O papel do Hip Hop na minha vida pode se resumir em músicas como esta. Sublime!
Isto é um espaço pessoal, aqui hei de meter essencialmente música que de alguma maneira me moldou, mas posso ter alguns desvarios eventuais. Se algum artista se sentir "roubado" por ter a sua música partilhada, que mo indique, para que eu possa apagá-la com a máxima prontidão
domingo, 13 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Nástio Mosquito - Bebi, Beberei Bebendo
O nosso artista fora-de-formato, irreverente, inovador ao ponto de vanguarda, impossível (para já) de rotular, insurrecto na sua liberdade, é um artista que, mesmo que não nos deslumbre com a sua arte, somos forçados a apreciar pela sua audácia, pela sua informalidade, pela irreverência, que deviam ser todos, ingredientes de QUALQUER artista. Neste universo de cópias de papel químico e de uma aborrecidíssima mesmice, o Nástio consegue conservar muito desse espírito que me vai lembrando do que a arte DEVERIA de facto ser: um permanente desafio aos limites dos nossos (pre)conceitos!
Este novo som dele é profundo, mesmo que ele o aborde com o seu estilo displicente e despretensioso, mantendo aquele ar de desafiador de quem normalmente encara as pessoas nos olhos sem piscar, confiante nas suas ideias e posições. Ele aborda assuntos intímos como se tivesse a falar de pão com Nutella, fazendo tábua-rasa em relação ao seu parentesco, colocando a pouca exposição que finalmente começa a ser-lhe concedida no fio-da-navalha, ameaçando os radialistas que "se pede com-licença foi por ter sido educado assim, mas que não está a pedir permissão, que se não lha derem ele entra na mesma e ocupa o seu espaço", com um palavreado intenso e inteligente para seu próprio infortúnio, pois só será descodificado por um punhado de "iluminados privilegiados" que provavelmente nem sequer irão simpatizar com os seus posicionamentos. Nota de apreço também para o Kennedy, produtor de Hip Hop (Cérebro Records) mostrando que a música está sempre a espera de ser inventada.Vale MESMO a pena, se conseguirem se despir dos preconceitos amontoados pelos vossos ouvidos e permitir que sejam penetrados por uma sonoridade nova, ainda que vos pareça estranha. Oiçam a letra!
Este novo som dele é profundo, mesmo que ele o aborde com o seu estilo displicente e despretensioso, mantendo aquele ar de desafiador de quem normalmente encara as pessoas nos olhos sem piscar, confiante nas suas ideias e posições. Ele aborda assuntos intímos como se tivesse a falar de pão com Nutella, fazendo tábua-rasa em relação ao seu parentesco, colocando a pouca exposição que finalmente começa a ser-lhe concedida no fio-da-navalha, ameaçando os radialistas que "se pede com-licença foi por ter sido educado assim, mas que não está a pedir permissão, que se não lha derem ele entra na mesma e ocupa o seu espaço", com um palavreado intenso e inteligente para seu próprio infortúnio, pois só será descodificado por um punhado de "iluminados privilegiados" que provavelmente nem sequer irão simpatizar com os seus posicionamentos. Nota de apreço também para o Kennedy, produtor de Hip Hop (Cérebro Records) mostrando que a música está sempre a espera de ser inventada.Vale MESMO a pena, se conseguirem se despir dos preconceitos amontoados pelos vossos ouvidos e permitir que sejam penetrados por uma sonoridade nova, ainda que vos pareça estranha. Oiçam a letra!
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Fatoumata Diawara - Bakonoba e Bissa
Grandas sonoros dessa maliana. Não faço ideia do que diz mas kuya dê mili. A música maliana tem muitos talentos destes e o álbum desta "menina" de 30 anos vale mesmo a pena ouvir. Confirmem só a doçura na voz
Bruno M - Batida Únika Vol.2
Estou completamente siderado por este disco. Há muito tempo dei uma pausa no kuduro que, para mim, se tornou monótono e, consequentemente, aborrecido. Parecia tudo igual, o pessoal a desistir de inventar e a quererem se copiar subindo no comboio dos mambos que pegam, os auto-tunes, os instrumentais mais sintetizados, a tendência para o afro-house e o kulove, as letras desprovidas de humor, denúncia ou reivindicação e tendendo à celebração do superficial, do fútil, do efémero. Tem piada durante um tempo, mas eventualmente satura.
(Re) Enter Bruno M, o kudurista que sempre fez a diferença, sendo sólido nas rimas, nos instrus e quando está mesmo on-fire, em ambos. Sempre foi para mim o kudurista mais consequente, não fazendo sons a levantar bandeiras de partidos (coisa que outro dos meus grupos preferidos, os Kalunga Mata fizeram sem pudores), mostrando sempre um nível de inteligência na execução praticamente irrepreensível. Não gostava de tudo no Bruno. Nos seus momentos menos impressionantes ele engrossava só o coro de rimas de gabarolice e estiga/bife e alguns desses sons também levaram FFWD. Mas o Bruno sempre revelou uma preocupação em incluir rimas conscientes nos seus sons, às vezes disfarçadas no meio das outras "normais", outras vezes descaradas e desgarradas, como o meu verso preferido do tema Dança da Tropa, que no entanto só chega no 3º minuto, depois de outras rimas "normais": "Nesta cidade, reina a escassez de oportunidades. Na faculdade paga-se sempre, é uma realidade e outros enchem CV em cadeias. Vidas alheias colam em teias, marginais com caras de playas. Olho o mundo que me rodeia, cada tristeza é uma ideia..." e continua, este verso é poderoso até ao fim e meteu-me "em sentido" sempre que fosse ouvir um tema novo do Bruno M.
Mas este disco supera todas as expectativas. É absolutamente incrível, o nascimento de uma identidade inequivocamente consciente, a demarcação de uma corrente no kuduro como foi quando, nos idos anos de 1982 e no longínquo bairro do Brooklyn, Grandmaster Flash & The Furious Five introduziram indelevelmente com o tema "The Message" o elemento consciência na música Hip Hop, até aí, também ele uma mera celebração permanente da vida.
Fica difícil escolher que linhas citar para vos exemplificar a assunção de kudurista consciente a tempo inteiro do Bruno M (apesar do brother dizer que este é o último álbum que faz), mas se calhar vou pegar exclusivamente no meu tema preferido até agora, o "Por Cada Lágrima": "Imagina se fosse tua a família que está na rua, o mendigo que está na estrada sem abrigo e sem morada, a criança que pede esmola, quando devia estar na escola, mas como ir para escola com fome e sede? Ela não te rouba mas pede, mesmo assim, sem um pouco de amor, só lhes dás frustração e mais dor", mais esta "...mas o poder não tem paradeiro, hoje está contigo, amanhã connosco. Sou sincero comigo mesmo e verdadeiro para convosco. Quando a água do rio seca, quando o velho fica careca, há muita história por se contar, tenho alguns motivos para rir, mas outros tantos pra lagrimar", ou ainda "A culpa também é daqueles que ensinaram-nos que as nossas necessidades falam mais alto que a moral. Somos todos necessitados, será que ainda temos moral? Eu dedico essa canção para todos os angolanos que não trocam a moral pelo pão". FODA-SE, PUTA KIA PARIU, TÁ TUDO DITO! Este álbum é uma jóia e tem de estar na coleção pois será uma referência quando daqui a 30 anos se olhar para a história da música de Angola e ficarão envergonhados aqueles que, pelo menos, não puderem dizer: Sim, lembro-me, mas não gostava muito. Há que conhecer este disco.
Se tiver alguma coisa a apontar é que, desta vez, parece que o homem fez tudo sozinho e se alguns instrumentais conseguem rebentar tudo, outros ficam a dever saldo às letras, ficando um pouco aquém do endiabrado ritmo do kuduro. Um dos instrumentais mais bem conseguidos para mim é o do Azubayo, não sendo dos temas mais conscientes, tem também uma força desgraçada porque é um daqueles exercícios em que o Bruno gosta de exibir o seu talento de MC rimando a estrofe inteira com a mesma terminação. Outros instrumentais são menos impressionantes e menos "catchy", dependendo os sons das suas rimas para vingarem.
Para mim, o melhor álbum de kuduro de sempre. A fasquia está elevada, esperemos que a partir de agora outros Bruno M se revelem (Rei Panda o papoite, confirma, nu maya), que isto não seja coisa de um único MC, que nasça realmente a corrente consciente dentro do kuduro, que diga-se, estava mesmo a pedir uma sacudidela.
01. Entrevista
02. Má feat. Puto Prata
03. Aka Mba feat. Marcos Dacoco
04. Azubayo
05. Vamos Aonde
06. Da Gazela feat. Game Walla
07. Yuki
08. Não me Leve A Mal
09. Dança dos Comba
10. Rotina
11. Takule Kuya
12. Por Cada Lágrima (Intro)
13. Por Cada Lágrima
14. Anda, Para
15. Ewé
16. Dicas
Tou a biznar o link do AngoMúsicas por isso credito-os enviando-os para catarem o mambo lá
(Re) Enter Bruno M, o kudurista que sempre fez a diferença, sendo sólido nas rimas, nos instrus e quando está mesmo on-fire, em ambos. Sempre foi para mim o kudurista mais consequente, não fazendo sons a levantar bandeiras de partidos (coisa que outro dos meus grupos preferidos, os Kalunga Mata fizeram sem pudores), mostrando sempre um nível de inteligência na execução praticamente irrepreensível. Não gostava de tudo no Bruno. Nos seus momentos menos impressionantes ele engrossava só o coro de rimas de gabarolice e estiga/bife e alguns desses sons também levaram FFWD. Mas o Bruno sempre revelou uma preocupação em incluir rimas conscientes nos seus sons, às vezes disfarçadas no meio das outras "normais", outras vezes descaradas e desgarradas, como o meu verso preferido do tema Dança da Tropa, que no entanto só chega no 3º minuto, depois de outras rimas "normais": "Nesta cidade, reina a escassez de oportunidades. Na faculdade paga-se sempre, é uma realidade e outros enchem CV em cadeias. Vidas alheias colam em teias, marginais com caras de playas. Olho o mundo que me rodeia, cada tristeza é uma ideia..." e continua, este verso é poderoso até ao fim e meteu-me "em sentido" sempre que fosse ouvir um tema novo do Bruno M.
Mas este disco supera todas as expectativas. É absolutamente incrível, o nascimento de uma identidade inequivocamente consciente, a demarcação de uma corrente no kuduro como foi quando, nos idos anos de 1982 e no longínquo bairro do Brooklyn, Grandmaster Flash & The Furious Five introduziram indelevelmente com o tema "The Message" o elemento consciência na música Hip Hop, até aí, também ele uma mera celebração permanente da vida.
Fica difícil escolher que linhas citar para vos exemplificar a assunção de kudurista consciente a tempo inteiro do Bruno M (apesar do brother dizer que este é o último álbum que faz), mas se calhar vou pegar exclusivamente no meu tema preferido até agora, o "Por Cada Lágrima": "Imagina se fosse tua a família que está na rua, o mendigo que está na estrada sem abrigo e sem morada, a criança que pede esmola, quando devia estar na escola, mas como ir para escola com fome e sede? Ela não te rouba mas pede, mesmo assim, sem um pouco de amor, só lhes dás frustração e mais dor", mais esta "...mas o poder não tem paradeiro, hoje está contigo, amanhã connosco. Sou sincero comigo mesmo e verdadeiro para convosco. Quando a água do rio seca, quando o velho fica careca, há muita história por se contar, tenho alguns motivos para rir, mas outros tantos pra lagrimar", ou ainda "A culpa também é daqueles que ensinaram-nos que as nossas necessidades falam mais alto que a moral. Somos todos necessitados, será que ainda temos moral? Eu dedico essa canção para todos os angolanos que não trocam a moral pelo pão". FODA-SE, PUTA KIA PARIU, TÁ TUDO DITO! Este álbum é uma jóia e tem de estar na coleção pois será uma referência quando daqui a 30 anos se olhar para a história da música de Angola e ficarão envergonhados aqueles que, pelo menos, não puderem dizer: Sim, lembro-me, mas não gostava muito. Há que conhecer este disco.
Se tiver alguma coisa a apontar é que, desta vez, parece que o homem fez tudo sozinho e se alguns instrumentais conseguem rebentar tudo, outros ficam a dever saldo às letras, ficando um pouco aquém do endiabrado ritmo do kuduro. Um dos instrumentais mais bem conseguidos para mim é o do Azubayo, não sendo dos temas mais conscientes, tem também uma força desgraçada porque é um daqueles exercícios em que o Bruno gosta de exibir o seu talento de MC rimando a estrofe inteira com a mesma terminação. Outros instrumentais são menos impressionantes e menos "catchy", dependendo os sons das suas rimas para vingarem.
Para mim, o melhor álbum de kuduro de sempre. A fasquia está elevada, esperemos que a partir de agora outros Bruno M se revelem (Rei Panda o papoite, confirma, nu maya), que isto não seja coisa de um único MC, que nasça realmente a corrente consciente dentro do kuduro, que diga-se, estava mesmo a pedir uma sacudidela.
01. Entrevista
02. Má feat. Puto Prata
03. Aka Mba feat. Marcos Dacoco
04. Azubayo
05. Vamos Aonde
06. Da Gazela feat. Game Walla
07. Yuki
08. Não me Leve A Mal
09. Dança dos Comba
10. Rotina
11. Takule Kuya
12. Por Cada Lágrima (Intro)
13. Por Cada Lágrima
14. Anda, Para
15. Ewé
16. Dicas
Tou a biznar o link do AngoMúsicas por isso credito-os enviando-os para catarem o mambo lá
sábado, 31 de março de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
The Roots - Ain't Gonna Let Nobody Turn me Around
Xêeeeee o Black Thought também sabe cantar assim afinal? No Undun foi o compadre de longa data, Dice Raw, que se revelou com timbre para assegurar pelo menos uns tantos refrões, agora o Black Thought seguiu-lhe os passos e saíu-se extremamente bem. A música (muito forte, como já é habitual com os The Roots) é tema de apresentação para um documentário que saíra amanhã, 14 de Fevereiro nos Estados Unidos, intitulado Soundtrack for a Revolution, ilustrando a longa e árdua luta levada à cabo pelo Movimento dos Direitos Civis, liderada por Martin Luther King Jr.
Blu - Jesus
Sou um ateu confesso, mas há temas como o Jesus Walks do Kanye e este mais recente do Blu que vão além da pregação de pastor no púlpito, fugindo assim da náusea que me causariam se se limitassem a essas vãs tentativas de conversão estilo TJ. Sobretudo quando esses desabafos são cimentados com um instrumental de qualidade elevada como é este do génio Madlib e com um flow desgraçado de bom como o do Blu (para mim o instrumental carrega o som e leva o troféu). Vale a pena.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Damani Vandúnem - Statu Quo
Já oiço falar do Damani há muito tempo. Temos um amigo em comum que pelos vistos é muito bom amigo dos dois, pois mereceu neste disco do Damani um tema que lhe foi especialmente dedicado. Já cheguei a ouvir um som ou outro e um dos vídeos que ele disponibilizou no youtube, mas, apesar de lhe reconhecer talento, simplesmente não era nada que me tocasse de alguma forma especial. Ainda assim e, vendo que o próprio disponibilizou este novo disco para download gratuito no seu bandcamp, achei que deveria emprestar-lhe mais uma vez os meus ouvidos tentando livrar-me das ideias pré-concebidas que vinham das escutas anteriores. Não me arrependi.
Na verdade, este disco não me preencheu as medidas no que toca à profundidade na abordagem, sendo, a meu ver, algo repetitivo, várias vezes despistando-me e deixando-me sem perceber qual é o foco dos temas.
Dito isto, um disco não se avalia só por aí e, para ser justo, a música se fosse toda compreensível com nítida limpidez, provavelmente não nos desafiaria à reflexão e à interpretação pessoal, perdendo eventualmente um pouco da sua graça.
Há coisas igualmente importantes que se retiram da escuta de uma música ou, no caso, de um disco repleto delas e, uma delas para mim, é a energia derivada da sinceridade no que se diz/canta que tem a capacidade de nos tocar de maneiras que complicam qualquer descrição racional. Terei de dizer que nesse campo, este disco esteve acima da média, sobretudo porque a fasquia das expectativas estava colocada a um nível bastante baixo, saindo eu com a alegria de ser surpreendido.
Para já, a nível de instrumentais, mesmo que não se reinvente a roda, o disco está super bem produzido, com uma musicalidade doce e agradável, atribuindo-lhe uma solidez rara de tão robusta (tem identidade sonora, mesmo os instrumentais que não me mexem tenho de reconhecer que estão bem produzidos).
O "escorrega" (flow) do homem terá poucos defeitos a serem apontados, com uma levada segura e sempre dentro dos tempos, sem grandes oscilações o que poderá jogar tanto à favor como contra, pois poderá eventualmente tornar-se aborrecida após 10 faixas. No caso dele e na minha opinião, será neutro, pois tem um timbre único e um tom sincero que acabam por encobrir os eventuais e reiterados lapsos que me tiram do sério ao ponto de saltar para a faixa seguinte. Esses pontos negativos passo agora a citar:
- A opção pelo auto-tune para mim é um autêntico corta-tesão.
- O inglês também não me cativa em absoluto e então quando se faz recurso a ele com a frequência que o Damani faz, pode matar músicas que a princípio teriam tudo para estar no meu leitor de mp3, como o Acto II por exemplo.
- As frases que não rimam deixam-me um inexplicável amargo de expectativa traída.
Mesmo que as letras não sejam de um exímio domínio da palavra, não são necessariamente pobres e aí sim, posso dizer que é uma dika dele, um estilo próprio, no qual se sente que ele está completamente à vontade.
Há no entanto momentos em que a sua maneira própria de exprimir-se colocam os temas entre o "muito bom" e o "sublime":
- Em Aghatusi, Damani aborda com o coração desfeito a tragédia da criança africana e do continente em geral mostrando ser africanista com referências as influências do Egito na ciência moderna, com uma ou outra dika em Swahili e um refrão simples e eficaz.
- Em Afri Can, quase como uma sequela de Aghatussi, menciona a angústia de ser colocado numa categoria à parte entre africanos por ter kumbu, recusando a colocação nesse patamar dizendo que a raça "aos meus olhos é só uma". Coloca-se no papel de culpado, num tom auto-crítico sempre salutar e aplaudido pelos meus ouvidos, terminando com uma mensagem positiva e esperançosa "o nosso tempo chegou, é seguir em frente!"
- O Ma Trip é uma espécie de celebração do seu percurso, mais uma vez com dikas simples e honestas, assumindo-se por exemplo fã saudosista da francesinha. Tem também um pouco de convencimento em excesso na linha do "só faço classics", mas a variação do instrumental dos versos para o refrão é inebriante.
- O Aki na Banda é uma análise fria e "na mouche" da sociedade luandense que encontrou no seu regresso ao lugar para onde "os ponteiros apontaram", em cima de um dos melhores instrumentais de todo o disco. Um tema obrigatório do ano de 2011.
Em suma, é um álbum pessoal, com alguns temas bastante introspectivos, não havendo aqui piscar de olhos ao DJ para estar inserido entre "Abana o vestido" e "Windeck", sendo os seus temas mais animados (Dá-me Money e Make U Mine), dentro da linha dos outros todos, autêntico, sincero... é a dika dele, podemos sentir ou não e este eu senti. Obrigado pelo freebie de alto nível Damani!
01.Hello
02.Dá-me Money
03.Celebra a Vida (Tributo à Jimmy P)
04.Aghatussi
05.Ma Trip (Portugália)
06.Dronner
07.Aki na Banda
08.Afri Can
09.Make U Mine
10.Acto II
11.Bom Dia (Uma Tarde em Paz pt.II)
12.Falam,Falam
13.Iluminado
14.O Meu Belo Guia
Vão sacar o álbum ao bandcamp do mano aqui. É grátis!
Na verdade, este disco não me preencheu as medidas no que toca à profundidade na abordagem, sendo, a meu ver, algo repetitivo, várias vezes despistando-me e deixando-me sem perceber qual é o foco dos temas.
Dito isto, um disco não se avalia só por aí e, para ser justo, a música se fosse toda compreensível com nítida limpidez, provavelmente não nos desafiaria à reflexão e à interpretação pessoal, perdendo eventualmente um pouco da sua graça.
Há coisas igualmente importantes que se retiram da escuta de uma música ou, no caso, de um disco repleto delas e, uma delas para mim, é a energia derivada da sinceridade no que se diz/canta que tem a capacidade de nos tocar de maneiras que complicam qualquer descrição racional. Terei de dizer que nesse campo, este disco esteve acima da média, sobretudo porque a fasquia das expectativas estava colocada a um nível bastante baixo, saindo eu com a alegria de ser surpreendido.
Para já, a nível de instrumentais, mesmo que não se reinvente a roda, o disco está super bem produzido, com uma musicalidade doce e agradável, atribuindo-lhe uma solidez rara de tão robusta (tem identidade sonora, mesmo os instrumentais que não me mexem tenho de reconhecer que estão bem produzidos).
O "escorrega" (flow) do homem terá poucos defeitos a serem apontados, com uma levada segura e sempre dentro dos tempos, sem grandes oscilações o que poderá jogar tanto à favor como contra, pois poderá eventualmente tornar-se aborrecida após 10 faixas. No caso dele e na minha opinião, será neutro, pois tem um timbre único e um tom sincero que acabam por encobrir os eventuais e reiterados lapsos que me tiram do sério ao ponto de saltar para a faixa seguinte. Esses pontos negativos passo agora a citar:
- A opção pelo auto-tune para mim é um autêntico corta-tesão.
- O inglês também não me cativa em absoluto e então quando se faz recurso a ele com a frequência que o Damani faz, pode matar músicas que a princípio teriam tudo para estar no meu leitor de mp3, como o Acto II por exemplo.
- As frases que não rimam deixam-me um inexplicável amargo de expectativa traída.
Mesmo que as letras não sejam de um exímio domínio da palavra, não são necessariamente pobres e aí sim, posso dizer que é uma dika dele, um estilo próprio, no qual se sente que ele está completamente à vontade.
Há no entanto momentos em que a sua maneira própria de exprimir-se colocam os temas entre o "muito bom" e o "sublime":
- Em Aghatusi, Damani aborda com o coração desfeito a tragédia da criança africana e do continente em geral mostrando ser africanista com referências as influências do Egito na ciência moderna, com uma ou outra dika em Swahili e um refrão simples e eficaz.
- Em Afri Can, quase como uma sequela de Aghatussi, menciona a angústia de ser colocado numa categoria à parte entre africanos por ter kumbu, recusando a colocação nesse patamar dizendo que a raça "aos meus olhos é só uma". Coloca-se no papel de culpado, num tom auto-crítico sempre salutar e aplaudido pelos meus ouvidos, terminando com uma mensagem positiva e esperançosa "o nosso tempo chegou, é seguir em frente!"
- O Ma Trip é uma espécie de celebração do seu percurso, mais uma vez com dikas simples e honestas, assumindo-se por exemplo fã saudosista da francesinha. Tem também um pouco de convencimento em excesso na linha do "só faço classics", mas a variação do instrumental dos versos para o refrão é inebriante.
- O Aki na Banda é uma análise fria e "na mouche" da sociedade luandense que encontrou no seu regresso ao lugar para onde "os ponteiros apontaram", em cima de um dos melhores instrumentais de todo o disco. Um tema obrigatório do ano de 2011.
Em suma, é um álbum pessoal, com alguns temas bastante introspectivos, não havendo aqui piscar de olhos ao DJ para estar inserido entre "Abana o vestido" e "Windeck", sendo os seus temas mais animados (Dá-me Money e Make U Mine), dentro da linha dos outros todos, autêntico, sincero... é a dika dele, podemos sentir ou não e este eu senti. Obrigado pelo freebie de alto nível Damani!
01.Hello
02.Dá-me Money
03.Celebra a Vida (Tributo à Jimmy P)
04.Aghatussi
05.Ma Trip (Portugália)
06.Dronner
07.Aki na Banda
08.Afri Can
09.Make U Mine
10.Acto II
11.Bom Dia (Uma Tarde em Paz pt.II)
12.Falam,Falam
13.Iluminado
14.O Meu Belo Guia
Vão sacar o álbum ao bandcamp do mano aqui. É grátis!
domingo, 15 de janeiro de 2012
Reks - Mascara
O Reks está a conquistar um lugar cimeiro no meu top dos mais queridos do rap ao longo destes últimos anos. Sempre foi sólido, mas a idade está a fazer-lhe bem e a canalizar a sua temática lírica com grande predominância para temas introspectivos ou socialmente polémicos, denotando uma grande sensibilidade e profundidade nas análises com que nos presenteia. Neste som ele fala de como o complexo de inferioridade do preto lhe afundam, comprometendo a sua auto-estima e a capacidade para singrar na vida. Não se priva de mencionar nomes. MUITO BOM!
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