Go
18. BaBopByeYa



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Erykah Badu - New Amerykah Part II: The Return of the Ankh

Não vou sequer perder tempo a apresentar esta diva da música de bom gosto contemporânea. A etiqueta diz Neo-Soul, mas ela não a aceita, compreensivelmente. Estaríamos a voltar àquela conversa de outros posts anteriores.

Este é também o segundo de três tomos desta saga e a Erykah continua se buscando, explorando sonoridades novas, tentando manter-se fresca sem nunca se conformar com o protótipo imposto como única fórmula de sucesso e enriquecimento fácil, sem se furtar ao exercício do absurdo, como o gravar a música, que hoje em dia se quer cristalina com qualidade xpto, na banheira da sua casa-de-banho para criar naturalmente uma espécie de "efeito-túnel" e sobretudo, sem deixar de fora a sua veia de agent-provocateur que deveria estar listada como uma das condições irrevogáveis na definição de artista, pois quem não tem isso não pode passar de um simples entertainer. A arte cumpre (ou devia cumprir) um papel social de levantar questões e fomentar o alargamento de horizontes provocado por um crescimento forçado da mente, muito além da mera eficácia na pista de dança.

O vídeo do primeiro single foi realizado pela própria e é bastante controverso, pois ela vai fazendo uma espécie de strip-tease, despindo uma peça atrás da outra, orgulhosa das suas imperfeições e no fim... deixo-vos ver o clip, pois ela explica as razões da sua audácia no final.

Muito forte!

Mais uma vez ela colabora com diferentes nomes do Hip Hop, mas desta vez com resultados ainda melhores que na primeira parte da trilogia. O mambo está mesmo muito deka, vale absolutamente a pena checkar.

Janelle Monae vs Erykah Badu??? = Taco-a-taco, zero-a-zero no marcador, empate no trumunu. Não ganhou ninguém, ganharam as duas. Quer dizer, se fosse obrigado a escolher eu escolheria a Erykah pela consistência sonora ao longo dos anos, mas se for álbum vs álbum... tá calor. Empate mesmo.

01. 20 Feet Tall
02. Window Seat
03. Agitation
04. Turn Me Away (Get Munny)
05. Gone Baby, Don’t Be Long
06. Umm Hmm
07. Love
08. You Loving Me (Session)
09. Fall In Love (Your Funeral)
10. Incense (Feat. Kirsten Agnesta)
11. Out My Mind, Just In Time



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4 comentários:

Jorge Sithoe disse...

Meu o irmao, quanto a parceria nao e do tipo trocar links ou coisa assim, na verdade e adicionar o meu blog nos teus blogs favoritos, acredite ainda postarei coisas super exclusivas e boas para se ouvirem, entao seria uma forma de difundir o meu blog ai em angola atraves do seu e o teu atraves do meu!

quanto ao mano que esta a procura da coletania de Atencao desminagem que pertence a Kandonga de certeza que Eu tenho a colectania. se o tal mano estiver ineressado e so ir ao meu blog:

link: jorgesithoe.blogspot.com que postarei daqui alguns minutos!

ikono disse...

tasse bem bro. o teu blog ja ta ai nos favoritos desde ontem. :)

Glenn disse...

fã incondicional da Erykah desde o Baduizm, entusiasta curioso da Jannelle quando saiu de maneira mais ou menos confidencial a sua primeira "suite", achei o teu artigo extremamente argumentado, construídode maneira a dar vontade de os ouvir com máxima atenção. Tenho o Archandroid da Janelle, não tenho o Return of the Ankh, mas acredita qu vou já providenciar esse "ear candy" e deliciar-me com ele. Parabens pelo teu blog, é das leituras musicais que mais sigo desde que conheço (muito recente), e acho que falas de música com uma paixão e um conhecimento tal que.... é de louvar nos dias de hoje! continua o excelente trabalho, no mic ou no teclado do PC!

ikono disse...

Brother Glenn, obrigado ai pelas palavras simpaticas. A verdade e que eu ja curti o album da Janelle antes mesmo de me aperceber que era tao conceptual. Surpreendeu-me bwe. Estava a espera que ela continuasse a tentar emular o Andre3000, mas para mim este album e um atestado de competencia artistica tremendo, pois, contrariamente a todos os novos artistas que andam prai a tentar agradar judeus e nazis propondo-se abordar aquele leque completo de temas e generos, a Janelle fa-lo com uma naturalidade tal que SE SENTE que antes de querer agradar seja quem for, de atingir seja que nicho for, ela quer se SENTIR BEM com o q faz, sem complexos de assumir despretensiosamente varios generos que a terao moldado (de "classica", para heavy metal, para rap...é demais). Checkei ai o teu perfil, tens bwe de blogs hehehe. Tens mesmo tempo para tudo isso? :)
abraço ai dred