segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Coca o FSM - RelachTotal Mixtape


A música angolana está prestes a sofrer um abalo sísmico. Este esteve a ser aconchegado nas profundidades gargantuescas do centro da terra, a ser concebido, desenhado, formado para emergir com violência serpenteando por uma falha entre placas tectónicas no seu perpétuo, silencioso movimento. OK, estarei a emocionar-me demais exagerando o impacto imediato que esta mixtape pode vir a ter no panorama musical se tivermos em conta o público em geral que, longe de ser só em Angola, devota-se à música de índole duvidosa, superficial, de abreviada longevidade, com padrões rítmicos que têm de ser familiares para serem associados ao termo "bom", uma autêntica orgia de medíocridade, sendo este o termo que mais facilmente os melómanos associarão a música pop, salvo raríssimas excepções. Qualquer coisa mais refinada, mesmo que bem executada, atingirá apenas um punhado de gente, normalmente ligada ao mundo das artes, ou pessoas que tenham já tido o privilégio de viajar e misturar-se com outras culturas estando mais abertas à pluraridade e a diversidade, neste caso específico musical. Felizmente, essas são as pessoas que criam arte e a partir de agora, terão uma nova cor para acrescentar a sua palete de inspirações.

Eu acompanho moderadamente o percurso da Birrakru desde a altura em que o 7 Xagas me enviou algumas das brincadeiras que eles faziam na casa dele em Lisboa depois de uma noite de chuping, que veio a culminar num apanhado de demos fantásticas materializado sob o título de Pr'Alma, já aqui postado obviamente. Ainda assim, apesar de já conhecer a criatividade prolífica desse pessoal, consegui ser abalroado pelo comboio que rola nas calmas e que se chama COCA, O FSM anteriormente conhecido como Sílaba. Esta mixtape é tão inovadora que consegue transcender as claras influências que acarreta, cumprindo um papel que muitos artistas acabam por descurar que é o de reinventar-se, reciclar-se, adicionar o seu ponto a cada conto, não se autolimitarem ao circunscreverem-se num perímetro artístico para além do qual não ousam aventurar-se.

Já tinha comentado aqui neste blog acerca dos dotes vocais do Sílaba tkk Coca o FSM (Faray Sem Mobile). Apesar de achar que ele está a crescer muito e a deixar a anos-luz de distância os anos do "ar-colingue" (7 Xagas), continua a ser deliciosamente desafinado. Explico-me: eu suporto com muito menos facilidade um único desafinanço de artistas que se gabam de terem andado nas escolas X, Y ou Z, com mania de grandezas, pois sou inerentemente intolerante a indivíduos que cortaram relações com o termo "modéstia". Já os alegres cançonetistas sem nenhuma pretensão de se afirmarem ou de se elevarem a categorias às quais não pertencem, mas veículando o que sentem com pureza, conseguem mexer com as minhas emoções ainda que sejam PERMANENTEMENTE desafinados. A maior parte das vezes dá-me graça, que não deixa de ser uma emoção mais do que válida para ser transmitida pela música. Exemplo flagrante é o Dudley Perkins que nem sequer sinto que faça um esforço para melhorar a sua afinação e que conseguiu vender o suficiente com o Lil' Light para lhe darem (até agora) mais 3 oportunidades para fingir que sabe cantar.

Por isso, caso estejam à espera de ouvir um cantor com as notas todas na batata tipo Anselmo Ralph, desenganem-se, não é de todo o que se deve procurar aqui. O conteúdo desta mixtape é imensamente mais rico, mais complexo, mais completo do que qualquer álbum do artista acima mencionado e de todos os R. Kellys e Ushers que o influenciaram. É um disco radiante que promove a boa disposição e uma paz que contrasta com a vida bélica que levamos nesta abominável Luanda que continuamos a amar.

Como negar a beleza do refrão do som que dá título à mixtape? É tão doce, tão edificante, tão inspirador, que quase nos faz levitar. Afinado? Não necessariamente, mas porra, tá DEMAIS!
"Imagina só"? Dá vontade de sair a voar com aquele pianinho. Uma das marcas registadas dos instrumentais nesta mixtape é a delicada sobreposição de instrumentos formando camadas audiofónicas que acasalam entre si criando no fim a sensação de coesão que não pode estar muito longe da perfeição, de um requinte, de tal magnânima leveza que desconseguimos de nos fartar. Como podemos resistir ao balanço hipnotizante do "Mais do que Kambas"? Epá cada um com o seu gosto né? Mas os instrumentais para mim são altas pedradas de puro groove afro-soul, com arrojados elementos sonoros que não se associariam necessariamente à música romântica (aquele apontamento espacial tem tanto de discreto quanto de sublime). Se tenho um ponto negativo a apontar, depois de já descartada a importância da perfeição na afinação, seria algo minúsculo, o uso do que me parece ser um sample de scratch que dá um ar um pouco "ejay" à uma composição de outro modo flawless.

Os temas são essencialmente românticos, mas muito únicos, altamente imprevisíveis, com uma quase permanente mistura de poesia com humor e, sobretudo, fazendo recurso a gírias e linguagem terra-a-terra, o que para mim é um potencial sinal da individualidade que caracteriza o Coca, que não tenta seguir os moldes impostos pelo género ou pelos seus percursores, usando a sua música como uma perfeita imagem reflectida do ser humano que é. Aqui não é residência para falsidades sentimentais banais do género "meu coração está partido amor, vem ser minha enfermeira por favor". Exemplo do bom gosto das linhas apaixonadas qb "este som é para nós...quando virarmos borboletas, se eu tivesse o teu fone, te ligava concerteza".

Mas nem só de amor vive o homem e, lá para o fim da mixtape, o coca consegue lembrar que a música easy-listening não significa que o artista tem que se cingir à temas sem profundidade ou intervenção social e rebenta-nos com dois temas nervosos, com grande dose de humor à mistura, o primeiro sendo o "Só Pensa Nisso" com linhas que hão de arrancar sorrisos ao mais mal humorado dos ouvintes do tipo logo a de entrada: " o brada foi bookar no stade, voltou com um escalade", crítica social em formato soul d'angelo style. Boa dika do Kilates também, outro veterano birrakru. Para fechar chega o tema "Não Fazes Nada", um surpreendente um ataque directo ao poder instituído: "leio no jornal dizem pensas que és Deus, tudo para ti nada para mim e os meus", ou "não fala política, eles querem conversa bonita" aludindo ao facto de se a tua intervenção contrariar ou questionar a acção do executivo, tornas-te um alvo.
Nestes momentos sérios a abordagem do Coca chega a ser mais uma vez o que eu chamo de puramente mwangolé pois consegue estar carregadíssima de boa disposição que é característica deste povo sofredor, ilustrada nesta linha: "deves ter tomado propofol, a droga do Michael!!! E tomas bem!!!" AAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHA. "Sempre, sempre sempre com katás, dizes, dizes, dizes, mas não fazes nada". A mim parecia-me uma mensagem directa ao Zé Dú até chegar a parte do "mudar de bairro para a Talatona" e o "giras de Range".

Um papoite radialista perguntou-lhe "já limpaste a tua música?", insinuando que só depois de estar com qualidade XPTO é que ponderaria passá-la no seu programa de rádio. Porra assim tá soar magnificamente bem, porque essa mania com a "limpeza"? Que gente mesquinha! Temos todos de investir dinheiro do bolso para ir gravar nos vários estúdios profissionais que se nos oferecem por aí para termos direito a alguma credibilidade?

Que se invente um nome para este género, claramente um parente mwangolê do neo-soul, com muita mistura de afro-jazz, sendo que estas já englobam em si parentes mais idosos como a soul, o blues, o hip hop, mas sem dúvida também a música angolana da qual felizmente, nenhum criador angolano se livra, com excepção dos Cage Ones desta vida.

Fico confuso, como pode algo que soe tão bem ser tão desconhecido? Eu sei que o brother não se esforça, não corre atrás, não está desesperado para aparecer, não dá importância nenhuma a fama, aliás, só está hoje, depois de muitos anos a produzir pérolas, a partilhar o seu exuberante talento com nós comuns terráqueos, por prolongada insistência. Só me resta dizer "OBRIGADO" aos amigos chegados que conseguiram convencê-lo e POR FAVOR, não deixem mais ele privar o povo angolano do seu talento, agora ele tem um compromisso para connosco.



Enriqueçam-se e catem este mambo JÁ aqui

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sa Ra Creative Partners - Nuclear Evolution: The Age of Love

Sem palavras para esses malandros que já estão na cena há tantos anos e, de algum modo, sempre me conseguiram passar sob o radar. Apesar de curtir bwé de sons que eles produziram há bwé de tempo (o Agent Orange do Pharoahe Monch para citar um exemplo), nunca me chamaram particularmente atenção pela sonoridade dos seus instrumentais, talvez por aparecerem isolados no meio de outros igualmente nervosos (ver "New Amerykah), sinceramente não tenho explicação para tal gafe.

O facto é que ouvindo uma sequência de músicas produzidas por eles, a pessoa dá-se conta que se encontra perante algo de extremamente inovador, não querendo dilatar-lhes o mérito, pois, todos sabemos que nada se cria do nada, tudo o que é novo na verdade não é mais do que a apropriação do antigo (de preferência de vários antigos) numa interpretação contemporânea, ajustada à evolução (ou regressão, dependendo do ponto de vista de quem observa) das mentalidades que se transformam acompanhando a mutação dos modos de vida em sociedade. Sa Ra fazem música do nosso tempo, música de toda uma geração que já cresceu tendo o hip hop como uma presença incontornável (ainda que questionável e questionada) do panorama musical mundial.

Estes jovens já puseram a mão em discos de artistas que batem múltiplas platinas (Dr. Dre, Erykah Badu) e outros mais low-profile, ou por outra, menos mainstream, tipo Talib Kweli, Jurassic 5, Jill Scott, Bilal, entre muitos outros desse calibre. Para não falar das remisturas dentro e fora do universo Hip Hop. O CV é muito extenso.

Foi ao ouvir o álbum do Shafiq Husayn, 1/3 do grupo, na Rádio Oxigénio que a minha curiosidade foi despoletada e chegando a casa nesse dia me pus a pesquisar mais sobre o indivíduo e quanto mais cavava, mais descobria subterrâneos percursos tão familiares por já terem sido inúmeras vezes trilhados pelos meus ouvidos calejados dessas sonoridades hiphopianas.

Dois acontecimentos sequenciaram-se muito pouco tempo depois dando-me o empurrão que faltava: um brada deixou um comentário no post do Shafiq encorajando-me a escuta dos álbuns do trio e, quase simultaneamente, li a review deste álbum na hiphopsite.com e achei que não devia adiar mais.

Porra, eles são fortes yá? Tão fortes que o Kanye assinou-os na sua G.O.O.D. Music. Tão fora que acabaram por saltar desse barco quando a editora foi absorvida pela Sony que não sabia como lhes marketear.

Assim, depois de já terem lançado um disco pela Babygrande, foram recrutados pela Ubiquity Records (Breakestra, Platinum Pied Pipers, Shawn Lee) para este segundo ataque nuclear, proclamando a necessidade da aniquilação da pequenez de espírito e anunciando a chegada da Idade do Amor. Roçando por várias vezes o ordinário (Bitch Baby, Bone Song), o disco é um festim de requintados pratos auditivos e, sem nunca usar fato-e-gravata, os Sa Ra conseguem estar a altura de qualquer empertigada gala exclusiva aos luxuosos, sem nunca no entanto parecerem esforçar-se para conquistar esse lugar ao Sol.

As sensações que me percorrem ao ouvir isto são tão maravilhosamente ambiguas e intensas, que eu ainda não consigo verbalizá-las de maneira justa e resumida. Daqui a dois anos e mais uns calos provavelmente conseguirei traduzir melhor o impacto indelével que este grupo está a causar na minha modesta e ainda débil sensibilidade musical.

CD 1:
  1. Spacefruit
  2. Dirty Beauty
  3. I Swear
  4. Melodee N’mynor
  5. He Say She Say
  6. Traffika
  7. Souls Brother
  8. Bitch Baby
  9. Love Czars
  10. Gemini’s Rising
  11. The Bone Song
  12. White Cloud
  13. Move Your Ass
  14. Love Today
  15. Can I Get You Hi
  16. My Sta
  17. Cosmic Ball
CD 2:
  1. Spaceways Theme
  2. Just Like A Baby
  3. Double Dutch (Co Co Pops)
  4. Death Of A Star (Supernova)
  5. Powder Bump
  6. Hangin By A String
Tenho um link rapidshare e um link hotfile. O rapidshare tem mais qualidade (320kbps) mas é muito maior e por isso dividido em dois ficheiros (dois downloads portanto). O hotfile será para aqueles com ligações mais caretas que não permitem luxos.



Catar nos comentários

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Asa - Beautiful Imperfection

Aguardei com bwé de expectativa por este segundo álbum da Asa, mordendo as unhas com receio que a vida dela depois do estrondoso debut desse uma volta tal que lhe fossem desaparecer os traços de humildade, ingenuidade e altruísmo que, com a profundidade de uma alma atormentada, lhe fizeram compor e cantar contagiando quem a ouvisse, com a pureza tão mágica que irradiava naturalmente quando apareceu na cena musical. Com alguma tristeza minha, metade dos meios receios confirmam-se.

Infelizmente este álbum não ME toca lá como o primeiro. Continua a ser totalmente sincero, afortunadamente mais preocupado com a musicalidade e não com os fast-food hits que proliferam nas ondas hertzianas e cartesianas dos nossos tempos, consumidas avidamente pelos jovens que ainda assim têm a impressão de estar a marcar a diferença, continua o pop inofensivo do disco de estreia executado por uma ingénua adolescente (ingenuidade é sempre associado a uma idade qualquer antes da adulta né? que merda!), com a ruptura sendo marcada pela passagem de um pop consciente, engajado, com mensagem, a um pop meloso mais focado nas suas relações, (des)amores e problemas sentimentais.

A musicalidade continua lá, mas, na opinião deste modesto melómano, metade do interesse desvaneceu-se com o foco da música passando a ser menos farol e mais followspot, apesar de não ter nada a criticar a Asa, a música dela deve continuar a reflectir os seus estados de espírito e as fases pelas quais está a passar. Só não me interessa tanto esta fase comparada com a anterior.

Ainda assim o álbum está bem agradável. Verifiquem se tiverem largura de banda para isso, tempo, paciência, ou caso prefiram reservar-se ao direito de formarem a vossa própria opinião :).

1. Why Can’t We
2. Maybe
3. Be My Man
4. Preacher Man
5. Bimpé
6. The Way I Feel
7. OK OK
8. Dreamer Girl
9. Oré
10. Baby Gone
11. Broda Olé
12. Questions



Catar nos comentários

Kanye West - My Beautiful Dark Twisted Fantasy

Porra, será possível? Depois de 3 álbuns clássicos, cada um à sua maneira, depois de parecer que a "evolução" artística do Kanye estaria mais próxima dos auto-tunes horrorosos de 808 Heartbeat (não me fodam, esse álbum para mim é uma cagada autêntica), da luxúria do seu novo estilo de vida a que teve acesso graças a sua rápida ascensão financeira, quando parecia que o seu destino no jet-7 estava traçado e não augurava nada de bom graças ao comportamento obtuso e arrogante que lhe fez irromper três vezes pelo palco acima destruindo os momentos de glória de outros artistas que julgou não serem merecedores dos prémios que receberam, contra todas as expectativas, o Kanye mais uma vez reinventou-se, reinventou a sonoridade da sua música, empederneceu-se e voltou a escrever e a rappar como se ainda não tivesse dinheiro suficiente para pagar a renda, com tal dureza, tal sinceridade que chega a ser brutal, tornando este álbum possivelmente o seu melhor até a data. E eu que nunca pensei que ele pudesse suplantar o High School Drop Out, vi o meu cepticismo adiado não uma, não duas, mas três vezes. O incrível arrogante cabronaço do Kanye é REALMENTE um génio da geração hip hop, permanentemente a empurrar os limites fronteiriços da definição desse género musical.
Well done Ye!

PS. Acho que esses filhosdaputa apagaram o post. Nem foi o link, foi mesmo o post! Saquem enquanto está no ar.

01 Dark Fantasy
2 Gorgeous f. KiD CuDi & Raekwon
3 Power f. Dwele
4 All Of the Lights (Interlude)
5 All Of the Lights f. Alicia Keys, Charlie Wilson, Elly Jackson, Elton John, Fergie, John Legend, KiD CuDi, Rihanna, Ryan Leslie, The-Dream & Tony Williams
6 Monster f. Jay-Z, Rick Ross, Nicki Minaj & Bon Iver
7 So Appalled f. Jay-Z, Pusha T, CyHi Da Prynce, Swizz Beatz & RZA
8 Devil In A New Dress feat. Rick Ross
9 Runaway f. Pusha T
10 Hell Of A Life
11 Blame Game f. John Legend
12 Lost In The World
13 Who Will Survive In America



Catem o mambo nos comentários

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Revolução? Dia 7 de Dezembro de 2010

Ora bem, um futebolista com dois palmos de testa e algum sentido de lógica é coisa (extremamente) rara nos dias que correm. Nós sabemos disso porque, cada vez mais, para se ser um profissional de alta competição em certos desportos muito concorridos, os jovens têm de se dedicar a tempo quase inteiro a dita modalidade para atingirem a excelência que lhes pode render aqueles milhões, supostamente garante de estabilidade financeira para a velhice, já que essas carreiras são candentes mas fugazes e efémeras. Claro que a grande ambiguidade nisso tudo é que, não tendo dois palmos de testa, muitos deles não aprendem a gerir a sua fortuna e acabam infortunadamente trapaceados pelos seus gestores de carreira, ou esbanjam acefalamente o seu guito esquecendo que deixou de existir a torneira de fornecimento e passou apenas a existir a de usufruto.



Enfim, o Eric Cantona não terá provavelmente dito estas palavras imaginando que tomariam a proporção que tomaram, mas a verdade é que, espalhada por diversos blogs de desporto, esta entrevista acabou por cair nos ouvidos de activistas políticos que estão a tentar "capitalizar" na popularidade de um antigo astro e lançar um movimento de protesto cujas ondas podem ter infinitamente mais repercussões que o "manifestar-se nas ruas, à chuva, ao frio, com dizeres nos cartazes e palavras de ordem" como desdenha o Eric, e até abriram um site no facebook chamado de Bank Run que já tem cerca de 50 000 "amigos" que supostamente irão aderir ao gesto que tanto pode limitar-se em ser simbólico, se apenas algumas pessoas participarem, como catastrófico se houver efeito de contágio (a maior parte das pessoas haveriam de participar pelo simples MEDO que o SEU dinheiro acabasse).

Não vou argumentar aqui da lógica dos argumentos do Eric, porque para mim eles são óbvios, tão óbvios que eu não poderei participar nesse movimento, pois, por essas mesmas razões, eu fechei todas as minhas contas em 2008 e até agora tenho sobrevivido muito bem sem esses infelizes a investirem o meu dinheiro em coisas que eu desconheço e ainda a cobrarem-me juros pela "manutenção" da minha conta.

Revolução? Não diria tanto, mas certamente um grande abanão à estrutura do poder que pensa que a única vez que a opinião do povo conta é quando votam. Não custa nada participar. Levantem o dinheiro todo, deixem 10 cêntimos pois assim não vos podem fechar a conta. Depois de uns tempos, se o vosso banco não tiver falido entretanto, voltam a depositar.

Podem ler mais em vários sítios da web, para já têm este aqui e mais este aqui que foi onde caí antes de postar.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Coldplay - Os dois melhores

Hoje em dia gostar de Coldplay pode ser visto como desmodado, com o sobrolho semi-erguido por parte dos anti-mainstream e se é verdade que a partir do X&Y eu pura e simplesmente deixei de seguir a melancólica banda de Chris Martin, o trabalho deles até aí não deixou de ser sublime (esta palavra lembra-me de outro post que tenho de fazer brevemente) e por vezes mesmo comovente, tanto no Parachutes como no A Rush of Blood to the Head.

O objectivo fixado pela então editora dos Coldplay eram as 40 mil cópias. Escusado será dizer que esse número foi vaporizado pelos inesperados vários milhões de unidades vendidas por esse mundo fora a pessoas que se deixaram seduzir pelo tom de cãozinho molhado do Chris Martin. E por menos que se goste dos Coldplay hoje em dia, por mais que eles se tenham perdido um bocado no desejo fútil de reeditar as suas fórmulas provadas funcionais. Mesmo que a execução tenha sido profissionalmente bem conseguida, a alma deixou de lá estar e (para mim) o mambo rochou!

Meu som favorito deles de SEMPRE é o Trouble. Malaike para uma banda que, 3 álbuns depois, ainda não tenham conseguido destronar essa predilecção, mesmo que, comparando os dois álbuns, a minha eleição de escuta vá inequivocamente para o Rush of Blood, recheado de pérolas, diamantes, rubis e pepitas de ouro.
Se quiserem um post mais informativo acerca dos Coldplay e com a discografia completa podem vir procurar neste blog aqui, foi aliás de onde eu tirei estes dois que aqui posto agora.

Coldplay - Parachutes (2000)

1.Don't Panic
2.Shiver
3.Spies
4.Sparks
5.Yellow
6.Trouble
7.Parachutes
8.High Speed
9.We Never Change
10.Everything's Not Lost


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Coldplay - A Rush of Blood to the Head (2002)

1.Politik
2.In My Place
3.God Put a Smile upon Your Face
4.The Scientist
5.Clocks
6.Daylight
7.Green Eyes
8.Warning Sign
9.A Whisper
10.A Rush Of Blood To The Head
11.Amsterdam


Coldplay - In my place


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Kiko Dinucci e Bando Afromacarrônico

Eu ouvi este disco umas 3 vezes, sendo que as duas últimas foram para confirmar que tinha o meu ouvido não me tinha enganado e passado a informação errada ao meu cérebro dizendo-lhe falsamente que o mambo tava deka. Tenho de aprender a confiar mais na primeira impressão e no meu instinto, pois realmente, este disco tem qualquer coisa de especial na sua mistura de sonoridades da MPB mais moderna, com letras bem esgalhadas e bwé humorísticas (basta espreitar os títulos das faixas para conferirem), criando uma fórmula com resultados, a maior parte das vezes, bastante agradáveis e bem conseguidos.

A confirmação que precisava para ter a certeza que não estava a ser trapaceado pelo meu encéfalo veio quando o meu irmão Pedro comentou comigo: "epá, aquele disco do Kiko Dinucci é bem engraçado" (algo nesta linha). Mas nada como passarem pelo teste vocês próprios, deixem o vosso ouvido vos dar o veredicto. Kel abraço.
01. Engasga Gato
02. Padê Onã
03. Samba Manco
04. Rainha das cabeças
05. Ressureição
06. João Carranca
07. Mosquitinho de velório
08. Santa Bamba
09. Tambú e candogueiro
10. Roda de Sampa




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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mona Dya Kidi - Single

No outro dia bazei no show da Masta Kapa com o meu sócio Nk e apesar de não ter ficado super satisfeito com a constatação do eterno desleixo em coisas primordiais para a harmonia de um palco, nomeadamente e sobretudo o som que mais uma vez deu bandeira, cristalizando a ideia teimosa que "underground" é sinónimo de má qualidade sonora, microfones desnivelados e feedbacks persistentes (ideia essa que já foi peremptoriamente desvanecida em algumas ocasiões onde todos os detalhes foram cautelosamente acomodados e tudo saíu bem), não pude deixar de sair de lá com a sensação de alívio que me proporcionaram dois novos artistas do nosso rap consciente, que, mais que serem uns automatos repetindo palavras de ordem associadas a corrente underground para granjearem algum tipo de reconhecimento, tinham um visível potencial tanto na presença em palco como na sua maneira individual de comunicar intimidades com as quais a plateia se identifica.

O primeiro que me causou boa impressão foi o Mono, gostei de ouvir a sua desenvoltura a rimar e a sua maneira de associar palavras na sua própria construção frásica, mas o que me arrebatou foi este Mona Dya Kidi, de quem nunca tinha ouvido sequer falar e que, felizmente, tinha o seu single promocional disponível e que eu prontamente adquiri. Tem 4 faixas, sendo a minha preferida a TPA, não por ter o melhor texto, já que todos têm o seu "quê" de forte, mas pelo todo: instrumental, letra, entrega, refrão. Na verdade, e sem querer ofender os produtores que devem ter dado o melhor de si, este MC poderia brilhar muito mais com instrumentais mais bem conseguidos, de qualquer modo este single é um pouco mais que decente se tivermos em conta o cenário hiphopiano nacional. Vale a pena darem uma escutada e apreciarem as palavras do Kamun'dongo.

"invistamos na agricultura...e tudo virá por acréscimo,
na educação... e tudo virá por acréscimo,
na saúde... e tudo virá por acréscimo
e aí conheceremos o antónimo do que é péssimo"
Nicely put!
01.Sintam o Kamun'dongo
02.TPA - Todos Por Angola
03.O Protagonista da Vida c. VBaw
04.Golp'z & Prop'z

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sábado, 13 de novembro de 2010

Janelle Monáe vs Erykah Badu

Janelle Monáe - The ArchAndroid: Suites II and III

Comecei por ver um vídeo desta moça num dos vários canais de música que existem no pacote da TV Cabo na tuga. Lembro-me de ter achado piada pelo todo, o grife, o penteado, a cor chocolatona, os olhos, mas a música propriamente dita, não achei nada de especial, sobretudo porque me fazia lembrar demais o Hey Ya do Andre3000, de quem ela parecia querer espremer uma versão feminina. Desinspirada e imitadora, caguei nela.

Só voltei a ouvir porque num dos sites de hip hop onde leio as críticas o álbum dela recebeu @@@@1/2, e isso foi razão mais do que suficiente para eu lhe dar uma segunda oportunidade. Ainda bem que o fiz. A rapariga é incrivelmente dotada e tem uma imaginação muito adubada quissá derivada da profissão que ela quis seguir inicialmente e que lhe levou a mudar-se do Kansas para NY para estudar, drama (actriz de teatro). Em 2007 ela lançou a primeira parte do que deveria ser um álbum em 4 partes (ela chama-as Suites), um EP chamado Metropolis (Suite I), que seria distribuído no seu site e em sites de download de mp3.

Eis que se intromete nesse percurso o P.Diddy que a assina para a Bad Boy, depois do Big Boi (Outkast) lhe ter falado nela . O EP é lançado oficialmente com o título Metropolis: The Chase Suite. O engraçado é que o A&R da Bad Boy adorou a Monae, justamente pelos motivos mais inesperados: "adorei o aspecto dela, o facto de não conseguir ver o seu corpo". Engraçado, quando esses cabrões tratam sempre de acelerar o processo de putrefacção artística impingindo as suas meninas que se descasquem para poderem vender discos. Aqui estão eles a apreciar a antítese do que promovem. Ou será um desafio? Ver quanto tempo leva até a miúda se vergar à realidade misogénica da indústria.

Este álbum, inclui as Suites II e III, ficando a faltar a parte conclusiva desse filme. Filme mesmo, pois o conceito do álbum é inspirado directamente por um filme alemão da década de 20, Metropolis, um filme mudo sobre a industrialização, a sociedade de consumo e a luta de classes, considerado o Padrinho da ficção científica. Este The Archandroid não só pega inspiração na capa muito similar à do filme original, como nas temáticas abordadas, sendo a Janelle de um ecletismo ímpar.

O filme de Janelle conta a estória de Cindy Mayweather, uma criatura alienígena encarnando uma androide feminina que atende pelo nome de Cindy Mayweather e pelo #57821, no ano de 2719. Mayweather apaixona-se por um humano chamado Anthony Greendown e esse erro ser-lhe-á fatal, pois os poderosos do século em questão decidem, ao tomar conhecimento dessa grave infracção do protocolo, desactivar a andróide Mayweather. Felizmente, Cindy descobre que é possuidora de super-poderes e que se trata na realidade de uma espécie de Messias da comunidade andróide, empenhando-se em salvar a comunidade, que acaba por ser finalmente a única chance que tem de também se salvar a si própria.

A miúda é de outros tipos, só vos digo. Catem o mambo enquanto tá quente.

01. Suite II Overture
02. Dance Or Die (Feat. Saul Williams)
03. Faster
04. Locked Inside
05. Sir Greendown
06. Cold War
07. Tightrope (Feat. Big Boi)
08. Neon Gumbo
09. Oh, Maker
10. Come Alive (The War Of The Roses)
11. Mushrooms & Roses
12. Suite III Overture
13. Neon Valley Street
14. Make The Bus (Feat. Of Montreal)
15. Wondaland
16. 57821 (Feat. Deep Cotton)
17. Say You’ll Go
18. BaBopByeYa



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Erykah Badu - New Amerykah Part II: The Return of the Ankh

Não vou sequer perder tempo a apresentar esta diva da música de bom gosto contemporânea. A etiqueta diz Neo-Soul, mas ela não a aceita, compreensivelmente. Estaríamos a voltar àquela conversa de outros posts anteriores.

Este é também o segundo de três tomos desta saga e a Erykah continua se buscando, explorando sonoridades novas, tentando manter-se fresca sem nunca se conformar com o protótipo imposto como única fórmula de sucesso e enriquecimento fácil, sem se furtar ao exercício do absurdo, como o gravar a música, que hoje em dia se quer cristalina com qualidade xpto, na banheira da sua casa-de-banho para criar naturalmente uma espécie de "efeito-túnel" e sobretudo, sem deixar de fora a sua veia de agent-provocateur que deveria estar listada como uma das condições irrevogáveis na definição de artista, pois quem não tem isso não pode passar de um simples entertainer. A arte cumpre (ou devia cumprir) um papel social de levantar questões e fomentar o alargamento de horizontes provocado por um crescimento forçado da mente, muito além da mera eficácia na pista de dança.

O vídeo do primeiro single foi realizado pela própria e é bastante controverso, pois ela vai fazendo uma espécie de strip-tease, despindo uma peça atrás da outra, orgulhosa das suas imperfeições e no fim... deixo-vos ver o clip, pois ela explica as razões da sua audácia no final.

Muito forte!

Mais uma vez ela colabora com diferentes nomes do Hip Hop, mas desta vez com resultados ainda melhores que na primeira parte da trilogia. O mambo está mesmo muito deka, vale absolutamente a pena checkar.

Janelle Monae vs Erykah Badu??? = Taco-a-taco, zero-a-zero no marcador, empate no trumunu. Não ganhou ninguém, ganharam as duas. Quer dizer, se fosse obrigado a escolher eu escolheria a Erykah pela consistência sonora ao longo dos anos, mas se for álbum vs álbum... tá calor. Empate mesmo.

01. 20 Feet Tall
02. Window Seat
03. Agitation
04. Turn Me Away (Get Munny)
05. Gone Baby, Don’t Be Long
06. Umm Hmm
07. Love
08. You Loving Me (Session)
09. Fall In Love (Your Funeral)
10. Incense (Feat. Kirsten Agnesta)
11. Out My Mind, Just In Time



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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

RJD2 - The Colossus

RJD2 é um produtor de Hip Hop que começou a sua carreira em Colombus, Ohio como DJ de um grande grupo do vastíssimo movimento underground da década de 90, os Mhz, do qual faziam parte os MC's Copywrite, Camu Tao e Jakki the Motamouth, todos eles debandando e tornando-se artistas solo que continuam a ser, excepto o Camu Tao que agora é artista no céu (ou no inferno dependendo do rácio pecados/boas acções que tiver realizado enquanto por estas terras de ninguém deambulou), mas que enquanto viveu deixou alguns registos, dois deles bastante interessantes e valorosos com dois outros amigos, o Cage e o Tame One (Artifacts).

RJD2 depois passou pela editora do Bobbito aka DJ Cucumber Slice, até que esta fechasse, passando para a Def Jux onde lançou os seus dois primeiros discos, o Deadringer e o Since we last spoke, dois álbuns onde predomina a vertente instrumental, apesar da ocasional participação dos seus amigos de Colombus. Ambos tiveram grande repercussão, mas no terceiro álbum o mano decide reinventar-se e começa também a cantarolar na maior parte dos temas e a tocar mais instrumentos ao invés de se dedicar exclusivamente ao sampling. O disco, The Third Hand, não era mau por assim dizer, mas tipo o amigo pobre e ofuscado dos dois primeiros, apagadinho, sem brilho.

Julgando por este quarto de originais, agora na sua própria editora, o Third Hand foi uma middle passage na busca de uma sonoridade cada vez mais sua, já que este Colossus está, nessa mesma onda, muiiiiiito mais refinado, conquistando facilmente o seu lugar ao sol e tornando-se discutivelmente no seu melhor álbum de sempre.

R. J. são as suas iniciais e já sabem que nos states o pessoal é muito rápido a abreviar os nomes dos kambas. Daí a RJD2 foi um instantinho de associação lógica, para um dos amigos fã do Star Wars, onde o robot kambuta, amigo do Chewbacca se chama justamente isso, RJD2.

Este álbum aconselha-se veementemente, pois até as cantorias algo exageradas no Third Hand, aqui mantêm-se sóbrias e discretas nunca chegando a incomodar. O melhor balanço do mambo para mim é sem sombra para dúvida o Shining Path com o agora cantorino Phonte Coleman. Catem o mambo enquanto o link bumba.

1. Let There Be Horns
2. Games You Can Win
3. Giant Squid
4. Salud 2
5. The Glow
6. A Spaceship For Now
7. The Shining Path
8. Crumbs Off The Table
9. A Son’s Cycle
10. Tin Flower
11. Small Plans
12. Gypsy Caravan
13. The Stranger
14. Walk With Me



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