O mano deixou-me um comentário com o link para a mix dele tributando a Ngonguenha. Curti particularmente da passagem do Brinca N'Areia para o Jetu-Jetu:
Há dias falando com o Conductor, pareceu-me que está a ser preparado o terceiro álbum do grupo. Também soube que o Leonardo e o Keita estão ambos a pensar nos seus próximos álbuns a solo. Boa sorte para todos.
Valeu mano Roocka.
Isto é um espaço pessoal, aqui hei de meter essencialmente música que de alguma maneira me moldou, mas posso ter alguns desvarios eventuais. Se algum artista se sentir "roubado" por ter a sua música partilhada, que mo indique, para que eu possa apagá-la com a máxima prontidão
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
domingo, 9 de dezembro de 2012
Blu - So(ul) Amazing
Um dia hei de postar aqui o álbum. Below the Heavens é um álbum onde a música que é só boa passa por má, porque a esmagadora maioria das faixas parecem ter sido feitas noutro planeta!
Company Flow e Cannibal Ox
Funcrusher Plus e The Cold Vein são simplesmente dois dos álbuns mais importantes na implementação de (mais) uma nova sonoridade no hip hop, são autênticos marcos deste género musical separados de 4 anos e inteiramente produzidos pelo lunático El-P (El Producto).
Outros projectos da Def Jux são muito interessantes, mas estes dois (O Funcrusher Plus saíu originalmente pela Rawkus mas foi depois remasterizado e disponibilizado na sua forma final pela Def Jux) são simplesmente sublimes, inebriantes, autênticas viagens à partes do subconsciente que desconhecíamos possuir. Se o Funcrusher peca um pouco pela duração excessiva, o Cold Vein está absolutamente na batata.
As atmosferas em ambos os discos são muito sinistras fazendo pensar no submundo nova iorquino, filmes do Stanley Kubrik, chuva, tons de cinzento e depressão. Mas tudo com um gosto refinadíssimo e (sobretudo Cannibal Ox) com um conteúdo poético condizente.
Para aqueles que se consideram fãs de Hip Hop, estes dois discos devem PELO MENOS ser ouvidos e se são coleccionadores, então estão diante de duas referências obrigatórias.
01 - Bad touch example
02 - 8 steps to perfection
03 - Collude/Intrude F. J-Treds
04 - Blind
05 - Silence
06 - Legends
07 - Help Wanted
08 - Population control F. R.A. The Rugged Man
09 - Lune TNS
10 - Definitive
11 - Lenorcism
12 - 89.9 detrimental
13 - Vital nerve F. BMS
14 - Tragedy of war (in 3 parts)
15 - The Fire in which you burn F. Breezly Brewin & J-Treds
16 - Krazy kings
17 - Last good sleep
18 - Info kill 2
19 - Funcrusher scratch
20 - Corners '94
Catem o mambo aqui
01 - Iron Galaxy
02 - Ox Out The Cage
03 - Atom (feat. Alaska & Cryptic Of Atoms)
04 - A B-Boys Alpha
05 - Raspberry Fields
06 - Straight Off The D.I.C.
07 - Vein
08 - The F-Word
09 - Stress Rap
10 - Battle For Asgard (feat. L.I.F.E. Long & C-Rayz Walz Of Stronghold)
11 - Real Earth
12 - Ridiculoid (feat. El-P)
13 - Painkillers
14 - Pigeon
15 - Scream Phoenix
Este é o único vídeo oficial que conheço do álbum, mas não resisto em colocar também duas das minhas músicas preferidas
Catem o mambo aqui
Outros projectos da Def Jux são muito interessantes, mas estes dois (O Funcrusher Plus saíu originalmente pela Rawkus mas foi depois remasterizado e disponibilizado na sua forma final pela Def Jux) são simplesmente sublimes, inebriantes, autênticas viagens à partes do subconsciente que desconhecíamos possuir. Se o Funcrusher peca um pouco pela duração excessiva, o Cold Vein está absolutamente na batata.
As atmosferas em ambos os discos são muito sinistras fazendo pensar no submundo nova iorquino, filmes do Stanley Kubrik, chuva, tons de cinzento e depressão. Mas tudo com um gosto refinadíssimo e (sobretudo Cannibal Ox) com um conteúdo poético condizente.
Para aqueles que se consideram fãs de Hip Hop, estes dois discos devem PELO MENOS ser ouvidos e se são coleccionadores, então estão diante de duas referências obrigatórias.
01 - Bad touch example
02 - 8 steps to perfection
03 - Collude/Intrude F. J-Treds
04 - Blind
05 - Silence
06 - Legends
07 - Help Wanted
08 - Population control F. R.A. The Rugged Man
09 - Lune TNS
10 - Definitive
11 - Lenorcism
12 - 89.9 detrimental
13 - Vital nerve F. BMS
14 - Tragedy of war (in 3 parts)
15 - The Fire in which you burn F. Breezly Brewin & J-Treds
16 - Krazy kings
17 - Last good sleep
18 - Info kill 2
19 - Funcrusher scratch
20 - Corners '94
Catem o mambo aqui
01 - Iron Galaxy
02 - Ox Out The Cage
03 - Atom (feat. Alaska & Cryptic Of Atoms)
04 - A B-Boys Alpha
05 - Raspberry Fields
06 - Straight Off The D.I.C.
07 - Vein
08 - The F-Word
09 - Stress Rap
10 - Battle For Asgard (feat. L.I.F.E. Long & C-Rayz Walz Of Stronghold)
11 - Real Earth
12 - Ridiculoid (feat. El-P)
13 - Painkillers
14 - Pigeon
15 - Scream Phoenix
Este é o único vídeo oficial que conheço do álbum, mas não resisto em colocar também duas das minhas músicas preferidas
Catem o mambo aqui
Murs - Animal Style
Tudo o que tenho a acrescentar às palavras do artista que reproduzo abaixo é: PUTA QUE PARIU, MURS TEM BILHAS!!!
"Animal Style is a song I did for many reasons: The first was to be an advocate for people close to me who are out, and those who have yet to come out. It's also a love song, which is nothing new for me. But with this one I wanted to challenge the listener to ask themselves: Is the love shared by two people of the same gender, really that different than the love I have for my partner of the opposite sex? And finally, I just felt it was crucial for some of us in the hip hop community to speak up on the issues of teen suicide, bullying, and the overall anti-homosexual sentiment that exist within hip hop culture. I felt so strongly about these issues and this song that I had to do a video that would command some attention, even if it makes some viewers uncomfortable. Even if it came at the cost of my own comfort."
"Animal Style is a song I did for many reasons: The first was to be an advocate for people close to me who are out, and those who have yet to come out. It's also a love song, which is nothing new for me. But with this one I wanted to challenge the listener to ask themselves: Is the love shared by two people of the same gender, really that different than the love I have for my partner of the opposite sex? And finally, I just felt it was crucial for some of us in the hip hop community to speak up on the issues of teen suicide, bullying, and the overall anti-homosexual sentiment that exist within hip hop culture. I felt so strongly about these issues and this song that I had to do a video that would command some attention, even if it makes some viewers uncomfortable. Even if it came at the cost of my own comfort."
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Ikonoklasta - 5 mp3chos na calha (prenda de natal???)
-->
Desde 2008 que não tenho feito música
com regularidade. A minha vida tornou-se uma montanha russa de
peripécias e emoções que continuam por ser digeridas e
interpretadas para que me possam tornar mais maduro, mais perspicaz e
mais preparado para o que me resta de vida. É assim com toda a gente
e esse pretexto por si só não deveria ser (nem é) suficiente para
justificar a minha falta de vontade de criar, de compor, de cantar,
de partilhar com esse mundo de desconhecidos os meus desvarios,
momentos de loucura, as minhas angústias, basicamente, fazer o que
adoro e que me faz sentir mais livre nesta vida: música!
Também não é verdade que tenha
estado completamente inerte, mas estou longe do prolífico. Deixei-me
envolver num projeto novo, original e, para mim, vanguardista,
desafiado pelo meu mano e cúmplice na arte: Pedro Coquenão, aliás,
DJ Mpula. Batida é o nome do conceito musical que o Pedro concebeu e
é completo em tantas maneiras, tem me levado a tantos sítios
fantásticos, que tenho concentrado os poucos momentos de inspiração
a criar novos temas para e com o projeto. Alguns desses temas estão
inéditos para já, mas há uma intenção em incluí-los em futuros
lançamentos de Batida, por essa razão não os incluo nesta série
de mp3chos que pretendo agora divulgar.
A única coisa que está a fazer-me
atrasar a saída dos ditos cujos é mais o facto de ainda não ter
alguém que me desenhe as capas, por isso quero lançar o repto para
os amigos, fãs, fiéis, ou simplesmente gente que goste de
desenhar/criar e ande a procura de desafios, que façam propostas de
capas para qualquer um dos mp3chos que abaixo proponho e mas enviem
para o meu email pessoal: ikonoklasta@musician.org.
Vou começar por lançar um mp3chos com
versões inéditas Ngonguenha, algumas do “Nós os do Conjunto”
com versos meus que foram excluídos da versão final que chegou às
lojas, outras do “Ngonguenhação”, remisturas feitas por malta
por quem tenho uma grande admiração.
Depois tenho mais 4 mp3chos onde irão
constar participações minhas nos discos de outras pessoas, várias
demos inéditas e temas que gravava por estalo quando ía visitar
amigos. As listas que aqui apresento podem ser engordadas, sofrer
dietas e reajustes, dependendo do que ainda falta adicionar ou do que
decida que se calhar não é digno de ser tornado público.
Sintam-se à vontade para sugerir
também títulos e POR FAVOR, evitem os clichés e simbologias
associadas ao rap. Dou prioridade à originalidade.
Ngonguenha – Versos Perdidos e
Remixturas
01.Sorriso Angolano (Verso Ikonoklasta
Demo c. André Mingas)
02.Dia de Aulas (Verso Ikonoklasta)
03.Kem Manda Mais Fuma (Verso
Ikonoklasta)
04.Tou a Falar Pra Ti (Sem Censura no
Verso do Katró)
05.Tia (Verso Ikono)
06.Jetu Jetu (Remixtura Conductor)
07.Kanguei no Maiki (Remixtura Fazuma)
08.Choro de um Continente (Remixtura
Terrakota)
09.Colagem (Remixtura Cacique 97)
10.Sorriso Angolano (Versão do Single)
Ikonoklasta – Ainda sem título
01.Kuando Xeguei à Tuga (Projecto
Onjango)
02.Tópikos Para o Artigo (MCK –
Trincheira de Ideias)
03.Atirei o Pau ao Gato (DFM –
Projeto com NK que nunca arrancou)
04.Sentença à Nascença (Inédito)
05.Os Imbecis (Demo Inédita)
06.Duas Faces da Mesma Moeda (MCK –
Nutrição Espiritual)
07.Produto da Publicidade (Tiganá –
Álbum homónimo)
08.Falso Orgulho Pt.2 (Keita Mayanda –
O Homem e o Artista)
09.Ekos de Revolta (MCK – Trincheira
de Ideias)
10.História Trágica Remistura (MCK -
Inédito)
11.Vice-Versa (VRZ – 100 Insultos)
12.Nkwalogia (Inédito)
13.No Meio de Tanto Drama (Sir Scratch
– Cinema)
14.Pela Música Pt.2 (Valete –
Serviço Público)
15.Rapistas (Dénexl – Dentro e Fora
do Meu Quarto)
Ikonoklasta – Ainda sem título
01.Dzastre (Demo
Inédita)
02.Som sem título
c. VRZ, Conductor e Khro-mo (Inédito)
03.O Circo (CFK -
Um Em Um Milhão)
04.Os Vendidos
(Matarroêses – Compilação)
05.Amordaçados
(Verso adicional de Salvaterra)
06.Aproveita (Das
Primeiro – Terapia)
07.O Som Tá Podre
(Demo Inédita com Sir Scratch)
08.Duas Almas. Uma
Guerra (VRZ – Confiança ou Vingança EP)
09.Mar-Terra-Marte
(Hemoglobina – Carnes EP)
10.Cocktail Molotov (Verbal
- Dias de Treino Mixtape)
11.A Konspiração
dos Moskitos Inofensivos (Matarroêses – Compilação)
12.Sombra (VRZ –
Pedro Sofreno Mixtape – Inédita)
13.Império (VRZ
– Pedro Sofreno Mixtape – Inédita)
Ikonoklasta – Ainda sem título
01.Nós e os
Outros (Inédito)
02.Bonito Planeta,
Ninguém em Casa (Poesia Urbana – Compilação)
03.O Imbondeiro
(Inédito)
04.Morte do
Artista (Inédito)
05.??? (Conductor
– Rascunhos – Inédito)
06.Estado do Sítio
(Conductor – Rascunhos – Inédito)
07.Rapistas Remix
(Dentro e Fora do Meu Quarto)
08.Amigo da Onça
(Demo Inédita)
09.A Bala Dói
(Versão Original sem MCK)
10.Dissipando Mal
Entendidos (Supremo G – Live On Stage Mixtape)
11.Planeta África
(Projeto Onjango)
12.Ya Mwiji Wami
(Projeto Onjango)
13.Segue em Frente
Angolano (Projeto Reunir – Inédito)
14.Contra- Capa
(Flagelo Urbano – Esta faixa poderá sair desta lista aguardando
pelo álbum do Flagelo)
15.Boa Onda, Nova
Moda (Leonardo Wawuti – Ltrospectivo)
Ikonoklasta – Alternativo
01.Lê (Inédito)
02.Sr. Diplomata
(Cacique 97 - ?)
03.É verdade
(Terrakota – Oba Train)
04.Cuka (Isso é o
Que Eles Querem) (Batida – Dance Mwangolé)
05.Alien na Favela
(DJ Farrapo & Yanez – Inédito)
06.Ekuality is
Kuality (Terrakota – Oba Train)
07.Chuta! (Remix)
(Inédito)
08.Fazuma
(Inédito)
09.Oba Train Remix
(Terrakota – Remisturas)
10.Sr. Diplomata
(Xoices Remix) (Inédito)
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Quase dois meses sem um post
Vou só atirar aqui algumas coisas que tenho estado a ouvir ultimamente e que não são necessariamente "novidades":
EP antigo do Darien Brockington "The Feeling" e, para mim, sem dúvida o melhor balanço. Esse mano manda sentimento, mas com um nome desses não vai muito longe (difícil de pronunciar e memorizar, nada comerciável).
Lauryn Hill, dum álbum lançado à revelia, pois claramente não estava pronto. Vi mesmo exemplares na loja HMV na Inglaterra, mas tinha tudo um ar tão rafeiro que parecia que algum matreco se tinha apoderado de demos da princesa e entregue a um chinês para pôr a circular na pirataria. O álbum seria o "Khulami Phase" (partilhámos aqui no blog já)
Dave Mathews, tenho de meter dois sons do LP "Some Devil", que tenho há anos, sem nunca ter prestado atenção. O mano é profundo!!!
Bilal, do álbum inédito (e devidamente "bootlegado") "Love for Sale". Não acredito que até hoje não postei esse álbum. Hei de corrigir o tiro. Este instrumental foi depois reutilizado pelo Jay Electronica que o ASSASSINOU BARBARAMENTE!
Ora confirmem lá a maldade que o Jay operou neste balanço. Sorry Bilal, this time the award goes to the rap song!
Termino o dia com Blackalicious:
EP antigo do Darien Brockington "The Feeling" e, para mim, sem dúvida o melhor balanço. Esse mano manda sentimento, mas com um nome desses não vai muito longe (difícil de pronunciar e memorizar, nada comerciável).
Lauryn Hill, dum álbum lançado à revelia, pois claramente não estava pronto. Vi mesmo exemplares na loja HMV na Inglaterra, mas tinha tudo um ar tão rafeiro que parecia que algum matreco se tinha apoderado de demos da princesa e entregue a um chinês para pôr a circular na pirataria. O álbum seria o "Khulami Phase" (partilhámos aqui no blog já)
Dave Mathews, tenho de meter dois sons do LP "Some Devil", que tenho há anos, sem nunca ter prestado atenção. O mano é profundo!!!
Bilal, do álbum inédito (e devidamente "bootlegado") "Love for Sale". Não acredito que até hoje não postei esse álbum. Hei de corrigir o tiro. Este instrumental foi depois reutilizado pelo Jay Electronica que o ASSASSINOU BARBARAMENTE!
Ora confirmem lá a maldade que o Jay operou neste balanço. Sorry Bilal, this time the award goes to the rap song!
Termino o dia com Blackalicious:
sábado, 22 de setembro de 2012
Sugestões de um leitor
Um mano que acompanha o blog, nick de sua alcunha bloggista, deixou-me um comentário no post do Frank Ocean em que sugere dois vídeos que quero aqui partilhar convosco. O primeiro, o momento sério, de reflexão, de mensagem profunda que ilustra o que sobra de luta no espírito Hip Hop, que tenta resistir aos clichés para os quais o novo-riquismo (ou o sonho de lá chegar), a vanglorização do gangsterismo, a banalização da putaria, empurram toda uma geração de jovens, sobretudo periféricos ou menos abastados financeira/culturalmente. Uma música como infelizmente já se fazem raras neste cenário onde predominam os Lil' Waynes desta vida e vem de alguém por quem já não dava muito, mas que continua a ser um aventureiro, explorador do cosmos musical, cientista pesquisando a sua própria sonoridade/identidade num universo com um magnetismo que arrasta as pessoas para o mesmismo, usando a tentação dos Benjamins. Aqui vai o tema "Bitch Bad" do dreida Lupe Fiasco:
E agora, para relaxar, depois de um momento tão profundo, vai uma gargalhadazita para aliviar:
E agora, para relaxar, depois de um momento tão profundo, vai uma gargalhadazita para aliviar:
Hip Hop Angolano de Intervenção
Quero partilhar com aqueles que acompanham o blog estes dois EPs de Hip Hop de elevada qualidade.
O primeiro é de um mano já estabelecido na cena hip hop nacional, já vem de antigas e longas caminhadas, apesar deste ser apenas o seu segundo EP (que eu tenha conhecimento).
O nome Sanguinário lembra provavelmente um artista horror-core e poderá ser razão de sobra para afastar potenciais ouvintes sem que estes lhe dêm sequer uma chance de um ocasional "play". Enganar-se-ão.
O mano poderá eventualmente reconsiderar o nome pois a violência que este sugere não é veículada no conjunto de palavras e harmonias que constituem a sua música, mas caso decida mantê-lo em detrimento dos ouvintes que nunca o serão pelas razões acima referidas, não será certamente isso que irá afetar a qualidade do material com o qual nos brinda. E oiçam bem, o mano não é o maior liricista de todos os tempos, longe disso, mas a combinação: "escorrega regular + letras acima da média + atitude sincera + instrumentais fodidosos" faz com que isto se torne hip hop angolano que não deixa absolutamente nada a dever à qualquer outra Nação já estabelecida na cena mundial. NADA!
Os instrumentais são definitivamente a sustentação de toda a estrutura desta crítica, extremamente competentes, misturados com mestria, com batidas pesadíssimas de uma cadência viciante metendo os pescoços a abanar involuntariamente. Missão quase exclusivamente a cargo do Kallisto exceto a faixa onde eu bokwei que foi duzida pelo mano Boni.
Infelizmente desta vez o mano já não disponibilizou o mambo gratuitamente, algo que, para mim, coroava o Vol.1 de mais valor na postura anti-comercial, sobretudo sendo este apresentado como uma continuidade.
Os meus temas preferidos sem sombra de dúvida: Religião (com drums pesados e um loop viciante que parece quase satânico); Deixem-nos em Paz (viciante, absolutamente); Dilema (um problema com o qual muitos se confrontam e do qual raramente saiem vitoriosos os valores que indiciem integridade. Mais uma vez, instrumental adequado) e Grande Amor (Remake), um dos instrumentais revelação do EP e uma letra muito sbem também, apesar de algo cliché, sobretudo quando repetido pela 3ª vez num EP com 9 músicas.
Sanguinário confirma solidez, Kallisto impõe-se! GRANDE EP! (Não encontro a capa, quando a tiver substituo a imagem abaixo pela original).
01.Intro
02.Oxigénio pt.2 c. God G
03.Religião (O Lado Negro)
04.Poesia Inédita (Pra Música) c. Kanda
05.Deixem-nos em Paz
06.Graças a ti (Hip Hop) c. Ikonoklasta
07.Skit
09.Dilema
10.Criar com os Ouvidos c. MCK
11.Repetição
12.Outro - Grande Amor (Remake)
Catem o mambo aqui
O Projecto Não Vota, foi metido em marcha por um coletivo de manos do Cacuaco que inclui a 3ª Divisão, MP Crew e os Tiranicídios Verbais, com um objectivo bem pontual que era o de apelar à abstenção nas eleições gerais que tiveram lugar no passado dia 31 de Agosto.
Se tivessemos uma boa equipa de marketeiros brazukas a trabalhar com os miúdos poder-se-ia agora aproveitar os resultados finais (e ainda assim maquilhados) da abstenção e responsabilizar o projeto por boa parte dessa escolha de (não) voto. Slogans como: Quando o Hip Hop configura o país; A nova classe política de Angola; Rap sai em segundo lugar nas eleições angolanas e outros tantos do género, que iriam maravilhar um mundo que se agarra aos títulos quase sem desenvolvimento de raciocínio lógico subsequente para extrapolar uma situação, normalmente mais complexa. Foi o caso da nossa elevada taxa de abstenção (os dados aldrabados da CNE indicam que foram à volta de 37%, mas foram mais), que tem explicações que não vou aqui avaliar, mas que quem quiser poderá tentar entender explorando este site.
Os jovens têm aquele flow de "rap revú" de quem tem muito para dizer e por isso recusa-se obedecer à métrica, ou recorre-se, para fazê-lo, ao mastigar de sílabas que são metralhadas com a eficácia de uma AK-47, mas são percetíveis e dizem coisas com o seu sentido e valor. Essas palavras são valorizadas e elevadas ao estatuto de audíveis por mais um desconhecido produtor, Kid Ground, que prova que no ramo da produção o nosso Hip Hop evoluiu anos-luz mais rápido que todos os outros domínios dessa cultura, incluíndo o Mceeing.
São 3 faixas e as duas primeiras são as minhas prediletas. Saíu bem o refrão da Crucifikem a Tirania: "Nós temos pregos, troncos, martelos e coragem, marchemos para o Palácio do Mal e crucifiquemos a tirania!".
01.Não Vota
02.Crucifikem a Tirania
03.Geração Robotizada
Catem o mambo aqui
O primeiro é de um mano já estabelecido na cena hip hop nacional, já vem de antigas e longas caminhadas, apesar deste ser apenas o seu segundo EP (que eu tenha conhecimento).
Sanguinário - Oxigénio Vol.II EP
Felizmente também uma prova que quantidade não é necessariamente proporcional a qualidade (frequentemente é o inverso) e que a paciência e a persistência são virtudes que se devem cultivar para se atingir patamares de qualidade mais dificilmente questionáveis.O nome Sanguinário lembra provavelmente um artista horror-core e poderá ser razão de sobra para afastar potenciais ouvintes sem que estes lhe dêm sequer uma chance de um ocasional "play". Enganar-se-ão.
O mano poderá eventualmente reconsiderar o nome pois a violência que este sugere não é veículada no conjunto de palavras e harmonias que constituem a sua música, mas caso decida mantê-lo em detrimento dos ouvintes que nunca o serão pelas razões acima referidas, não será certamente isso que irá afetar a qualidade do material com o qual nos brinda. E oiçam bem, o mano não é o maior liricista de todos os tempos, longe disso, mas a combinação: "escorrega regular + letras acima da média + atitude sincera + instrumentais fodidosos" faz com que isto se torne hip hop angolano que não deixa absolutamente nada a dever à qualquer outra Nação já estabelecida na cena mundial. NADA!
Os instrumentais são definitivamente a sustentação de toda a estrutura desta crítica, extremamente competentes, misturados com mestria, com batidas pesadíssimas de uma cadência viciante metendo os pescoços a abanar involuntariamente. Missão quase exclusivamente a cargo do Kallisto exceto a faixa onde eu bokwei que foi duzida pelo mano Boni.
Infelizmente desta vez o mano já não disponibilizou o mambo gratuitamente, algo que, para mim, coroava o Vol.1 de mais valor na postura anti-comercial, sobretudo sendo este apresentado como uma continuidade.
Os meus temas preferidos sem sombra de dúvida: Religião (com drums pesados e um loop viciante que parece quase satânico); Deixem-nos em Paz (viciante, absolutamente); Dilema (um problema com o qual muitos se confrontam e do qual raramente saiem vitoriosos os valores que indiciem integridade. Mais uma vez, instrumental adequado) e Grande Amor (Remake), um dos instrumentais revelação do EP e uma letra muito sbem também, apesar de algo cliché, sobretudo quando repetido pela 3ª vez num EP com 9 músicas.
Sanguinário confirma solidez, Kallisto impõe-se! GRANDE EP! (Não encontro a capa, quando a tiver substituo a imagem abaixo pela original).
01.Intro
02.Oxigénio pt.2 c. God G
03.Religião (O Lado Negro)
04.Poesia Inédita (Pra Música) c. Kanda
05.Deixem-nos em Paz
06.Graças a ti (Hip Hop) c. Ikonoklasta
07.Skit
09.Dilema
10.Criar com os Ouvidos c. MCK
11.Repetição
12.Outro - Grande Amor (Remake)
Catem o mambo aqui
Projecto Não Vota - Projecto Não Vota
O Projecto Não Vota, foi metido em marcha por um coletivo de manos do Cacuaco que inclui a 3ª Divisão, MP Crew e os Tiranicídios Verbais, com um objectivo bem pontual que era o de apelar à abstenção nas eleições gerais que tiveram lugar no passado dia 31 de Agosto.
Se tivessemos uma boa equipa de marketeiros brazukas a trabalhar com os miúdos poder-se-ia agora aproveitar os resultados finais (e ainda assim maquilhados) da abstenção e responsabilizar o projeto por boa parte dessa escolha de (não) voto. Slogans como: Quando o Hip Hop configura o país; A nova classe política de Angola; Rap sai em segundo lugar nas eleições angolanas e outros tantos do género, que iriam maravilhar um mundo que se agarra aos títulos quase sem desenvolvimento de raciocínio lógico subsequente para extrapolar uma situação, normalmente mais complexa. Foi o caso da nossa elevada taxa de abstenção (os dados aldrabados da CNE indicam que foram à volta de 37%, mas foram mais), que tem explicações que não vou aqui avaliar, mas que quem quiser poderá tentar entender explorando este site.
Os jovens têm aquele flow de "rap revú" de quem tem muito para dizer e por isso recusa-se obedecer à métrica, ou recorre-se, para fazê-lo, ao mastigar de sílabas que são metralhadas com a eficácia de uma AK-47, mas são percetíveis e dizem coisas com o seu sentido e valor. Essas palavras são valorizadas e elevadas ao estatuto de audíveis por mais um desconhecido produtor, Kid Ground, que prova que no ramo da produção o nosso Hip Hop evoluiu anos-luz mais rápido que todos os outros domínios dessa cultura, incluíndo o Mceeing.
São 3 faixas e as duas primeiras são as minhas prediletas. Saíu bem o refrão da Crucifikem a Tirania: "Nós temos pregos, troncos, martelos e coragem, marchemos para o Palácio do Mal e crucifiquemos a tirania!".
01.Não Vota
02.Crucifikem a Tirania
03.Geração Robotizada
Catem o mambo aqui
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Frank Ocean - Channel Orange
Há muitos anos que deixei de gostar de R&B. Na verdade, acho que nunca gostei verdadeiramente do género senão de alguns trechos de alguns artistas, sobretudo quando tivessem uma sonoridade mais aproximada a do hip hop nova iorquino, com instrumentais pesados e participações dos meus então rappers preferidos, tipo malta da Wu, Def Squad, Hit Squad, ou produções do DJ Premier, enfim, os "pesados".
Dificilmente digeria um álbum completo da Mary J. Blige, para começar mesmo já pela mboa que chamam de "Rainha do R&B", Faith Evans, Usher, R. Kelly. Simplesmente não escorregava, parecia forçado, romance de xarope. Todos esses artistas sempre me deram a ideia que gostariam de ter "coragem" de ser Lil' Kim e Ol' Dirty Bastard, irreverentes e despudorados, mas optavam por criar uma imagem de amorosos sedutores, corações de manteiga chorando desalmadamente diante de filmes românticos. Vendia mais e, por sorte, tinham o talento vocal que nem a Kim, nem o ODB certamente possuíam, pelo menos não antes do Auto-tune permitir que tubos de escape enferrujados se tornassem rouxinóis na primavera.
Não comparemos jamais o R&B com o Soul, ou o que se veio recentemente a chamar de Neo-Soul. O Musiq Soulchild dos primórdios, Jill Scott, Erykah Badu, Raphael Saadiq e o monstruoso D'Angelo, são outra liga, a nunca misturar com nomes tipo SWV. Por favor!
Eis que aparece este rapaz. Fui lendo o nome dele varias vezes no hiphopsite.com, um site onde vou escutar as novidades do momento e manter-me atualizado nas novas tendências do hip hop. Um dia, deu-me curiosidade, até porque ele vem da mesma crew que o Tyler the Creator, então apertei no play e escutei um sonoro. "Wau! Isto é... mmmhh... surpreendentemente fresco! É R&B mas... mmmhh... como posso explicar isto? Mmhhh, não sei, acho que simplesmente gosto!"
Baixei o som e a partir daí fiquei atento. Quando o segundo som foi disponibilizado, ouvi, gostei ainda mais e deixei de achar que tinha sido um feliz acidente, que o miúdo era para levar a sério.
Depois vem a demonstração de tomates e caráter: o mano assume publicamente que o seu primeiro amor... foi um homem! Isto num meio altamente xenófobo e misógino como é o hip hop, onde muitos artistas se referem às mulheres como putas ou vacas e onde o termo "fag" é frequentemente empregue nas tradicionais batalhas, buscando humilhar o adversário. Isso fez-me perceber que estaria perante alguém que leva a sério o que faz, que não é mais um segue-modas e caça dólares, que é franco, sincero, aberto e entendi melhor porque gostei logo à partida: o tal elemento que só se SENTE, que não está na qualidade das letras ou dos instrumentais, a profundidade, o sentimento, a entrega na interpretação, algo que só pode sair das profundezas da alma, empurradas pelo palpitar do coração. É isso que faz com que os géneros deixem de importar, que a música assuma o papel que deveria ter sempre caso não se compartimentalizasse com a industrialização, tornando-se transversal e "reinventando a roda" a cada nova etapa percorrida, sendo músicos como este rapaz que criam os marcos no caminho.
O disco está absolutamente delicioso, recomenda-se fervorosamente e só desejo que esta pureza não se perca na inevitabilidade do sucesso que lhe espera e que, aliás, já começou. Difícil será manter-se inspirado e inspirador, mas que teve um excelente arranque, ai isso é que teve.
Senhoras e senhores:
01 Start
02 Thinkin Bout You
03 Fertilizer
04 Sierra Leone
05 Sweet Life
06 Not Just Money
07 Super Rich Kids (f. Earl Sweatshirt)
08 Pilot Jones
09 Crack Rock
10 Pyramids
11 Lost
12 White (f. John Mayer)
13 Monks
14 Bad Religion
15 Pink Matter (f. André 3000)
16 Forrest Gump
17 End
O brada usou para teaser o meu som preferido do disco até agora:
Catem o biznu nos comentários antes que a Def Jam apague o link
Dificilmente digeria um álbum completo da Mary J. Blige, para começar mesmo já pela mboa que chamam de "Rainha do R&B", Faith Evans, Usher, R. Kelly. Simplesmente não escorregava, parecia forçado, romance de xarope. Todos esses artistas sempre me deram a ideia que gostariam de ter "coragem" de ser Lil' Kim e Ol' Dirty Bastard, irreverentes e despudorados, mas optavam por criar uma imagem de amorosos sedutores, corações de manteiga chorando desalmadamente diante de filmes românticos. Vendia mais e, por sorte, tinham o talento vocal que nem a Kim, nem o ODB certamente possuíam, pelo menos não antes do Auto-tune permitir que tubos de escape enferrujados se tornassem rouxinóis na primavera.
Não comparemos jamais o R&B com o Soul, ou o que se veio recentemente a chamar de Neo-Soul. O Musiq Soulchild dos primórdios, Jill Scott, Erykah Badu, Raphael Saadiq e o monstruoso D'Angelo, são outra liga, a nunca misturar com nomes tipo SWV. Por favor!
Eis que aparece este rapaz. Fui lendo o nome dele varias vezes no hiphopsite.com, um site onde vou escutar as novidades do momento e manter-me atualizado nas novas tendências do hip hop. Um dia, deu-me curiosidade, até porque ele vem da mesma crew que o Tyler the Creator, então apertei no play e escutei um sonoro. "Wau! Isto é... mmmhh... surpreendentemente fresco! É R&B mas... mmmhh... como posso explicar isto? Mmhhh, não sei, acho que simplesmente gosto!"
Baixei o som e a partir daí fiquei atento. Quando o segundo som foi disponibilizado, ouvi, gostei ainda mais e deixei de achar que tinha sido um feliz acidente, que o miúdo era para levar a sério.
Depois vem a demonstração de tomates e caráter: o mano assume publicamente que o seu primeiro amor... foi um homem! Isto num meio altamente xenófobo e misógino como é o hip hop, onde muitos artistas se referem às mulheres como putas ou vacas e onde o termo "fag" é frequentemente empregue nas tradicionais batalhas, buscando humilhar o adversário. Isso fez-me perceber que estaria perante alguém que leva a sério o que faz, que não é mais um segue-modas e caça dólares, que é franco, sincero, aberto e entendi melhor porque gostei logo à partida: o tal elemento que só se SENTE, que não está na qualidade das letras ou dos instrumentais, a profundidade, o sentimento, a entrega na interpretação, algo que só pode sair das profundezas da alma, empurradas pelo palpitar do coração. É isso que faz com que os géneros deixem de importar, que a música assuma o papel que deveria ter sempre caso não se compartimentalizasse com a industrialização, tornando-se transversal e "reinventando a roda" a cada nova etapa percorrida, sendo músicos como este rapaz que criam os marcos no caminho.
O disco está absolutamente delicioso, recomenda-se fervorosamente e só desejo que esta pureza não se perca na inevitabilidade do sucesso que lhe espera e que, aliás, já começou. Difícil será manter-se inspirado e inspirador, mas que teve um excelente arranque, ai isso é que teve.
Senhoras e senhores:
01 Start
02 Thinkin Bout You
03 Fertilizer
04 Sierra Leone
05 Sweet Life
06 Not Just Money
07 Super Rich Kids (f. Earl Sweatshirt)
08 Pilot Jones
09 Crack Rock
10 Pyramids
11 Lost
12 White (f. John Mayer)
13 Monks
14 Bad Religion
15 Pink Matter (f. André 3000)
16 Forrest Gump
17 End
O brada usou para teaser o meu som preferido do disco até agora:
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