Isto é um espaço pessoal, aqui hei de meter essencialmente música que de alguma maneira me moldou, mas posso ter alguns desvarios eventuais. Se algum artista se sentir "roubado" por ter a sua música partilhada, que mo indique, para que eu possa apagá-la com a máxima prontidão
Ouvi essa cena na Oxigénio. Eles escolheram o tema The UN Plan. Fiquei intrigado. Nome estrambólico, capa estranha, título quase impronunciável, sonoridade indescritível... é uma combinação de muitos mambos, de Radiohead à J-Dilla com tudo o que pode arrastar pelo meio. A cena é mesmo agradavelmente diferente. O Shafiq é membro de um trio chamado Sa-Ra Creative Partners, que confesso não ter ouvido falar até então, mas tenciono corrigir essa falha imediatamente. Ao que parece, a palavra "Ka" significa algo como "mente" ou "força da vida" em árabe egípcio. Esse mwadiê parece até que se esforçou ao máximo para ser a mais perfeita antítese de um produto de marketing. Muito forte.
01.Intro/Electra 02.Nirvana 03.The U.N. Plan 04.Cheeba 05.Lil' Girl 06.Lost and Found 07.Dust and Kisses 08.No Moor 09.All Dead 10.Major Heavy 11.Evil Man 12.Changes 13.Love Still Hurts 14.Le'star 15.Egypt 16.Odd Is C 17.Rebel Soldier
Esperei várias semanas para partilhar isto convosco. Não porque estivesse com dúvidas quanto a valiosidade do que agora vos proponho e também não foi nada a ver com aquele sentimento prazenteiro ridículo de sermos detentores exclusivos de algo de valor que não se produz em série e por isso não se encontra com facilidade. Tipo aqueles que se permitem decorar as suas paredes com originais do Dali ou Van Gogh e depois os exibem aos amigos com um orgulho de coleccionador que mascara a mesquinhez do “é o único e SOU EU que o tenho”.
No que toca a música, a existência de coisas únicas tornou-se quase um mito com a democratização da internet e o aparecimento dos programas P2P, com os quais podemos aceder as colecções de “peças únicas” de cada um, entrando directamente nos seus computadores e extraindo aquilo que nos interessa.
Dito isto, se não partilhei este mambo no dia que cheguei à tuga e voltei a estabelecer contacto com o mundo cibernético, foi pura e simplesmente porque fiquei a espera que a artista em questão me facultasse uma capa. Ficou de lha fazer um amigo dos designs. Portanto, foi por mera preocupação estética, pode-se dizer até vaidade, que esta voz de anjo ainda não vos hipnotizou. Pelo menos na parte que me toca enquanto blogger e melómano assumido. Ainda tenho um pouco do séc.XX em mim e gosto de ter capas para os discos que partilho com a malta dos downloads (também inventei aquela capa para o EP dos Filhos da Ala Este).
Só me lembro de ter tomado conhecimento da existência da Aline numa daquelas moambadas de estudantes da diáspora, 20 pessoas no kubico do “equinho” (estimativa por baixo, para os pais dele não assustarem), tudo bwé animado, conversas sobre a banda e... pois é, tem sempre aquele amigo da viola para o momento cançonetes, sendo que o ecletismo depende do gosto dos presentes e, claro, da destreza do guitarrista. Então entre os “Não sou o único”, “She will be loved”, “Kiss from a rose” da praxe, começou o reboliço (também clássico) à volta da “voz” do grupo, com o pessoal a insistir bwé: “vá lá, canta”, “opá, vá lá”. E claro que a “voz” fez o seu joguinho de “ooohhh, assim fico acanhada”, até ao ponto em que a pressão de grupo foi superior a timidez individual e a “voz” sentiu-se obrigada (mas cheia de vontade claro) a agraciar-nos com o talento que tem em mais abundância que o resto da maralha. A miúda tinha mesmo um timbre doce. Senti... mas não liguei (dika powered by gato fedorento)!
3 anos volvidos e cruzamentos mais frequentes pelas curvas da rotina mwangolê no estrangeiro, a minha admiração por este belo espécimen da raça humana, inflou umas 20 vezes. Para além do impressionante progresso no controlo de voz nas variações de nota e timbre, da evolução no seu domínio da viola, e outros reparos do foro técnico, aperfeiçoou a sua escrita que está sublime, e aprecio particularmente o seu jeito menina ingénua e inconformada com as injustiças “naturais” que lavram as sociedades contemporâneas.
Ouvindo esta maquete constatei aliviado que ela não me arrepia só ao vivo e que, é possível sim senhor sentir-se o nível de honestidade e intenções puras no que se faz, confiando apenas e só na performance do intérprete, na profundidade que ele/a imprime no tilintar do gurgumilo, seja o lamento carnal de alguma aflição congénita ou o desabafar raivoso de algum episódio encolerizante. A Aline é mais para o tom lamurioso e é-o com muita classe.
A maquete tem um valor acrescido porque, para além dos covers que ela faz da Mayra Andrade (Tunuka e Lua), Ngola Ritmos e Teta Lando (o fantástico e rejuvenescido mashup dos intemporais Mbirim mbirim, Mupiozo me e Muxima), a menina mostra-nos os seus talentos de de autora/compositora com dois temas de sua autoria, o Babel e o Rascunhos. Não sei porque escolheu deixar de fora o poema de Alexandre Dáskalos (Que é São Tomé) que de forma tão graciosa musicou, mas isto já chega para primeira dose.
Muita alma nesse mambo. Alimentem-se.
01.Babel 02.Tunuka 03.Muxima (na verdade e por ordem: Mbirimbiri,Mupiozo Me, Muxima) 04.Lua 05.Rascunhos
Curto bwé esse mano. Há tempos postei aqui o som promocional que ele meteu a circular na net para antecipar a saída deste EP. Acho que continua a ser o meu tema favorito do trabalho e, certamente, um dos melhores que já fez.
Nem toda a gente é polivalente dentro dos seus géneros e o Flagelo é um dos artistas que, aceitando a sua monovalência, procura aperfeiçoar-se, aprimorar o seu estilo e eu sou de opinião que essa persistência às vezes dá frutos.
O Flagelo é do mais independente que pode haver, pois compõe as suas letras, faz os seus instrumentais e grava-se a si próprio no seu estúdio caseiro ao qual escolheu chamar “O Zoo” ou “Medina”. A intro do EP é uma entrevista que o Sebastião Vemba fez no recentemente construído bairro do Zango, a uma senhora recentemente lá “realojada”. O subtítulo sugere metaforicamente que a condição desta senhora é resultado do fiasco das políticas do Zé Du e é perfeita como mood setter para o Manifesto que se lhe segue.
O resto do EP é bastante sólido e recheado de beats consistentes e letras conscientes, sempre naquela tónica mais intelectual que nem sempre é fácil de digerir para ouvidos mais ecléticos (ou mais superficiais). Um EP aconselhável para quando queremos nos sentir mais atentos ou revoltados para partir mambos. Boa semente mano Flagelo, aguardamos ansiosamente pelo LP.
01.Intro - Os Flagelados do Vento Santo
02.Manifesto
03.Muda a Cara da Tua Cara
04.Destino (Fado)
05.Louco Por Opção (O Elogio da Loucura)
06.Música Alternativa
07.São Paulo de Loanda (Porquê nos Tens Como Enteados?)
O meu tio, um estudioso dos Ngola Ritmos e discípulo do "Liceu", mandou-me um mail corrigindo alguns dos títulos das compilações que disponibilizei aqui. Queiram por favor corrigir os vossos, pois não queremos falta de rigor nos nossos documentos históricos né?
Ngasakidila ao invés de Nga Sakidila Xiku ao invés de Chico Mon'ami ao invés de Monami Manazinya ao invés de Manazinha Mbirimbiri ao invés de Mbirim Mbirim Juwãu Dumingus ao invés de João Domingos Kwaba Kwaye Kalumba ao invés de Kuaba Kuaie Kalumba Oh Muturi ao invés de O'muturi Makezu ao invés de Makesu
Quatro dreds de Maputo que se conheceram em Johannesburg para onde tinham ido estudar, e se juntaram para formar o colectivo 340ml.
De banda de garagem a premiados foi um instantinho recheado de aventuras e desventuras, incluíndo pelo menos uma meia dezena de episódios no decurso dos quais se viram subtraídos do seu material, ora furtados do estúdio, ora do carro depois de um concerto. Eles usam aliás esse pretexto para justificar o período sem edição entre o Moving (2001) e o segundo álbum (2007) adequadamente entitulado “Sorry for the Delay”.
Os EP’s que existem no meio, são cenas que encontrei no Soulseek e no site da Optimus Discos, sendo que, o EP que se pode encontrar nesse último não é mais que uma versão curta do LP “Sorry for the Delay” e por isso se chama simplesmente “Desculpem o Atraso”.
Eu tomei conhecimento desta banda graças ao meu bom amigo Keita Mayanda que mos aconselhou com veemência praí em 2003, passando-me juntamente com o “Moving”, o álbum de um fantástico MC sul-africano chamado Tumi que tem como banda de apoio os Volume, que inclui dois dos quatro membros dos 340ml aos quais se juntam David e Kyla. Tudo do mais alto nível. Depois vou ver se meto também aí esse álbum do Tumi.
Não posso ter outra palavra para descrever a minha falta de cuidado em não ter ainda postado nada destes rapazes aqui senão “heresia”. Este é daqueles grupos que vale a pena ter na colecção de originais. Mas enquanto não caulam o mambo, saquem JÁ!
340ml - I Don't Know EP
É incrível. Não encontro NEM UMA referência a este EP googlando a net. NEM UMA. Experimentei de todas as formas que me ocorreram, com título do EP, com os títulos das faixas, com e sem o nome da banda (podia ser um EP de outra banda erroneamente marcado como 340ml) e NADA, ZERO, NICLES. Eu tinha um kamba que dizia: "se não está na net é porque não existe". Bem, aqui tenho em 7 anos uma das primeiras provas de contrário, que estou no entanto a remediar. A próxima pessoa que procurar por esse EP há de vir dar ao meu blog. Passou a ter "personalidade jurídica" (gato fedorento).
01.Lesson One 02.Wedding Song (Live) 03.That Loving Feeling 04.Guardian of Peace 05.Lesson 101 06.That Loving Feeling feat. Bonafide Webster 07.Wedding Song
Como já tinha dito, este EP não é mais que uma versão mais reduzida do segundo álbum "Sorry for the Delay" que os artistas compilaram para edição gratuita na Optimus Discos do Henrique Amaro. No entanto, os sons estão rippados cada qual com o seu kbps e os id3tags estão mal editados e sendo que as faixas estão TODAS incluídas no álbum, este será certamente o único EP do qual se podem passar de downloadar.
Primeiro álbum dos dreds.... alta bomba. Curtam só. 01 Shotgun
02 Hang On To Yourself
03 Midnight
04 What Happens Between
05 Early Morning
06 Shotgun Backleft 07 Supermodel
08 Nancy's Nightmare 09 21:40 10 21:44 11 Good Things Happen To Those Who Wait 12 I Started Something I Can’t Afford 13 Michelle (Stage Managment) 14 Movimento 15 And Who Was Kamikaze? 16 Moneypenny’s Dream 17 El Vinco Xiconhoca
Em teoria o segundo álbum deixa sempre um pouco a desejar, muito por causa da expectativa que se gera em torno dele depois de um primeiro LP tão forte. Mas sinceramente, acho que esta segunda pedra faz mais anéis na água que a primeira. O mambo tá deka deka deka!!!
01.Regents Park
02.The Other Side 03.Fairy Tales
04.Make it Happen
05.Moodswings 06.The Untitled Song 07.Kubrick 08.Saint-Leu 09.Lesson One 10.Australopithecus 11.Sorry for the Delay 12.Radio 75
Aqui está o último projecto de autoria da Rádio Fazuma. Sou muito panco desses manos desde que sintonizei num longíquo verão, o programa deles na Rádio Marginal. Primeiro fiquei meio de pé atrás com o sotaque do Toni, mas depois relaxei e deixei-me convencer pela genialidade e o humor da dupla Toni e Abel. Era só rir. Muitos anos de militância, apoiando a música independente e dando o corpo (e a alma) na edificação de um conceito diferente e consequente, depois de muitos dissabores mas também muitas alegrias, a montanha russa de emoções típica de quem insiste na parvoíce de remar contra a corrente (num rápido), depois de lançar dois projectos que não encontravam editora, de editar (quase...está a vir aí) um mambo tipo documentário inspirado no Ngonguenhação, eis que a Fazuma nos brinda com mais uma pérola: Dance Mwangolé. DJ Mpula passa de simples giradisquista do programa Batida na Ant3na, para produtor por excelência de uma música modernaça, fortemente condimentada com o Semba, rebita e outras músicas folclóricas angolanas, elas próprias sob grande influência dos países vizinhos, principalmente dos dois Congos. Mas não está sozinho nessa empreitada. Chamou o seu amigo e produtor de música electrónica Beat Laden (Cartell 70) que trouxe da sua experiência e entusiasmo para engordar mais aquelas basslines e os drums, dar-lhe os moogs, enfim... produzir né? O Mpula com o seu amor incondicional pela cultura africana de raiz e o Beat Laden com a sua orientação mais industrial/som sujo/pista de dança, fizeram "Bum" na proveta e o resultado tá aí. Dance Mwangolé. As palavras são essencialmente conscientes e/ou com orientação pedagógica, atribuindo ao ritmo dançante uma solenidade respeituosa para com os artistas samplados e para a cultura que se quer representar. Sacerdote, Maskarado, Dama Ivone, Bob the Rage Sense e o yours truly são os encarregados dessa missão verbal. "Isto é que os kotas deviam abraçar"
01 Korimbas Gruvi 02 Puxa! 03 Alegria 04 Bazuka (Quem me rusgou?) 05 Cuca (Isso é o que eles querem!) 06Yumbala (Nova Dança!) 07 Makumba 08Tribalismo 09 Mestre 10 Respeito 11 Saudade 12 Despedida 13 Ncongo Jamin 14 Nufeko Disole 15 Roque Santeiro 16 Mestre (Dj Chernobyl Remix)
"Nos anos 40, quando começaram a soprar os ventos independentistas, a vontade de muitos jovens era afirmarem-se como angolanos, os colonialistas impunham a sua cultura em detrimento da nossa. Parecia mal falar kimbundu, quem o falasse era considerado atrasado, gentio, qualquer pessoa de 40 anos das zonas urbanas não sabe kimbundu, viveu a pressão das mães que diziam: Menino parece mal, tu já és uma pessoa civilizada etc. Os fundadores do N’gola Ritmos pensaram exactamente que era preciso fazer algo para manter a nossa identidade. O espaço à volta não permitia manifestações culturais da terra, daí fazer-se um conjunto musical. Nos anos 40 com o Liceu Vieiras Dias, o Nino Ndongo, eram os principais, tocava-se em casa deste ou daquele. Só em 1950 o conjunto cresceu." "(Os Ngola Ritmos) era uma rebelião pacífica, tentando despertar consciências adormecidas, que não acreditavam em mais nada, eram 500 anos de colonização. Não havia televisão, nem rádio para toda gente, os jornais não chegavam aos musseques nem ao interior do país e nós sabíamos que uma canção ficava presa no assobio, no cantar. Na LNA quando cantávamos em kimbundu, as pessoas viravam a cara meias envergonhadas, chamavam-nos os mussequeiros...acabamos por fazer canções de absoluta reivindicação, e incendiávamos aquelas pessoas fartas de ser espezinhadas, e eles entendiam que havia qualquer coisa na fogueira. Isso acabou por se descobrir, fomos perseguidos. O conjunto morre antes do tempo, aqueles que eram funcionários foram transferidos. Entra este, sai aquele, entra outro etc. Tudo culmina com a prisão porque alguns de nós estávamos directamente metidos na luta política, como eu e o Liceu, nenhum de nós sabia o quanto o outro estava metido, na altura nem com a mulher se podia falar. Foi esta fase que resultou na criação do MIA (Movimento Independentista de Angola)."
Excerto da entrevista de Milonga a Amadeu Amorim, um dos membros fundadores dos Ngola Ritmos, que pode ser na íntegra aqui
Esse kota e o "Liceu" Vieira Dias acabaram por ser presos pela PIDE. Música demolidora que arrombou os muros das mentalidades tacanhas cimentadas com o betão do preconceito e do complexo de superioridade. Respeito!!!
Ngola Ritmos - Conjunto Ngola Ritmos
01.Nga Sakidila 02.Chico 03.Xikela 04.Nzagi Catem o mambo aqui
Ngola Ritmos - Folclore de Angola (Ao vivo na RTP, 1965)
01.Xikela 02.Monami 03.Dya Ngo We 04.Nzagi 05.Manazinha 06.Muxima
Aqui têm um re-upload dos dois álbuns de um dos duos mais fortes da nguimbi. Mais um daqueles casos de "big in japan... renegados na sua casa". Clássicos. (Se as frases anteriores vos soam estranhas a ler, é através da anormal quantidade da palavra "um" que se sequenciam). Catem no post original aqui
Fiquei muito tempo sem postar né? Pois é, às vezes não tenho net e acho que essas vezes hão de começar a multiplicar-se a medida que eu for ficando mais tempo pelas terras de Mbandi, Mandume, Kevela, Kiluanji e outros bravos do maqui. Entretanto, sempre que puder venho cá deixar pérolas, raridades, inéditos e documentos históricos. É mesmo por aí que vou começar, reuploadando os dois álbuns dos Irmãos Kafala e fazendo um mega upload de umas compilações dos lendários Ngola Ritmos, recuperadas pelo meu tio dos arquivos poeirentos de um qualquer melómano tuga e agora partilhadas com o mundo, que passou a ser o seu legítimo dono, depois da passagem física do Liceu Vieira Dias e da dissolução do grupo. Espero que os novos detentores deste legado sintam pesar sobre os seus ombros a responsabilidade de o transferirem a todo e qualquer interessado na matéria. Trouxe também o Dance Mwangolé do Batida, 4 mambos de um grupo que não sei como tive a audácia de ainda não ter postado nada que são os 340ml e uma maquete de uma amiga muito talentosa chamada Aline Frazão. Boa escuta
Só posso dizer que esse gajo é mais velho. Ele nem mudou muito daquilo que sempre fez, continua com aquele braggadocio arrogante típico do eterno combate pelo título que caracteriza o rap. Já não tem instrumentais do Premier, continua a chamar alguns produtores e artistas mais ocultos, mais distantes do mainstream, enfim, o Jay consegue continuar a ser o artista que mais se aproxima do título do álbum que ele próprio lançou com o R.Kelly, o "Best of Both Worlds". O Nas tentou durante uns tempos, felizmente acabou por escolher ficar-se pelo rapper adulto e responsável e cagar para os "Hate me Now". Os Talibs e os Common desta vida em dada altura, tentaram também fazer os crossovers, mas falharam miseravelmente. A única coisa que mudou no Jay é que ele já não tem mais nada a provar, já vendeu tudo o que tinha a vender, já foi presidente da Def Jam (posição da qual abdicou), fez as pazes com o Nas, foi embaixador das Nações Unidas, criou uma editora, construiu um império, abandonou o rap, voltou ao rap, criou o mito de fazer tudo sem escrever, foi o primeiro (e único) artista hip hop cabeça de cartaz no Glastonbury (festival pioneiro e essencialmente rock na Inglaterra), lança aqui o seu 11º álbum e 11º nº 1 nos tops, ultrapassando Elvis Presley. Os best ofs que existem aí não são oficiais. O Jay mudou então a estratégia de primeiros singles comerciais e poppish e agora mete em destaque o lado dele mais raw, unadulterated hip hop, evitando assim aquele ocasional pé-atrás (o meu por exemplo, constante desde o In my lifetime...segundo álbum do Jay, até ao Black Album) do ouvinte que descarta o álbum pelo single de apresentação. Primeiro single deste LP: DOA! Ressuscitando o enorme No ID, que produziu os 3 primeiros álbuns do Common Sense e que apadrinhou nada mais nada menos do que Kanye West himself. "Black Sinatra". Ao fim de 14 anos de carreira, tenho MESMO de lhe tirar o chapéu. Este álbum tem muito cocó também, mas as pérolas compensam o download e não deixam que o cocó as ofusque. Isso é talento. Meu som preferido: Empire State of Mind Primeira dika nervosa que me marcou: Shorty like (2)Pac me I like Poppa/ Screamin' Hit 'em Up, I scream Who Shot ya?. (Venus vs Mars, o som que ele fez para a mboa dele Beyoncé. Só quem conhece mais ou menos as carreiras do Notorious B.I.G. e do Tupac vai captar a dika.
01. What We Talkin' About 02. Thank You 03. D.O.A. (Death Of Auto-tune) 04. Run This Town 05. Empire State Of Mind 06. Real As It Gets 07. On To The Next One 08. Off That 09. A Star Is Born 10. Venus Vs. Mars 11. Already Home 12. Hate 13. Reminder 14. So Ambitious 15. Young Forever