segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

7 de Março. Será que a malta adere?

Obrigação social e moral de partilhar esta informação. Não vou esperar a ver se é credível ou não, sendo que não o fiz com a proposta do Cantona que era muito menos relevante para mim pessoalmente. Isto é o meu país e o meu povo e, neste caso, há imitações que eu acho que valem sim senhor a pena. Espero que a coisa consiga contagiar o número mais elevado possível de pessoas e que no dia 7 possamos desafiar a arrogância institucional e a prepotência individual do Sr. Dino Matross. Para já, neste momento, parte da minha missão se conclui.

http://www.revolucaoangolana.webs.com/

A página não inspira muita confiança, mas lembrem-se que o domínio perfeito da língua portuguesa e um site XPTO não fazem parte dos requisitos para a força de vontade de uma massa de descontentes e, não tornam a pessoa menos idónea. Existe até uma dose de humor benvinda no nome da pessoa que assina esta petição: Agostinho Jonas Roberto dos Santos. Muito bom:).

Aconteça o que acontecer, duvido seriamente que possamos ter algo como o que esta imagem do Egito (novo acordo ortográfico) ilustra:


Até dia 7 e se alguém tiver uma máscara de gás para me emprestar é só dar a dika nos comentários.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Terrakota - World Massala

Não vale a pena, eu mesmo curto bwé o som destes manos. Continuam a ter uma energia contagiante, e nem vou começar aqui a falar dos concertos, autênticos banhos purificadores de boa onda, sublimemente oferecidos por eternos animais de palco, que rebentam tudo sem pedir "com licença?".

Os kotas são superdotados, tendo a avassaladora e extremamente rara capacidade de superar as suas próprias peripécias musicais, o seu mosaico audiofónico multicultural ficando algumas peças mais rico, mais completo, mais bonito, mais próximo do sublime a cada excursão à volta do globo no Comboio OBA :).

Eu fui acompanhando a evolução deste disco, ouvi umas maquetes ainda nuas dos seus adornos alter-mundialistas (falo dos instrumentos tradicionais de certas regiões do globo obviamente e não dos grifes farruscos dos alternativo)... e sinceramente, não achei que alguma vez fosse poder achar este disco melhor que o anterior... ainda estou a vacilar, mas acho que é mesmo um coxito melhor... sei lá... pelo menos tem o mérito de continuar a convencer os meus ouvidos treinados para estarem em estado de alerta para repetições rítmicas, a constatação das quais me faz perder um bocado o interesse na banda que começo a achar que está a tentar fixar raízes numa zona de conforto após conquista de uma satisfatória base de fãs.

Com isto não quero dizer que isso nem que os kotas se reinventaram como banda e fizeram um disco totalmente inesperado, nem que, a perda de interesse seja da praxe quando as bandas continuam a guardar a sua identidade sonora. Existem várias excepções à essa regra e os Terrakota insistem em ser uma delas. Já quando foi o Oba Train eu não pensei que pudesse gostar mais de outro disco deles como tinha gostado do Humus Sapiens. Só depois do Oba sair é que consegui dar conta do que os anos podem fazer no que toca a polir e amadurecer certas técnicas... passei a reconhecer alguns defeitos no Humus que me passavam totalmente desapercebidos até então.

Curtam a naturalidade com que eles viajam nos padrões rítmicos de sítios tão díspares, voando do Rajastan, para o Senegal, saltando ali ao lado para Cabo-Verde, visitando a Nigéria e paragem obrigatória (?) em Angola antes de cambiarem de hemisfério para as Antilhas/Caraíbas, descaíndo finalmente um coxe para o Brasil, tudo com uma perna às costas e, para dar mais raiva da cara, misturam também idiomas (wolof é um dos recorrentes, mas uma nota especial e bem humorada para aquele portinhol com direito a pitada de criolo). As mensagens são sempre bonitas e idílicas, cheias de "não-lugares" como criticam os eternos pragmáticos que proliferam pelo mundo empresarial e nos parlamentos de todas as farsas que construímos sob o título de nações.

O Mark é uma adição inestimável ao colectivo, agraciando alguns dos coros com reviengas malucas, podendo perfeitamente passar-se (pelo menos para os leigos na matéria como é o meu caso) por um autêntico Devraj algures entre o Punjab e Bombaim. Granda Mark.

Este disco tem a participação do nosso inconfundível Paulo Flores em dois temas, justamente e de forma algo estranha, os dois temas mais calminhos que já ouvi da banda. O último, Raíz, é das coisas mais encantadoramente raras que ouvi nos últimos tempos, com uns barulhinhos de água e cabaças que dão vontade de mergulhar numa selha e um outro bizarro, mas muito kuyoso, que lembra uma sequência humanamente impossível de realizar daquele ruído que produzimos ao introduzir o indicador na bochecha e puxando-o repentinamente (tipo rolha de garrafa).

Com autorização explícita para "espalhar a música pelo mundo" directamente da boca (dos dedos, foi por mail) do Papa Juju.

Parabéns aos Terrakota pelo seu, discutivelmente, melhor álbum até à data e shame on me por ter, mais uma vez duvidado da capacidade deles de me arrebatarem.

01. World Massala
02. Kay Kay
03. Ilegal
04. I am
05. Slow Food
06. Né Djarabi
07. Pé na Tchon
08. Chelo Habibi
09. Gripe Económica
10. Ualelepo
11. Raíz




Catem o mambo aqui

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Coca o FSM - RelachTotal Mixtape


A música angolana está prestes a sofrer um abalo sísmico. Este esteve a ser aconchegado nas profundidades gargantuescas do centro da terra, a ser concebido, desenhado, formado para emergir com violência serpenteando por uma falha entre placas tectónicas no seu perpétuo, silencioso movimento. OK, estarei a emocionar-me demais exagerando o impacto imediato que esta mixtape pode vir a ter no panorama musical se tivermos em conta o público em geral que, longe de ser só em Angola, devota-se à música de índole duvidosa, superficial, de abreviada longevidade, com padrões rítmicos que têm de ser familiares para serem associados ao termo "bom", uma autêntica orgia de medíocridade, sendo este o termo que mais facilmente os melómanos associarão a música pop, salvo raríssimas excepções. Qualquer coisa mais refinada, mesmo que bem executada, atingirá apenas um punhado de gente, normalmente ligada ao mundo das artes, ou pessoas que tenham já tido o privilégio de viajar e misturar-se com outras culturas estando mais abertas à pluraridade e a diversidade, neste caso específico musical. Felizmente, essas são as pessoas que criam arte e a partir de agora, terão uma nova cor para acrescentar a sua palete de inspirações.

Eu acompanho moderadamente o percurso da Birrakru desde a altura em que o 7 Xagas me enviou algumas das brincadeiras que eles faziam na casa dele em Lisboa depois de uma noite de chuping, que veio a culminar num apanhado de demos fantásticas materializado sob o título de Pr'Alma, já aqui postado obviamente. Ainda assim, apesar de já conhecer a criatividade prolífica desse pessoal, consegui ser abalroado pelo comboio que rola nas calmas e que se chama COCA, O FSM anteriormente conhecido como Sílaba. Esta mixtape é tão inovadora que consegue transcender as claras influências que acarreta, cumprindo um papel que muitos artistas acabam por descurar que é o de reinventar-se, reciclar-se, adicionar o seu ponto a cada conto, não se autolimitarem ao circunscreverem-se num perímetro artístico para além do qual não ousam aventurar-se.

Já tinha comentado aqui neste blog acerca dos dotes vocais do Sílaba tkk Coca o FSM (Faray Sem Mobile). Apesar de achar que ele está a crescer muito e a deixar a anos-luz de distância os anos do "ar-colingue" (7 Xagas), continua a ser deliciosamente desafinado. Explico-me: eu suporto com muito menos facilidade um único desafinanço de artistas que se gabam de terem andado nas escolas X, Y ou Z, com mania de grandezas, pois sou inerentemente intolerante a indivíduos que cortaram relações com o termo "modéstia". Já os alegres cançonetistas sem nenhuma pretensão de se afirmarem ou de se elevarem a categorias às quais não pertencem, mas veículando o que sentem com pureza, conseguem mexer com as minhas emoções ainda que sejam PERMANENTEMENTE desafinados. A maior parte das vezes dá-me graça, que não deixa de ser uma emoção mais do que válida para ser transmitida pela música. Exemplo flagrante é o Dudley Perkins que nem sequer sinto que faça um esforço para melhorar a sua afinação e que conseguiu vender o suficiente com o Lil' Light para lhe darem (até agora) mais 3 oportunidades para fingir que sabe cantar.

Por isso, caso estejam à espera de ouvir um cantor com as notas todas na batata tipo Anselmo Ralph, desenganem-se, não é de todo o que se deve procurar aqui. O conteúdo desta mixtape é imensamente mais rico, mais complexo, mais completo do que qualquer álbum do artista acima mencionado e de todos os R. Kellys e Ushers que o influenciaram. É um disco radiante que promove a boa disposição e uma paz que contrasta com a vida bélica que levamos nesta abominável Luanda que continuamos a amar.

Como negar a beleza do refrão do som que dá título à mixtape? É tão doce, tão edificante, tão inspirador, que quase nos faz levitar. Afinado? Não necessariamente, mas porra, tá DEMAIS!
"Imagina só"? Dá vontade de sair a voar com aquele pianinho. Uma das marcas registadas dos instrumentais nesta mixtape é a delicada sobreposição de instrumentos formando camadas audiofónicas que acasalam entre si criando no fim a sensação de coesão que não pode estar muito longe da perfeição, de um requinte, de tal magnânima leveza que desconseguimos de nos fartar. Como podemos resistir ao balanço hipnotizante do "Mais do que Kambas"? Epá cada um com o seu gosto né? Mas os instrumentais para mim são altas pedradas de puro groove afro-soul, com arrojados elementos sonoros que não se associariam necessariamente à música romântica (aquele apontamento espacial tem tanto de discreto quanto de sublime). Se tenho um ponto negativo a apontar, depois de já descartada a importância da perfeição na afinação, seria algo minúsculo, o uso do que me parece ser um sample de scratch que dá um ar um pouco "ejay" à uma composição de outro modo flawless.

Os temas são essencialmente românticos, mas muito únicos, altamente imprevisíveis, com uma quase permanente mistura de poesia com humor e, sobretudo, fazendo recurso a gírias e linguagem terra-a-terra, o que para mim é um potencial sinal da individualidade que caracteriza o Coca, que não tenta seguir os moldes impostos pelo género ou pelos seus percursores, usando a sua música como uma perfeita imagem reflectida do ser humano que é. Aqui não é residência para falsidades sentimentais banais do género "meu coração está partido amor, vem ser minha enfermeira por favor". Exemplo do bom gosto das linhas apaixonadas qb "este som é para nós...quando virarmos borboletas, se eu tivesse o teu fone, te ligava concerteza".

Mas nem só de amor vive o homem e, lá para o fim da mixtape, o coca consegue lembrar que a música easy-listening não significa que o artista tem que se cingir à temas sem profundidade ou intervenção social e rebenta-nos com dois temas nervosos, com grande dose de humor à mistura, o primeiro sendo o "Só Pensa Nisso" com linhas que hão de arrancar sorrisos ao mais mal humorado dos ouvintes do tipo logo a de entrada: " o brada foi bookar no stade, voltou com um escalade", crítica social em formato soul d'angelo style. Boa dika do Kilates também, outro veterano birrakru. Para fechar chega o tema "Não Fazes Nada", um surpreendente um ataque directo ao poder instituído: "leio no jornal dizem pensas que és Deus, tudo para ti nada para mim e os meus", ou "não fala política, eles querem conversa bonita" aludindo ao facto de se a tua intervenção contrariar ou questionar a acção do executivo, tornas-te um alvo.
Nestes momentos sérios a abordagem do Coca chega a ser mais uma vez o que eu chamo de puramente mwangolé pois consegue estar carregadíssima de boa disposição que é característica deste povo sofredor, ilustrada nesta linha: "deves ter tomado propofol, a droga do Michael!!! E tomas bem!!!" AAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHA. "Sempre, sempre sempre com katás, dizes, dizes, dizes, mas não fazes nada". A mim parecia-me uma mensagem directa ao Zé Dú até chegar a parte do "mudar de bairro para a Talatona" e o "giras de Range".

Um papoite radialista perguntou-lhe "já limpaste a tua música?", insinuando que só depois de estar com qualidade XPTO é que ponderaria passá-la no seu programa de rádio. Porra assim tá soar magnificamente bem, porque essa mania com a "limpeza"? Que gente mesquinha! Temos todos de investir dinheiro do bolso para ir gravar nos vários estúdios profissionais que se nos oferecem por aí para termos direito a alguma credibilidade?

Que se invente um nome para este género, claramente um parente mwangolê do neo-soul, com muita mistura de afro-jazz, sendo que estas já englobam em si parentes mais idosos como a soul, o blues, o hip hop, mas sem dúvida também a música angolana da qual felizmente, nenhum criador angolano se livra, com excepção dos Cage Ones desta vida.

Fico confuso, como pode algo que soe tão bem ser tão desconhecido? Eu sei que o brother não se esforça, não corre atrás, não está desesperado para aparecer, não dá importância nenhuma a fama, aliás, só está hoje, depois de muitos anos a produzir pérolas, a partilhar o seu exuberante talento com nós comuns terráqueos, por prolongada insistência. Só me resta dizer "OBRIGADO" aos amigos chegados que conseguiram convencê-lo e POR FAVOR, não deixem mais ele privar o povo angolano do seu talento, agora ele tem um compromisso para connosco.



Enriqueçam-se e catem este mambo JÁ aqui

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sa Ra Creative Partners - Nuclear Evolution: The Age of Love

Sem palavras para esses malandros que já estão na cena há tantos anos e, de algum modo, sempre me conseguiram passar sob o radar. Apesar de curtir bwé de sons que eles produziram há bwé de tempo (o Agent Orange do Pharoahe Monch para citar um exemplo), nunca me chamaram particularmente atenção pela sonoridade dos seus instrumentais, talvez por aparecerem isolados no meio de outros igualmente nervosos (ver "New Amerykah), sinceramente não tenho explicação para tal gafe.

O facto é que ouvindo uma sequência de músicas produzidas por eles, a pessoa dá-se conta que se encontra perante algo de extremamente inovador, não querendo dilatar-lhes o mérito, pois, todos sabemos que nada se cria do nada, tudo o que é novo na verdade não é mais do que a apropriação do antigo (de preferência de vários antigos) numa interpretação contemporânea, ajustada à evolução (ou regressão, dependendo do ponto de vista de quem observa) das mentalidades que se transformam acompanhando a mutação dos modos de vida em sociedade. Sa Ra fazem música do nosso tempo, música de toda uma geração que já cresceu tendo o hip hop como uma presença incontornável (ainda que questionável e questionada) do panorama musical mundial.

Estes jovens já puseram a mão em discos de artistas que batem múltiplas platinas (Dr. Dre, Erykah Badu) e outros mais low-profile, ou por outra, menos mainstream, tipo Talib Kweli, Jurassic 5, Jill Scott, Bilal, entre muitos outros desse calibre. Para não falar das remisturas dentro e fora do universo Hip Hop. O CV é muito extenso.

Foi ao ouvir o álbum do Shafiq Husayn, 1/3 do grupo, na Rádio Oxigénio que a minha curiosidade foi despoletada e chegando a casa nesse dia me pus a pesquisar mais sobre o indivíduo e quanto mais cavava, mais descobria subterrâneos percursos tão familiares por já terem sido inúmeras vezes trilhados pelos meus ouvidos calejados dessas sonoridades hiphopianas.

Dois acontecimentos sequenciaram-se muito pouco tempo depois dando-me o empurrão que faltava: um brada deixou um comentário no post do Shafiq encorajando-me a escuta dos álbuns do trio e, quase simultaneamente, li a review deste álbum na hiphopsite.com e achei que não devia adiar mais.

Porra, eles são fortes yá? Tão fortes que o Kanye assinou-os na sua G.O.O.D. Music. Tão fora que acabaram por saltar desse barco quando a editora foi absorvida pela Sony que não sabia como lhes marketear.

Assim, depois de já terem lançado um disco pela Babygrande, foram recrutados pela Ubiquity Records (Breakestra, Platinum Pied Pipers, Shawn Lee) para este segundo ataque nuclear, proclamando a necessidade da aniquilação da pequenez de espírito e anunciando a chegada da Idade do Amor. Roçando por várias vezes o ordinário (Bitch Baby, Bone Song), o disco é um festim de requintados pratos auditivos e, sem nunca usar fato-e-gravata, os Sa Ra conseguem estar a altura de qualquer empertigada gala exclusiva aos luxuosos, sem nunca no entanto parecerem esforçar-se para conquistar esse lugar ao Sol.

As sensações que me percorrem ao ouvir isto são tão maravilhosamente ambiguas e intensas, que eu ainda não consigo verbalizá-las de maneira justa e resumida. Daqui a dois anos e mais uns calos provavelmente conseguirei traduzir melhor o impacto indelével que este grupo está a causar na minha modesta e ainda débil sensibilidade musical.

CD 1:
  1. Spacefruit
  2. Dirty Beauty
  3. I Swear
  4. Melodee N’mynor
  5. He Say She Say
  6. Traffika
  7. Souls Brother
  8. Bitch Baby
  9. Love Czars
  10. Gemini’s Rising
  11. The Bone Song
  12. White Cloud
  13. Move Your Ass
  14. Love Today
  15. Can I Get You Hi
  16. My Sta
  17. Cosmic Ball
CD 2:
  1. Spaceways Theme
  2. Just Like A Baby
  3. Double Dutch (Co Co Pops)
  4. Death Of A Star (Supernova)
  5. Powder Bump
  6. Hangin By A String
Tenho um link rapidshare e um link hotfile. O rapidshare tem mais qualidade (320kbps) mas é muito maior e por isso dividido em dois ficheiros (dois downloads portanto). O hotfile será para aqueles com ligações mais caretas que não permitem luxos.



Catar nos comentários

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Asa - Beautiful Imperfection

Aguardei com bwé de expectativa por este segundo álbum da Asa, mordendo as unhas com receio que a vida dela depois do estrondoso debut desse uma volta tal que lhe fossem desaparecer os traços de humildade, ingenuidade e altruísmo que, com a profundidade de uma alma atormentada, lhe fizeram compor e cantar contagiando quem a ouvisse, com a pureza tão mágica que irradiava naturalmente quando apareceu na cena musical. Com alguma tristeza minha, metade dos meios receios confirmam-se.

Infelizmente este álbum não ME toca lá como o primeiro. Continua a ser totalmente sincero, afortunadamente mais preocupado com a musicalidade e não com os fast-food hits que proliferam nas ondas hertzianas e cartesianas dos nossos tempos, consumidas avidamente pelos jovens que ainda assim têm a impressão de estar a marcar a diferença, continua o pop inofensivo do disco de estreia executado por uma ingénua adolescente (ingenuidade é sempre associado a uma idade qualquer antes da adulta né? que merda!), com a ruptura sendo marcada pela passagem de um pop consciente, engajado, com mensagem, a um pop meloso mais focado nas suas relações, (des)amores e problemas sentimentais.

A musicalidade continua lá, mas, na opinião deste modesto melómano, metade do interesse desvaneceu-se com o foco da música passando a ser menos farol e mais followspot, apesar de não ter nada a criticar a Asa, a música dela deve continuar a reflectir os seus estados de espírito e as fases pelas quais está a passar. Só não me interessa tanto esta fase comparada com a anterior.

Ainda assim o álbum está bem agradável. Verifiquem se tiverem largura de banda para isso, tempo, paciência, ou caso prefiram reservar-se ao direito de formarem a vossa própria opinião :).

1. Why Can’t We
2. Maybe
3. Be My Man
4. Preacher Man
5. Bimpé
6. The Way I Feel
7. OK OK
8. Dreamer Girl
9. Oré
10. Baby Gone
11. Broda Olé
12. Questions



Catar nos comentários

Kanye West - My Beautiful Dark Twisted Fantasy

Porra, será possível? Depois de 3 álbuns clássicos, cada um à sua maneira, depois de parecer que a "evolução" artística do Kanye estaria mais próxima dos auto-tunes horrorosos de 808 Heartbeat (não me fodam, esse álbum para mim é uma cagada autêntica), da luxúria do seu novo estilo de vida a que teve acesso graças a sua rápida ascensão financeira, quando parecia que o seu destino no jet-7 estava traçado e não augurava nada de bom graças ao comportamento obtuso e arrogante que lhe fez irromper três vezes pelo palco acima destruindo os momentos de glória de outros artistas que julgou não serem merecedores dos prémios que receberam, contra todas as expectativas, o Kanye mais uma vez reinventou-se, reinventou a sonoridade da sua música, empederneceu-se e voltou a escrever e a rappar como se ainda não tivesse dinheiro suficiente para pagar a renda, com tal dureza, tal sinceridade que chega a ser brutal, tornando este álbum possivelmente o seu melhor até a data. E eu que nunca pensei que ele pudesse suplantar o High School Drop Out, vi o meu cepticismo adiado não uma, não duas, mas três vezes. O incrível arrogante cabronaço do Kanye é REALMENTE um génio da geração hip hop, permanentemente a empurrar os limites fronteiriços da definição desse género musical.
Well done Ye!

PS. Acho que esses filhosdaputa apagaram o post. Nem foi o link, foi mesmo o post! Saquem enquanto está no ar.

01 Dark Fantasy
2 Gorgeous f. KiD CuDi & Raekwon
3 Power f. Dwele
4 All Of the Lights (Interlude)
5 All Of the Lights f. Alicia Keys, Charlie Wilson, Elly Jackson, Elton John, Fergie, John Legend, KiD CuDi, Rihanna, Ryan Leslie, The-Dream & Tony Williams
6 Monster f. Jay-Z, Rick Ross, Nicki Minaj & Bon Iver
7 So Appalled f. Jay-Z, Pusha T, CyHi Da Prynce, Swizz Beatz & RZA
8 Devil In A New Dress feat. Rick Ross
9 Runaway f. Pusha T
10 Hell Of A Life
11 Blame Game f. John Legend
12 Lost In The World
13 Who Will Survive In America



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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Revolução? Dia 7 de Dezembro de 2010

Ora bem, um futebolista com dois palmos de testa e algum sentido de lógica é coisa (extremamente) rara nos dias que correm. Nós sabemos disso porque, cada vez mais, para se ser um profissional de alta competição em certos desportos muito concorridos, os jovens têm de se dedicar a tempo quase inteiro a dita modalidade para atingirem a excelência que lhes pode render aqueles milhões, supostamente garante de estabilidade financeira para a velhice, já que essas carreiras são candentes mas fugazes e efémeras. Claro que a grande ambiguidade nisso tudo é que, não tendo dois palmos de testa, muitos deles não aprendem a gerir a sua fortuna e acabam infortunadamente trapaceados pelos seus gestores de carreira, ou esbanjam acefalamente o seu guito esquecendo que deixou de existir a torneira de fornecimento e passou apenas a existir a de usufruto.



Enfim, o Eric Cantona não terá provavelmente dito estas palavras imaginando que tomariam a proporção que tomaram, mas a verdade é que, espalhada por diversos blogs de desporto, esta entrevista acabou por cair nos ouvidos de activistas políticos que estão a tentar "capitalizar" na popularidade de um antigo astro e lançar um movimento de protesto cujas ondas podem ter infinitamente mais repercussões que o "manifestar-se nas ruas, à chuva, ao frio, com dizeres nos cartazes e palavras de ordem" como desdenha o Eric, e até abriram um site no facebook chamado de Bank Run que já tem cerca de 50 000 "amigos" que supostamente irão aderir ao gesto que tanto pode limitar-se em ser simbólico, se apenas algumas pessoas participarem, como catastrófico se houver efeito de contágio (a maior parte das pessoas haveriam de participar pelo simples MEDO que o SEU dinheiro acabasse).

Não vou argumentar aqui da lógica dos argumentos do Eric, porque para mim eles são óbvios, tão óbvios que eu não poderei participar nesse movimento, pois, por essas mesmas razões, eu fechei todas as minhas contas em 2008 e até agora tenho sobrevivido muito bem sem esses infelizes a investirem o meu dinheiro em coisas que eu desconheço e ainda a cobrarem-me juros pela "manutenção" da minha conta.

Revolução? Não diria tanto, mas certamente um grande abanão à estrutura do poder que pensa que a única vez que a opinião do povo conta é quando votam. Não custa nada participar. Levantem o dinheiro todo, deixem 10 cêntimos pois assim não vos podem fechar a conta. Depois de uns tempos, se o vosso banco não tiver falido entretanto, voltam a depositar.

Podem ler mais em vários sítios da web, para já têm este aqui e mais este aqui que foi onde caí antes de postar.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Coldplay - Os dois melhores

Hoje em dia gostar de Coldplay pode ser visto como desmodado, com o sobrolho semi-erguido por parte dos anti-mainstream e se é verdade que a partir do X&Y eu pura e simplesmente deixei de seguir a melancólica banda de Chris Martin, o trabalho deles até aí não deixou de ser sublime (esta palavra lembra-me de outro post que tenho de fazer brevemente) e por vezes mesmo comovente, tanto no Parachutes como no A Rush of Blood to the Head.

O objectivo fixado pela então editora dos Coldplay eram as 40 mil cópias. Escusado será dizer que esse número foi vaporizado pelos inesperados vários milhões de unidades vendidas por esse mundo fora a pessoas que se deixaram seduzir pelo tom de cãozinho molhado do Chris Martin. E por menos que se goste dos Coldplay hoje em dia, por mais que eles se tenham perdido um bocado no desejo fútil de reeditar as suas fórmulas provadas funcionais. Mesmo que a execução tenha sido profissionalmente bem conseguida, a alma deixou de lá estar e (para mim) o mambo rochou!

Meu som favorito deles de SEMPRE é o Trouble. Malaike para uma banda que, 3 álbuns depois, ainda não tenham conseguido destronar essa predilecção, mesmo que, comparando os dois álbuns, a minha eleição de escuta vá inequivocamente para o Rush of Blood, recheado de pérolas, diamantes, rubis e pepitas de ouro.
Se quiserem um post mais informativo acerca dos Coldplay e com a discografia completa podem vir procurar neste blog aqui, foi aliás de onde eu tirei estes dois que aqui posto agora.

Coldplay - Parachutes (2000)

1.Don't Panic
2.Shiver
3.Spies
4.Sparks
5.Yellow
6.Trouble
7.Parachutes
8.High Speed
9.We Never Change
10.Everything's Not Lost


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Coldplay - A Rush of Blood to the Head (2002)

1.Politik
2.In My Place
3.God Put a Smile upon Your Face
4.The Scientist
5.Clocks
6.Daylight
7.Green Eyes
8.Warning Sign
9.A Whisper
10.A Rush Of Blood To The Head
11.Amsterdam


Coldplay - In my place


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Kiko Dinucci e Bando Afromacarrônico

Eu ouvi este disco umas 3 vezes, sendo que as duas últimas foram para confirmar que tinha o meu ouvido não me tinha enganado e passado a informação errada ao meu cérebro dizendo-lhe falsamente que o mambo tava deka. Tenho de aprender a confiar mais na primeira impressão e no meu instinto, pois realmente, este disco tem qualquer coisa de especial na sua mistura de sonoridades da MPB mais moderna, com letras bem esgalhadas e bwé humorísticas (basta espreitar os títulos das faixas para conferirem), criando uma fórmula com resultados, a maior parte das vezes, bastante agradáveis e bem conseguidos.

A confirmação que precisava para ter a certeza que não estava a ser trapaceado pelo meu encéfalo veio quando o meu irmão Pedro comentou comigo: "epá, aquele disco do Kiko Dinucci é bem engraçado" (algo nesta linha). Mas nada como passarem pelo teste vocês próprios, deixem o vosso ouvido vos dar o veredicto. Kel abraço.
01. Engasga Gato
02. Padê Onã
03. Samba Manco
04. Rainha das cabeças
05. Ressureição
06. João Carranca
07. Mosquitinho de velório
08. Santa Bamba
09. Tambú e candogueiro
10. Roda de Sampa




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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mona Dya Kidi - Single

No outro dia bazei no show da Masta Kapa com o meu sócio Nk e apesar de não ter ficado super satisfeito com a constatação do eterno desleixo em coisas primordiais para a harmonia de um palco, nomeadamente e sobretudo o som que mais uma vez deu bandeira, cristalizando a ideia teimosa que "underground" é sinónimo de má qualidade sonora, microfones desnivelados e feedbacks persistentes (ideia essa que já foi peremptoriamente desvanecida em algumas ocasiões onde todos os detalhes foram cautelosamente acomodados e tudo saíu bem), não pude deixar de sair de lá com a sensação de alívio que me proporcionaram dois novos artistas do nosso rap consciente, que, mais que serem uns automatos repetindo palavras de ordem associadas a corrente underground para granjearem algum tipo de reconhecimento, tinham um visível potencial tanto na presença em palco como na sua maneira individual de comunicar intimidades com as quais a plateia se identifica.

O primeiro que me causou boa impressão foi o Mono, gostei de ouvir a sua desenvoltura a rimar e a sua maneira de associar palavras na sua própria construção frásica, mas o que me arrebatou foi este Mona Dya Kidi, de quem nunca tinha ouvido sequer falar e que, felizmente, tinha o seu single promocional disponível e que eu prontamente adquiri. Tem 4 faixas, sendo a minha preferida a TPA, não por ter o melhor texto, já que todos têm o seu "quê" de forte, mas pelo todo: instrumental, letra, entrega, refrão. Na verdade, e sem querer ofender os produtores que devem ter dado o melhor de si, este MC poderia brilhar muito mais com instrumentais mais bem conseguidos, de qualquer modo este single é um pouco mais que decente se tivermos em conta o cenário hiphopiano nacional. Vale a pena darem uma escutada e apreciarem as palavras do Kamun'dongo.

"invistamos na agricultura...e tudo virá por acréscimo,
na educação... e tudo virá por acréscimo,
na saúde... e tudo virá por acréscimo
e aí conheceremos o antónimo do que é péssimo"
Nicely put!
01.Sintam o Kamun'dongo
02.TPA - Todos Por Angola
03.O Protagonista da Vida c. VBaw
04.Golp'z & Prop'z

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