domingo, 24 de outubro de 2010

Kutiman - O simpático israelita

No outro dia o meu brother Kabuenha me pediu para sacar para ele o álbum de um tal de Kutiman. Me passou um vídeo no youtube e eu fiquei tipo "Xêeeee esse mambo é muito raro". Tratava-se de um novo conceito de álbum/vídeo que estava mesmo à espera de ser explorado, muito provavelmente já o é há um tempo porque este já está num nível muito avançado para ser o pioneiro. O "álbum" é gratuito e nem podia ser de outra maneira, já que as composições são feitas de retalhos de vídeos postados por diversos youtubianos por este mundo fora.

Mas vamos por passos. O primeiro álbum e homónimo do dreda é de 2007 e é muiiiiiittooooo forte! O mano é israelita, estudou piano aos seis e bateria e violão aos 14. Aos 18 bazou para Tel Aviv para estudar e um desses dias, sintonizando a rádio da universidade, foi introduzido a sonoridades jazz muito distintas das clássicas que ele estaria habituado a ouvir. Uns tempos depois, ou por outra, há muito pouco tempo atrás, tipo uns 5 anos, um kamba e actual parceiro musical, apresentou-lhe o funk (pois é, o brother não conhecia JAMES BROWN em 2005) e o afrobeat e o papoite delirou quando sentiu a vibe do Fela, mais ainda porque os nomes deles são bwé parecidos, o nome de registo do Kutiman é Ophir Kutiel, o do Fela, para quem teima em não conhecer, é Kuti, daí o dreda se baptizar com tal nome artístico, não querendo implicar que o Fela fosse Kutichild, ou sugerir tendências homossexuais apresentando-se como o "homem do kuti", mas era mesmo só para ter Kuti no nome artístico. (fonte: Wikipédia. É bem interessante a apresentação da aparição deste jovem na cena internacional).

Só vos digo que o mambo vale a pena checkar, quanto mais não seja por mera curiosidade de explorador sonoro.

Kutiman - Kutiman

Aqui vos meto o primeiro álbum. Vão pegar o link no blog deste ciente e vão dedicar uns minutos do vosso dia a explorar o à vontade com que o filho da terra ocupada se passeia pelos mais diversos meandros musicais que o inspiram. No Groove Where I Come From e Losing It são para já os meus temas favoritos, mas o resto também bate de caralius. O álbum foi recebido muito positivamente pela crítica se é que a Pitchfork vos serve de referência :)



01. Bango Fields
02. No Reason For You (feat. Elran Dekel)
03. Take A Minute
04. No Groove Where I Come From (feat. Elran Dekel)
05. Losing It (feat. Karolina)
06. Skit
07. I Just Wanna Make Love To You (feat. Chaka Moon)
08. Chaser
09. Once You're Near Me (feat. Elran Dekel)
10. Escape Route
11. Trumpet Woman (feat. Karolina)
12. Music Is Ruling My World (feat. Karolina)
13. And Out




Catem o mambo neste blog aqui


Kutiman - ThruYOU

Epá eu podia vos falar bwé deste conceito e da mestria com que o Kutiman o manipulou, mas acho melhor vocês verificarem com os próprios olhos e depois descarregarem o álbum se gostarem do que virem. Prestem atenção que o álbum INTEIRO tem vídeos, logicamente que, apesar de isso ser algo trabalhoso ao nível de sincronização, é mais que possível SEM BUDGET, pois os vídeos foram o próprio material samplado, cortado, rearranjado para soar como uma produção qualquer. Vejam pois os vídeos e se gostarem, peguem o álbum no link que vos disponibilizo. Podem também ler no link da wikipedia encima as palavras do próprio kutiman para descrever como foi que a ideia lhe apareceu, é sempre interessante perceber como as coisas mais originais podem surgir da carência de condições e/ou de inofensivas experiências inconsequentes, ao invés de consistentemente maquinadas e confeccionadas para causar um qualquer efeito no cérebro do ouvido que recebe do outro lado dos fones.

Neste link vocês podem escolher entre sacar as músicas individualmente, ou sacar o álbum inteiro e podem também visionar todos os vídeos correspondentes. Se escolherem ver pela maneira tradicional do youtube, prestem atenção aos vídeos que aparecem na barra lateral, pois trata-se dos vídeos originais que foram samplados pelo kutiman. Entretenham-se a descobrir o sample :).

01. The Mother of All Funk Chords
02. This is What it Became
03. I'm New
04. Babylon Band
05. Someday
06. Wait for me
07. Just a Lady



Peguem o mambo aqui

sábado, 16 de outubro de 2010

Mos Def - Taxi e Cream of the Planet

Por razões autorais, ou seja, politiquices da indústria, estas músicas acabaram por não existir oficialmente, tendo que ficar de fora do primeiro álbum de Ski Beatz como produtor, que num acto meio de orgulho, meio despeito, resolveu deixar os instrumentais no fim do disco com resultados duvidosos, tendo em conta as bombas atómicas que eram com o maior-que-o-sistema-solar Mos Def.

A boa notícia é que, as músicas existem para download na internet e, logo, para os ipods de quem quiser juntá-las a sua colecção de pérolas.



John Legend & The Roots - Wake Up!

Já gostei bwé do Legend. Depois o meu interesse por ele foi-se desvanecendo, apesar de nunca o ter achado mau, só assim meio chatinho e repetitivo, mas eis que ele consegue reconquistar a minha atenção com um disco de versões.

O mais forte é que, ao contrário dos discos que fazem versões de Bossa Nova, as músicas escolhidas pelo Legend não são as mais óbvias de todas, apesar de muitos dos artistas serem pesos pesados na turma da black music americana. Assim, por exemplo, não se refaz um tema de James Brown e pega-se, ao invés disso, num ilustre desconhecido (para a maioria), o Baby Huey, rapaz muito talentoso mas que morreu muito cedo deixando um único registo fonográfico do caraliu! Tem outros nomes assim mais ao lado que só os pesquisadores de samples no hip hop reconhecerão, como Ernie Hines ou Donny Hathaway, mas claro, não podia falhar um Marvin Gaye e uma Nina Simone, não fosse este um álbum de versões de música com mensagem. Desenganem-se no entanto os que esperavam ouvir Sexual Healing ou Feeling Good, pois, como já referi, este não é um álbum das versões óbvias, mas das versões (que os artistas acharam) relevantes.

John Legend kangou para assisti-lo na tarefa, a banda de hip hop por excelência, os The Roots. Um trabalho que começou a ser costurado com a campanha presidencial de 2008, aquela mobilização quase rídicula para apoiar a Barraka Abana Hussein, que inevitavelmente criou uma atmosfera electrizante que trouxe à memória outras manifestações, idosas de décadas, por direitos sociais mais fundamentais no país do Tio Sam.

Os The Roots fizeram um trabalho muito bonito, mantendo-se mais do que fiel às originais (alguns dos temas são tão parecidos que quase parecem tocados pela mesma banda, na mesma época, só num dia diferente), adicionando-lhes no entanto uma pitada de modernidade, tanto com o inevitável swing acumulado de várias influências musicais contemporâneas, como com a adição de MC's talentosos e adequados para a missão (não há um deslize forçando um Lil' Wayne ou Drake para chamar atenção de potenciais compradores).

Fiz questão de ir procurar as originais e compilá-las na mesma ordem que estão no álbum do Legend para vocês poderem se divertir com as comparações, mas sobretudo para se lembrarem que BOA MÚSICA NÃO ENVELHECE!!! (Porra o tema do Bill Withers me arrepia, me faz dar cambalhotas emocionais e lagrimar de tão puro, real e sentido!)

01. Hard Times
02. Compared To What
03. Wake Up Everybody
04. Our Generation (The Hope of the World)
05. Little Ghetto Boy (Prelude)
06. Little Ghetto Boy
07. Hang On in There
08. Humanity (Love the Way It Should Be)
09. Wholy Holy
10. I Can't Write Left Handed
11. I Wish I Knew How It Would Feel to Be Free
12. Shine



Catem o mambo nos comentários e RÁPIDO porque a indústria anda a ocupar-se de apagar estes links em coisa de dias.


John Legend & The Roots - Os Temas Originais

01. Baby Huey & The Babysitters - Hard Times
02. Les Mccann & Eddie Harris - Compared To What
03. Harold Melvin & The Bluenotes - Wake Up Everybody
04. Ernie Hines - Our Generation (The Hope of the World)
06. Donnie Hathaway - Little Ghetto Boy
07. Mike James Kirkland - Hang On in There
08. Prince Lincoln & The Royal Rasses - Humanity
09. Marvin Gaye - Wholy Holy
10. Bill Withers - I Can't Write Left Handed
11. Nina Simone - I Wish I Knew How It Would Feel to Be Free



Catem o mambo aqui. Não, se calhar é melhor também nos comentários, não vá o diabo tecê-las.

Kukiela (Aline Frazão) - Primeiro Mundo (Só de Brincadeira)

Minha amiga Aline, cada vez melhor, essa miúda vai dar muito que falar. Aquela voz não lhe chega, também tem já de compor assim? Continua assim minha kamba, a cantar e a inspirar.

Vos deixo o vídeo, a letra e o blog da menina se quiserem ir consultando as novidades que ela vai postando

O blog da Kukiela



PRIMEIRO MUNDO (SÓ DE BRINCADEIRA)

Eu não sei porquê

Há um incêncio dentro de cada janela e se vê

Eu não sei porquê

Este incêncio que arde dentro,

Come o corpo todo e a gente finge que não vê, finge que não vê

Mas por dentro arde, como não vai arder?

Se na minha terra não tem pra comer

Já quase creio que não tenho o direito de ser alguém

E por isso arde, ter de dizer adeus

Sem saber se o deserto me vai vencer

Juntar os últimos sonhos com a roupa do corpo

Partir por mim e pelos meus

E afinal, tem que haver algum deus…

Mas por dentro arde, como não vai arder?

Se chegando no Primeiro Mundo

Me sinto mais esquecido do que era no Segundo

Arde, o carimbo de ilegal, preconceito racial

Só por ter nascido mais ao Sul

Xé, gente do Primeiro Mundo

Pais da civilização

Por não ter um papel acabei numa prisão

Xé, gente da terra inteira

Queima o fogo da desilusão

Esse primeiro mundo é só de brincadeira, só de brincadeira

E você finge que não vê

Tens que entender que não há diferença entre nós

É a mesma essencia

E se a minha liberdade não existe a tua é só aparência

É só aparência e você finge que não vê…

Primeiro mundo só de brincadeira, só de brincadeira!


E se ainda não cataram a primeira maquete da rapariga, já o deviam ter feito, pois já a disponibilizei aqui há bwé de tempo. Verifiquem o post aqui.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Bibi Tanga & The Selenites - Dunya

Logo de entrada, eu não percebo porquê que esses sites de "world-music" insistem em atribuir a este rapaz a naturalidade Centro-Africana, como se o facto de SER dessa minúscula república, que se situa como o nome indica de maneira inequívoca, no centro de África, lhe atribuísse alguma credibilidade acrescida, como se a música por si só não bastasse, como se o facto de ele não ser "africano suficiente" o descredibilizasse como artista "world-music". Felizmente que é preto senão podia ser difícil de vender o conceito de um filho de diplomatas que por força das vicissitudes (golpe de estado né? o quê mais?) passaram à exilados políticos.

O Bibi nasceu em Paris e só foi conhecer a terra DOS SEUS PAIS aos 2 anos de idade, DE FÉRIAS! É portanto um francês de origem centro-africana, ponto final.

O que ele acumulou em termos de diversidade musical e cultural é outra história e pode obrigar-me a ser um pouco mais daquilo que o mundo precisa, flexível na minha rigidez, pois são claras as vincadas influências de música africana (cimentadas aliás com temas interpretados num dos idiomas locais, o Sango, idioma do qual o disco pede emprestado o seu título "Dunya" que significa "existência"), funk pesadão dos anos dos blaxploitation, até aos grooves mais pesados de clara influência hip hop, cortesia dos samples sinistros do seu parceiro no crime Professeur Inlassable.

O que mais me tira do sério neste disco são sem dúvida as linhas de baixo estonteantes de tão sinuosas, mas o disco tem muito mais que isso, incluíndo as letras que cobrem vários tópicos de sociedade ora com alguma seriedade, ora de ânimo leve. Bem equilibrado. Vale a pena checkar.

01. The Moon
02. Red Wine
03. Swing Swing
04. Dunya
05. Pasi
06. Let Them Run
07. Gospel Singers
08. Be Africa
09. Shine
10. Bonjour Mon Ami Jean
11. Goodbye
12. It`s the Earth That Moves



Catem o mambo nos comentários do sópedrada aqui

PS. Só tem um problema (grave): as faixas estão mal nomeadas nos ficheiros mp3, o que faz com que o tema "Goodbye" esteja com o título "Redwine" (por exemplo) e por aí em diante. Tá tudo lixado! Curtam o som pelo som, e se fizerem questão, descubram os títulos que correspondem as músicas.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quando o Hip Hop encontra o Reggae/Dub

Nos últimos anos com a digitalização do mundo e de tudo o que o incorpora, o protagonismo tem sido retirado das grandes editoras/produtoras responsáveis pela edição de 95% da música que passa na MTV/rádios ou dos filmes que chegam ao grande ecrã. Muitos dos artistas que não se conseguem enquadrar nos limitados padrões predefinidos das editoras, aqueles que eles sabem como vender, para os quais as fórmulas de marketing e o público alvo já estão claramente identificados, vêm-se relegados à músicos de taberna ou dj's do bairro, com uma palmadinha nas costas tranquilizando: "isto é muito bom, só não tem AINDA potencial de massas. Um club anthem aqui, uma rima mais burra ali e volta a trazer a demo".

Pois bem, uma das grandes vantagens de ferramentas como a internet é que permite este tipo de passa-a-palavra que muitas vezes se tornam fenómenos de massa (ver Zeitgeist, Danger Mouse, ou a aberração do Justin Bieber), o que muitas vezes inverte a ordem piramidal da ciência da informação, forçando menções públicas de coisas que começaram como murmurinhos no subsolo.

Os discos mash-up também não aparecem do nada. Há já muitos anos que os DJ's de mixtape (quando a palavra TAPE ainda significava fita/k7) misturam pontualmente accapellas de uns artistas com instrumentais de outros, por isso, o salto não é assim tão ilógico. Se não estou em erro, o boom foi com o Black Album do Jay-Z, para o qual ele disponibilizou os accapellas e que resultou nuns 100 álbuns de remisturas, dentre os quais alguns MUITO bons, nomeadamente o Grey Album, uma das provas vivas do que acabei de dizer no parágrafo anterior, propulsionando o produtor Danger Mouse (Gemini, Gnarls Barkley, Gorillaz, Beck) para o estrelato do dia para a noite.

Alguns anos depois, já perfeitamente aceite como artístico o disco mash-up, pelo menos no formato mp3 e download grátis do site oficial, eis que nos dois últimos anos PELO MENOS dois produtores revelaram-se bastante prolíficos nesse domínio apresentando trabalhos interessantíssimos.

J. Period c. K'naan - The Messengers

Aqui está um projecto que lapida um pouco mais o conceito bruto do simples disco-remistura, onde o produtor (anteriormente de mixtapes) J. Period recruta a parceria do K'naan na homenagem a artistas que se construíram fazendo mais do que simplesmente música de dança, insistindo no conteúdo, musicando injustiças sociais e cantando as suas utopias dilaceradas pelo mundo real. Eles foram os mensageiros, veiculadores de um discurso que nos segurava pelos tomates e nos enviava calafrios pela espinha, ossadas e costados. Eles são imortais e continuarão a ser impingidos às gerações vindouras num formato papinha cerelac que lhes seja mais familiar e mais assimilável. Aí está uma das grandes vantagens do sampling, quando esse propósito se cumpre, há que se bater pala, dobrar-se solenemente para uma merecida vénia e deleitar-se com o resultado.
Estes jovens homenageiam 3 figuras imponentes da música mundial que eu nem vou me dar ao trabalho de apresentar. Investiguem vocês próprios.

Behind the Scenes:



Tomo I: Fela Kuti

1. Introduction to Fela Kuti
2. Let’s Start (Messengers Remix)
3. Let Me Introduce Me (Messengers Remix)
4. Messengers and Prophets (Interlude)
5. Ololufe Mi (Messengers Remix)
6. Who is Fela? (Interlude)
7. Got My Dream (Messengers Remix)
8. The Story of Fela (Open & Close)
9. Gentleman feat. Bajah (Messengers Remix)
10. Perceptions of Africa (Interlude)
11. Africa (Messengers Remix)
12. Africa Unite (Outro)

Catem o mambo aqui


Tomo II: Bob Marley

1. Introduction to Bob Marley
2. Belly Full feat. Kardinal Offishal, Steele & Bajah (Messengers RMX)
3. War Through Poetry/Sun Is Shining (Interlude)
4. Shot the Sheriff (Messengers RMX)
5. Fighting a War (Interlude)
6. Johnny Was feat. Netic the Rebel (Messengers RMX)
7. Need You So (Wailers Interlude)
8. My Country/Small Axe (Messengers RMX)
9. Love Lights Burning (Interlude)
10. Fatima-Stir It Up (Messengers RMX)
11. Satisfy My Soul (Outro)

Catem o mambo aqui


Tomo III: Bob Dylan

1. Introduction to Bob Dylan
2. Rhythmic Poetry (Interlude)
3. Don't Think Twice (Messengers RMX)
4. No Great Message (Interlude)
5. 4th Time Around (Messengers RMX)
6. Voice of the Other Side (Interlude)
7. Lay Lady Lay (Intro)
8. Relationships Lay (Messengers RMX)
9. This Is a True Story (Interlude)
10. Hard Rain (Messengers RMX)
11. It's Alright, Ma (J.Period RMX - Bonus Track)

Catem o mambo aqui


Podem também consultar o site oficial, onde poderão ver (lado esquerdo) outros projectos do J.Period remisturando artistas de renome tais como Lauryn Hill, Nas, The Roots e Q-Tip... tudo topo de gama.


Max Tannone c. Mos Def e Talib Kweli

O Max fez aqui um trabalho sentido, com duas figuras mais icónicas do hip hop consciente, misturando (a maior parte das vezes) quase a perfeição grandes riddims do reggae/dub às letras perfurantes destes liricistas por excelência. Duas autênticas bombas, indo a minha eleição para o do Mos Def que rebenta a escala. Para aqueles que gostam de ir averiguar as músicas sampladas/incorporadas no instrumental final, o Max providencia uma lista em formato .txt onde os mash-ups estão detalhadamente discriminados. Pura delícia que traz um ar fresco a temas que já vão tendo 10 velinhas.

Mos Def - Mos Dub

01. Johnny Too Beef
02. History Town
03. Ms. Vampire Booty
04. In My Math
05. Travellin’ Underground
06. Shroud The Stars
07. Mr. Universe
08. Summertime Running
09. Kampala Truth Work
10. Hurricane Black

Catem o mambo aqui


Talib Kweli - Dub Kweli

01. Your Gospel
02. Country Of Loving (Feat. UGK And Raheem Devaughn)
03. Ms. Good Lady (Feat. Mos Def And Ghostface Killah)
04. Panta Move
05. Garvey Gets By
06. More Or Less Dub (Feat. Dion)
07. Words High (Feat. Kanye West And Common)
08. Mourning Unknown
09. Listen Fe
10. Away Dub (Feat. Zap Mama And Common)

Catem o mambo aqui

Consultem o site do indivíduo para outras avarias (Beastie Boys e Jaydiohead) que saiem um pouco do universo deste post.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Paulo Flores - Ex-Combatentes

Um dos meus primeiros posts neste blog foi de um disco ao vivo do Paulo Flores e, depois disso, já postei aqui o disco Recompasso, que me acompanhou numa viagem de carro juntamente com In Square Circle do lendário Stevie Wonder. Assim sendo, não me vou repetir nos elogios sempre merecidos dessa grande figura da nossa música.

Por mais questionáveis que sejam as opções/cuidados que toma com a sua imagem (quem ainda consegue não estar saturado de o ouvir/ver como imagem de marca do BFA? Os spots repetem tanto que acabam por diminuir a vontade de lhe ouvir a voz fora desse contexto), os seus discos são um atestado permanente à sua evolução enquanto músico e ser humano, ...
pronto, já estava a apanhar balanço para desenrolar essa fita dos elogios que acabei de dizer que não faria. Oiçam simplesmente essa obra prima em três tomos.

Viva o Paulo (e porrrraaaaaa, por tudo que é mais sagrado, rescinde lá esse contrato com o BFA, estamos faarrrtooooooos)!!!

Cd.1 ( Viagem )

01 Nzage
02 Diarabi
03 Hoji Ya Henda
04 Fela no Marítimo da Ilha
05 Pé na Lama
06 Camarada Kill Bill
07 Emancipada Terra
08 Morre Bem
09 Parabólica

Cd.2 ( Sembas )

01 Caboledo
02 Sembinha
03 Maravilhoso 1972
04 Meu Amor Quando me Beija
05 Ndapandula
06 Ser da Lata
07 Fundo do Poço
08 Som D’Agosto
09 Rumba Nza Tukiné

Cd.3 ( Ilhas )

01 Eu Quero é Paz
02 Samba em Preludio
03 Filhos da Kianda
04 Gepê
05 Contratempo
06 Reencontre
07 Funana di Nha Filo
08 Mudjer di Artista
09 Amba




Download dos 3 mambos em 2 files aqui e aqui




quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Conjunto Ngonguenha - Nós os do Conjunto

Então assim foi, o disco saíu MESMO. Depois de sucessivos adiamentos, atrasos com a fábrica e repetidos pedidos de desculpa por parte do MCK (editor e distribuidor pelo seu selo MASTA KAPA) aos religiosos seguidores do seu programa na Rádio Despertar que reclamavam pelo que lhes era devido, aqui está ele.

Todo o pacote é interessante, começando logo pelo impacto visual da capa em formato de caderno dos anos 80 que trazia o hino nacional na contra-capa. Mas o adágio diz que não se julga o livro pela capa, e assim sendo, não vamos também julgar o disco.

Eu sou suspeito para falar de Conjunto Ngonguenha, pois até bem pouco tempo antes deste disco sair, eu fiz parte do grupo. Sempre gostei da música que esses 3 mongos fazem, sempre fui panco da criatividade musical do Conductor, da franqueza e ligeireza com que o Leonardo flui pelos instrumentais auto-produzidos e pela profundidade lírica gargantuesca do Keita que impinge respeito até aos mais renitentes que só sabem falar do "flow".

Este é o segundo disco de originais depois do Ngonguenhação em 2004 com o selo da Matarroa, entretanto e infelizmente extinta.

Se no primeiro disco se encontrava a sátira social e política elevada ao estatuto de "mongoloidice", este segundo vem exactamente na mesma tónica mas com a vantagem de carregar em cada um dos intervenientes mais 5 anos de experiências no universo musical: o conductor está a produzir MUIIITTOO melhor, o Keita continua a rimar com aquela urgência como se o mundo fosse acabar amanhã, tendo, ainda por cima, melhorado substancialmente a sua largada e o Leonardo agora canta tipo quer lançar um disco de Soul.

A masterização/equalização deste disco são outros dois pontos em que se nota uma preocupação muito maior com a qualidade sonora, pois se no Ngonguenhação estava tudo sujo e fajuto de gravações dúbias, neste a coisa está cristalina, prata polida até virar espelho, graças à mestria do Eliei.

Se houver um ponto negativo quando se compara Ngonguenhação com Nós os do Conjunto, ele residirá certamente na perda de inocência e espontaneidade do primeiro, para um conceito melindrosamente estudado para causar um efeito previsto no consumidor do segundo. Mas isso, claro, é subjectivo como o é tudo o que releve duma opinião pessoal.

Contrariamente ao que se propala (e mais uma vez na minha modesta opinião), acho que este álbum rouba muitas das ideias funcionais do primeiro dando impressão de haver vários temas que são sequelas. Senão vejamos:

- Programa de rádio vs TV Ngonguenha: para já é inegável que os conceitos são os mesmos, e por acréscimo, o método da intro também o é. No primeiro usou-se o indicativo mais antigo da rádio angolana que precede o noticiário e, neste, usou-se o original de uma música infantil do Mamborró que, apesar de não ser a mais famosa dele, continua sendo uma música do Mamborró!

- Dia de Aulas vs Fugueiro: apesar de aqui ser mais ou menos assumida a parte 2, pois chega mesmo a haver um sample do tema do primeiro álbum, inclusivé, este tema escapou intitular-se "Fugueiro: A Prequela".

- Kibidi vs FTU-Nzamba 2: apesar de o Kibidi não se desenrolar dentro de um kandongueiro, o formato de story-telling é mais que familiarizado com o FTU, cada MC intervindo alguns segundos sequencialmente para avançar um pouco no seu relato.

- Sorriso Angolano vs É Dreda Ser Angolano: Sorrir na miséria vs sorrir na miséria. Mesmo mambo!

- Kem Manda Mais Fuma vs Ecos e Factos: Janela Aberta vs Ecos e Factos, dois programas da Televisão Pública de onde se podem tirar litros de inspiração para encher o rio seco.

- Vou te Queixar vs Nós e Vocês: ambas relatam o choque de gerações e delatam comportamentos obtusos (às vezes roçando o criminoso) da parte de alguns dos nossos conterrâneos.

- Ninguém nos Sungura vs Kanguei no maiki: se não se pode comparar pela ausência TOTAL de tema no segundo, compara-se perfeitamente por serem os dois os sonoros mais inesperados num álbum de hip hop, pois aventuram-se por ritmos que descambam um pouco para "música do futuro", uma vez que nos é impossível de a rotular redondamente.

Apesar de essas comparações serem possíveis segundo a (in)disponibilidade de quem ouve de as fazer, em termos de execução TODAS SEM EXCEPÇÃO estão melhores neste disco, denotando a evolução profissional dos envolvidos.

O disco esgotou em tempo recorde de 5 horas!!! O pessoal que chegou ao Elinga depois das 14h, alguns vindos de bem longe, deparou-se com uma situação extremamente incómoda: "Já não há discos broda!!!".

Foram só 1000 cópias, mas o Ngonguenhação levou um ano e meio a vender essa mesma cifra. Falando de expansão hã?

Está de parabéns o Conjunto. Muitos sucessos daqui para frente é o que vos deseja este camarada! Apesar de já não figurar no plantel, estou na linha da frente a aplaudir, pois vocês continuam a ser (nas palavras de um grande poeta) "como água no deserto".

01. Chamada
02. Dia de Aulas
03. Kibidi (A Lenda do Caixão Vazio)
04. Sorriso Angolano
05. Vou te Queixar
06. Medo do Regresso
07. Kem Manda mais Fuma?!
08. Namorada do Conjunto
09. Julieu & Rometa
10. Tia
11. Tou a Falar Pra Ti
12. Ninguém nos Sungura

Prova da idiotice congénita desses miúdos, ficam aqui dois dos teasers que mais me cansaram. O primeiro é uma demonstração de como confeccionar uma Ngonguenha e o segundo é baseado num spot publicitário do Banco Millenium com a Yola Semedo (podem confirmar carregando no link que aparece depois do final do teaser). MUITA PARVOICE!!!





Catem o mambo aqui

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Viruz - Cash Rules

Estava em Windhoek no kubico do meu dreda Telinho (antigo "Preto" dos Provisórios) e ele levou-me ao Xtygmaz para nos apresentar e trocarmos uma ideia. O Xtygmaz esteve a mostrar-me alguns artistas do seu círculo próximo que ele achava relevantes e este foi aquele que me captou mesmo a atenção. Tem uma largada muito segura, consistente, relaxada, sem a gritaria enraivecida normalmente associada ao artista "underground" chateado com as situações que relata. Este tema foi extraído de uma mixtape com apanhados de demos que ele foi acumulando entre 2005 e 2008 e, se há alguns que valham a pena sublinhar, este é (para mim) sem dúvida o que se destaca. Não sei se o zshare continua a ter a opção de escutar a faixa antes de fazer o download pois faltam-me os plugins, mas acho que para quem gosta de Hip Hop e está farto de ouvir sempre os mesmos artistas, vale a pena dar uma chance a este rapaz, ainda com algumas imperfeições (para mim é altamente inestético os versos que não rimam e acaba por se tornar incomodativo quando este lapso se repete consecutivamente), mas sem dúvida um talento prometedor. Esperemos que não se "kalibre" demais com o tempo.

Catem o mambo aqui

Sounds of South Africa

No outro dia estava a explorar o blog do Tiago, guitarrista dos 340ml e de Tumi & The Volume, e, depois de ponderar um curto lapso de tempo, decidi que ia averiguar a mix que ele tinha preparado para uma rádio francesa. O ponderar não foi de todo por questionar os gostos do Tiago, mas porque a largura de banda assim obriga. O download aqui é ainda um processo penoso e o que se cata online tem de ser escolhido a dedo, se possível com prévia verificação de um ou dois títulos através do youtube.
Esperadas as três horas (já foi pior... nos tempos do napster, uma faixa chegava a demorar para cima de uma hora as vezes. Um gajo contentava-se com 3 músicas/dia), verifiquei o pacote e, poorrrrrrrrrrrraaaaa, o mambo bate MUITO! O pessoal está muito à frente lá em baixo, muito ecletismo, muita originalidade, muita mistura de ritmos, muita diversidade.
Não creio que em 14 faixas se pudesse ser mais abrangente no abraço que aqui se dá ao vasto espectro da música sul africana contemporânea. Tem desde Jazz, a misturas de Kwaito com Dubstep, a Hip Hop, Dub, até uma espécie de música de orquestra que parece de filme. Menu completo!
Senti-me mais rico, mais culto, mais conhecedor, depois de ser inesperadamente surpreendido e seduzido por uma riqueza sonora cuja existência desconhecia.

01. McCoy Mrubata - Kwalanga
02. Felix Laband - Donkey rattle
03. Mapaputsi - Izinja
04. African Swingsisters - Emuva
05. Boo! - Come
06. Lark - Thoughts
07. Tumi And The Volume - Through my sunroof
08. BLK JKS - Zol!
09. Izintombi Zasi Manje Manje - Awofuni ukulandela na?
10. Max Normal - Hazel's joint
11. Mahlathini And The Mahotella Queens - Wavutha umlilo
12. 340ml - Make it happen
13. Gazelle - Neondebele
14. Carlo Mombelli And The Prisioners Of Strange - Trance by chance

Catem o mambo aqui