Isto é um espaço pessoal, aqui hei de meter essencialmente música que de alguma maneira me moldou, mas posso ter alguns desvarios eventuais. Se algum artista se sentir "roubado" por ter a sua música partilhada, que mo indique, para que eu possa apagá-la com a máxima prontidão
A: Nao estou no meu PC, nem na minha casa, nem no meu pais B: O teclado e ingles por isso os acentos estao ausentes C: O tempo e escasso
So dizer que esse album comecou por me chamar a atencao quando um amigo me enviou um link no youtube para um dos temas, pois este continha um sample de uma musica angolana que o Conductor ja tinha usado para a musica do MCK "Politikas de Dominio" em 2002. A musica em questao e Undengue Uami do David Ze e esta muito bem samplada aqui tambem. Escutando o album acabei por descobrir um segundo sample angolano (descubram qual) e ficou claro qual teria sido a fonte: ver o post aqui O album ta altamente e aconselha-se vivamente, apesar de eu nao engolir muito aquela converseta do "UMA PARTE dos lucros do album vao para uma escola no Congo". Mas aqui os genios do marketing jogam com a nossa sensibilidade e com o facto de nao podermos categoricamente afirmar o contrario. Ha que confiar. Saquem o mambo e julguem voces proprios, mas facam-no rapido que esses links nao tem durado muito tempo.
01. As We Enter 02. Tribal War (Feat. K'naan) 03. Strong Will Continue 04. Leaders (Feat. Stephen Marley) 05. Friends 06. Count Your Blessings 07. Disapear 08. The Promised Land (Feat. Dennis Brown) 09. In His Own Words (Feat. Stephen Marley) 10. Nah Mean 11. Patience 12. My Generation (Feat. Joss Stone, Lil Wayne) 13. Africa Must Wake Up (Feat. K'naan)
Um kamba me passou esses dois links que achei preciosos. Sobretudo o da kota botswanense. Curtam so a postura da mamoite, que tem tanto ar de música quanto o Bento XVI de jogador de rugby, a tocar a guitarra de maneira tão pouco ortodoxa mas com um tal à vontade que parece que fazer isso ou pisar mandioca para fuba é o mesmo mambo. Fiquei mesmo panco. A kota é muito forte. E reparem no dred no background. O gajo está ali tipo fatigado, a chupar a wiwa dele, a se arranjar bwé para disfarçar o único pensamento que lhe vai na alma: "mama, acaba só já para preparar o almoço, tô ficari fobado!"
O vídeo do baterista de rua também me impressionou. O mwadié tá tipo possuído a batucar freneticamente naqueles baldes de tinta. Alto beat ainda por cima.
Eu já tenho um post muito completo sobre o Mike Skinner e o seu alias The Streets aqui, por isso vou só mesmo publicar este quarto álbum de originais que já saiu há bwé (eu é que tenho andado completamente à leste) e que é provavelmente o melhor deles todos. Epá, é "difícel" eleger um preferido entre este e o A Grand Don't Come For Free, eles têm cada um o seu ponto forte. Neste álbum sente-se que o Skinner está mais adulto, mais orgânico, mais focado, mas mais sombrio também. O gajo continua a ser um grande filósofo de esquina e eu sou absolutamente fã da musicalidade do indivíduo. Absoluto diamante em bruto, o puro pedragulho sonoro, saquem, curtam, espalhem! MIKE SKINNER!!!!!!!!!!!!
01. Everything Is Borrowed 02. Heaven For The Weather 03. I love You More (Than You Like Me) 04. The Way Of The Dodo 05. On The Flip Of A Coin 06. On The Edge Of A Cliff 07. Never Give In 08. The Sherry End 09. Alleged Legends 10. Strongest Person I Know 11. The Escapist
Catem o mambo aqui (antes que ele apaguem este post)
Este é um disco que o meu irmão me passou. Não me lembro bem onde ele ouviu falar desta ugandesa residente na Suécia (supostamente na Rádio Nova), mas este é aparentemente o seu quarto de originais. Aliás, ela aparece em algumas faixas de um álbum que já partilhei aqui convosco, o Koalas Desperados, mas nunca me despertou mais curiosidade por aí além. Finalmente, lendo um pouco o site dela, este album nasce dessa parceria com os Koalas, pois é o seu produtor, Teka, que se ocupou de todos os beats neste álbum. O meu ndengue tinha me mandado o "pink drunken elephant" pelo mail e eu curti bwé e no outro dia passou-me o álbum completo. A base musical é muito inclinada para o Ska, mas o revestimento final é do mais moderno que há, com linhas de baixo electrónicas pesadonas e aqueles samples de teclas distorcidas que me encantam, sobrando a cereja no topo do bolo que é a magnífica voz (um tom algo desvairado) da Jaqee por cima.
Não sejam o camarão que dorme nesta onda.
01] natty dread 02] pink drunken elephant 03] moonshine 04] kokoo girl 05] land of the free 06] take it or leave it 07] take a walk with me 08] take the train 09] voodoo elephant 10] letter to samson 11] the day b4 last 12] healing waters
Comecei por não ligar muito ao Exit (primeiro álbum), fui completamente arrebatado e conquistado sem reservas pelo Joyful Rebellion e depois esmoreci um pouco com o que me pareceu serem dois álbuns comodistas, procurando reeditar as harmonias que lhe levaram ao estrelato mainstream (não que fossem maus, simplesmente me pareceram preguiçosos no campo da originalidade). Não estava muito curioso para lhe dar a terceira oportunidade com este Yes, mas um kamba passou-me o link para o segundo single e vídeo do álbum e eu flipei. Tirando o título que é um coxe cara podre a tentar atirar o barro à parede a ver se pega, é um granda sonoro, com grande sample, refrão e participação do lendário MC canadense: Saukrates. Verifiquei o primeiro single, 4,3,2,1 e curti, ainda que menos que o outro, pelo que resolvi sacar o LP. Curto e grosso como costumam ser os melhores. Ainda que continue a preferir o Joyful Rebellion, este álbum vale mesmo a pena checkar.
A Lauryn marcou a música desde o início do seu atribulado percurso. Primeiro no Hip Hop destacando-se com o Wyclef e o Praswell no grupo de New Jersey, os Fugees. Depois de um épico segundo álbum, The Score, as coisas azedaram com o grupo e cada um seguiu o seu caminho a solo.
A Lauryn voltou a deixar um carimbo na indústria e a escrever uma nova página no livro da música com o esplêndido debut Miseducation of Lauryn Hill, deixando toda a gente sequiosa por mais. Só que... não houve mais né? Ela embarcou para a Jamaica, casou com Rohan Marley, diz ter descoberto a sua alma e essência, não sei bem se com a religião ou com o tchuvan que andou a fumar, mas a verdade é que, artisticamente, passou a projectar para os fãs mais confusão do que esclarecimento, com algumas posições radicais e contraditórias, e com dilemas espirituais mal resolvidos.
Apesar de tudo isso, conseguiu convencer a Sony Music a fazer um investimento arrojado com o seu Unplugged DUPLO que não tem nada mais do que ela, a sua guitarra, a sua voz doce (por vezes fora da nota) e emocionada, e os seus discursos intermináveis. Um concerto intimista que, critique-se como se quiser, deve ter sido bem emocionante para quem teve o privilégio de acompanhar.
Por volta dessa altura a rapariga estava cheia de composições novas e declarou estar a concluir um disco que se iria intitular The Khulami Phase e ficamos todos com a crina eriçada e em bicos de pés aguardando o opus do Miseducation que chegaria 8 anos depois. Mas, como tudo o resto, seguiu-se o silêncio.
No outro dia estava em Londres, refém do vulcão com nome complicado lá da Islândia, e fui passar na HMV da Oxford Street. Fiquei abuamado quando vi numa das prateleiras um disco em cuja capa se lia: Lauryn Hill - The Khulami Phase. Virei para ver o verso e imediatamente me apercebi que se tratava de um bootleg, contendo músicas inéditas, ensaios, versões de estúdio das que tinha interpretado no unplugged, mas todavia um bootleg. Fiquei estarrecido ao pensar como seria possível uma grande superfície como é a HMV estar a vender um disco flagrantemente pirata (e não era o único, tinha pelo menos um segundo que me chamou a atenção que era um disco supostamente do D'Angelo, Raphael Saadiq e Q-tip). Mas ao mesmo tempo, fiquei excitado por saber que ia poder ouvir inéditos da Lauryn, mesmo se eles já fossem datados de 2004. É claro que os processos da Columbia/Sony Music já tiveram início e neles são visados trabalhadores da própria editora que decidiram difundir a música. Mas eis o que a Lauryn tem a dizer sobre o assunto:
"I have said in times before what I am saying now. I always look back at how much the music of my husband's father, Bob Marley, was bootlegged. And I am reminded that he would never have had all the fame he had if he hadn't been bootlegged and pirated. It's an honor for me that people consider my music so important so to make such a big deal about it. I don't want to worry myself with the details of this, so I've removed myself from the situation. I have tried to stop the legal suits and the court room agendas, but I don't control Columbia or Sony, just as they don't control me. There was nothing I could do to stop the suits. I don't necessarily believe anybody has to be sued over bootlegging. It's not as if the music industry has not made millions of the latest trend of hiring musicians without talent. Why then shouldn't it loose money every now and then. It's a matter of the chickens coming home to roost, as Malcolm X said. To me this is all music, it's just music. The album is not changing, the track list is set, so now people know before they were supposed to know. This may have been meant to happen. I don't presume to know. I'm touring, I'm spreading my message, and since all of you are now obsessed with following me again, I guess my message will get more detail. I don't worry myself with the affairs of man. I'm getting beyond that more and more".
Que bom ouvir isso de um artista de topo. As vezes parece que só os "under" conseguem ter esse tipo de raciocínio.
Aproveitem essas esquebras enquanto não há lançamento oficial, e constatem que a Lauryn continua a ser fenomenal, incontornável, venerável, a diva indiscutível da nossa geração.
01: Intro Lauryn Hill Speaks 02: Lose Myself 03: I Find It Hard To Say 04: World Is A Hustle 05: Social Drug (Studio Version) 06: Take To Much (Rich Man) 07: The Passion 08: Freedom Time/Mystery Of Iniquity (Lyrical Mix) 09: Intro Lauryn Hill 10: Music 11: As (Live) 12: Killing Me Softly (Live) 13: To Zion (Rehearsal) 14: Do You Like The Way 15: Blame It On The Sun 16: Intro Lauryn Hill 17: If U Wanna 18: Endless Fight 19: Motives & Thoughts (Poem) 20: The Makings Of You (Curtis Mayfield Cover Live)
O percurso musical deste francês determinou-se antes mesmo de lançar o seu primeiro disco, ao conhecer a coreógrafa Carolyn Carlson com quem terá um filho e para quem irá compor diversas peças. A relação da sua música com as artes cénicas e do audiovisual foi se cimentando com a composição de 3 trilhas sonoras, com a utilização de alguns dos seus temas para séries de televisão, anúncios publicitários e até como música de fundo para a cobertura televisiva das eleições francesas de 2005, o que lhe deve ter valido alguns cobres.
Eu descobri-o através da RFI (Radio France International), na casa do meu tio, num dia em que o visitava em Paris. O som que estava a dar era o Dare-Dard, e eu fiquei tão panco que perguntei ao meu tio qual era a estação, entrando imediatamente no site deles e fazendo figas para que tivessem um cantinho com o anúncio "o que está a tocar". Felizmente quem fez o site teve a boa ideia de efectivamente colocar lá essa bendita opção. Li o nome do rapaz, apontei-o e quando voltei para casa em Montpellier, saquei tudo o que encontrei. Alguns clickzitos no emule e encontrei um ficheiro .rar com a discografia. Vale bwé a pena. As músicas dele parecem mesmo pensadas para filmes, as notas entoadas transpiram imagens bem vivas e somos capazes de construir cenários a medida que o som avança. Muito bom.
Meto-vos aqui apenas o Play Time por ser o último, e também, porque é onde está a versão do Dare-Dard que ouvi na RFI e que me fez ficar curioso acerca dele. A ver se tem um resquício desse efeito em vocês. 01 Sirtaki a Helsinki 02 Prima Donna 03 Dare-Dard 04 Chaloupée 05 Steppe 06 Rose 07 Facéties 08 Après la Pluie 09 Blue Lady 10 Quintette 11 Mémoires 12 Night Run 13 Demi-Lune 14 La Danse des Trois Chapeaux 15 Ne M'Oublie Pas 16 L' Abîme 17 Zig-Zag 18 Les Sept Erreurs
Música com sentido. O mais novo dos Kuti, com a banda original do papa Fela, os Egypt 80.
Para quem vibra com Afro-beat, este álbum irá dar-vos corda aos sapatos.
Os entendidos dizem que em matéria de sonoridade, o Seun fica muito mais próximo do seu mítico papá do que o irmão mais velho, Femi, muito por causa da banda de acompanhamento, mas também na performance ao vivo. Não sei, nunca o vi ao vivo e do Fela só os inumeros vídeos que consegui ir catando ao longo dos anos. Sei é que o mundo moderno e as pressões das casas de discos que se manifestam sob forma de chantagens contratuais, limitam a comparação com Fela, começando no tamanho das faixas, onde o Fela abusava, chegando a ter sons que passavam a fasquia dos 25 minutos. Se calhar foi opção estética, se calhar o rapaz não quer construir a sua carreira na sombra da do pai (como fizeram ou tentaram fazer uma infinidade de Marley), se calhar eu estou a ser precipitado em julgá-lo pelos dados que tenho disponíveis sem aprofundar. Mas... é quase inevitável: Sobrenome Kuti; género musical Afro-beat; banda Egypt 80; até alguns títulos de canções remetem-nos a músicas específicas do Fela (Don't Give That Shit to Me vs You Give Me Shit, I Give You Shit). Não me parece que ele esteja propriamente a fugir de comparações, então assim como merece os elogios de ritmica e liricamente estar muito próximo de representar o seu venerável progenitor, merece a crítica de ter deliberadamente adaptado os temas em tamanho para versões mais radio-friendly.
O álbum é uma bomba. Escutem e se gostarem comprem, ou vão a um concerto (de preferência a segunda opção que é de onde os artistas acabam por tirar mais rendimento).
Ora bem, ao que parece, as compilações Ngola Ritmos que aqui disponibilizei foram o resultado de uma recolha para servir de banda sonora ao terceiro filme da trilogia sobre música popular angolana do realizador Jorge António. Depois de ter descoberto o blog e de termos trocado algumas impressões no que toca as nossas posições (antagónicas) em relação aos direitos de autor e a partilha da música pela internet sem autorização prévia dos artistas, o Jorge enviou-me a informação sobre a estreia do filme que será em Abril, no festival Indie Lisboa. Para todos aqueles que tropeçaram neste blog pesquisando a internet sobre os Ngola Ritmos e que tenham a sorte de estar em Lisboa no mês de Abril, aproveitem a ocasião e disfrutem do documentário sobre uma das bandas mais importantes na História da música angolana. Eu ficarei à espera da estreia na Mangolê.
Incluem este álbum tanto na categoria Modern Jazz como World. Eu senti bwé a cena, que apesar de familiar, me pareceu bwé actual (daí o "modern" antes do "jazz" né? Duhhh), bwé para a frente, bwé misturado e tão bem conseguido que não sabemos bem em que universo estamos a navegar. A explicação acaba por ser muito simples. O instrumento principal desta banda é o recém inventado Hang-Drum, que é tipo um Ok com tampa, ou, por outra, um disco voador e que produz uma panóplia de sons espectaculares, sendo considerado instrumento de percussão, mas as vezes parecendo um dos infinitos banks de um teclado. O álbum é algo dark, coisa que também me agrada muito e não tem vozes absolutamente nenhumas. Vale a pena para quem gosta de experimentar trips de outros tipos, mas não é um disco para toda a gente.
01. Paper Scissors Stone (5:27) 02. The Visitor (5:31) 03. Dawn Patrol (6:00) 04. Line (7:29) 05. Life Mask (Interlude) (1:16) 06. Clipper (6:31) 07. Life Mask (7:17) 08. Isla (5:09) 09. Shed Song (Improv. No 1) (8:23)