sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Post para inaugurar 2014

Epá, estou sem net, mas não queria deixar Janeiro sem já sequer um postzito e por isso vou aproveitar para mandar um alô ao mano "Nick" que tem sido praticamente o único a interagir comigo aqui no blog e a sugerir umas cenas porreiras.

Não sendo um gajo do pop, sei apreciar algo bem feito, com cabeça, troco, membros, órgãos, grifes e outros mambos menos necessários. Este puto podia ter capitalizado simplesmente no "Alors on Danse" e dedicar-se a refazer fórmulas já gastas e a tentar manter-se comercialmente relevante, mas ele preferiu tornar-se artisticamente relevante e brindar-nos com dois grandes singles e dois vídeos bem simpáticos.

Sem mais delongas: Stromae






sábado, 14 de dezembro de 2013

Meu primeiro Podcast

Quando tinha 15 anos comecei com o Nkruman Santos (NK) um programa na LAC chamado "A Era do Hip Hop". Foi a minha primeira aventura na rádio e adorei.

Uns anos mais tarde fui viver para a tuga e lá fiz uma perninha no programa lendário do José Mariño, o Repto.

Desde então, o mais próximo que estive de divulgar músicas alheias foi com este blog, mas o bichinho da divulgação dos tesouros escondidos continua a viver em mim. Não sei se o tempo me permitirá fazer muitos mais, mas para já está aí esse.

Críticas são bem-vindas, elogios dispensam-se :)

sábado, 7 de dezembro de 2013

Madiba para sempre

Não há palavras possíveis para exprimir o sentimento de perda que me consome desde ontem à noite. Há já alguns anos que me preparava para o inevitável e se hoje choro a partida deste mundo material, me alegro ao mesmo tempo, pois a sua missão por cá estava mais que completa, fisicamente debilitado, já me parecia mais estar a sofrer do que a querer agarrar-se à réstia de vida que queríamos a todo o custo acreditar que ainda conseguíamos ler-lhe nos olhos. Dedicou-se tão abnegadamente aos outros que ter-se-á esquecido de si e dos seus.

Daí restar-me essa alegria: a da cega certeza que o seu legado será a partir de hoje muito mais celebrado e inspirador para as gerações vindouras.

Agora sim, Madiba está livre! Amandla Rolihlahla, Amandla!






domingo, 1 de dezembro de 2013

Relíquia: Onjango - Identidade Elaborada

Este post vem a pedido do irmão Cabuenha e já lho estou a dever há alguns meses. É um mano por quem tenho uma estima muito grande e que me tem dado a conhecer coisas interessantíssimas, algumas delas já partilhadas aqui e outras, de maneira criminosa da minha parte, ainda por partilhar (o último do Paulo Flores e outro do mesmo artista em que ele tem versões "acústicas"/unplugged de temas já conhecidos e que ele fez para uma instituição de caridade).

Para mim uma compilação clássica que encapsula, mais do que a tenacidade do DIY (faz o tô mambu, caga na ajuda) de juntar um grupo de amigos talentosos, uns escrevendo rimas, outros desenhando capas, outros oferecendo-se para imprimir, de gravar em CD-r no próprio computador, o espírito revivencialista de uma geração de jovens rappers na diáspora que usaram a música como ferramenta para se sentirem mais próximos de casa, para afirmar orgulhosamente uma identidade, criar uma identidade própria para o seu hip hop. Justiça seja feita ao Conductor que terá sido, para mim, o produtor por excelência no emprego de sonoridades angolanas e africanas nos seus instrumentais, conferindo a esse hip hop características únicas e distintas daquela mais homogénea e americanizada.

Vou aproveitar que estou nesta senda e homenagear simultaneamente um site que, sendo o site de um grupo, foi pioneiro na divulgação no hip hop feito em Angola e por angolanos, remetendo-se a si próprios a uma posição mais secundária de uma maneira muito altruísta e isto, claro está, antes da proliferação dos muitos blogs dedicados ao hip hop angolano/luso que temos hoje no ciberespaço. Trata-se do site dos "Provisórios" e a homenagem será feita copiando o texto que eles publicaram, escrito pelo Conductor e pelo então Revolucionário, hoje Keita Mayanda, para contextualizar o disco:

"Ya, essa é uma daquelas dicas que merece ser divulgada.

Um grupo de 8 MC's e uma cantora de soul, com "as mentes numa só direcção"  que se denominam Onjango, estão a preparar um trabalho com o título Identidade Elaborada. Foi-nos enviado um pequeno texto descrevendo o preojecto.

Onjango: Identidade Elaborada

A palavra Onjango pertence ao vocabulario de duas linguas angolanas, o Umbundu e o Kimbundu, que são linguas aparentadas, ela significa entre outras coisas o local de reunião, o local de reunião, o local de serão, onde se debate, se aprende e se ensina.

Antes de começarmos o dito projecto já possuiamos um local de encontro onde era comum debatermos, lermos e ouvirmos música, por isso quando iniciamos o projecto pensamos honrar o lugar que sempre nós serviu de abrigo, a casa do Conductor, o nosso Onjango onde as ideias todas do projecto foram elaboradas, apresentadas e executadas.

Identidade Elaborada é o nome da compilação, baseado nas ideias de nossa busca pelas nossas raizes e da tentativa de na diáspora recriarmos a nossa identidade, então este album é uma busca de quem somos? de onde viemos? e do que queremos? Elaboramos uma identidade pra nós, baseada na premissa de que somos "emigrantes africanos".

O album reflete a universalidade do que é ser africano, dentro e fora de Africa, a sua historia, os seus valores, o seu contributo pra evolução da humanidade, os problemas da juventude africana na diáspora, a problemática da identidade cultural, as necessidades de afirmação da nossa africanidade, direitos das minorías étnicas emigrantes na Europo e de um modo geral o que é ser emigrante africano em Portugal.

O album conta com a interpretações individuais e em grupos com 8 mc's e uma cantora de soul. Como podem verificar na lista a seguir:

(Lista omitida por ter sido alterada no projeto final)

Não existe ainda uma data prevista para o lançamento, ou possivel apresentação, da compilação estando tudo dependente de questões de ordem técnica e financeira.

05/07/2002
António Fernandes
Andro Del Pozo "

Entretanto o rapper PM foi coado do projeto e a lista e ordem de temas ligeiramente alterada pelo que omitimos do texto original. Na contra-capa do disco tem uma reprodução deste texto com uma conclusão com piada piada (outros não lhe reconhecerão essa qualidade) pois revela uma certa atitude de "se gostares está bom, se não gostares não chateia" que eu particularmente aprecio.

01. Introdução
02. Abdelkar - Abre os Olhos
03. Verídiko - Quem Somos Nós?
04. Conductor, Revolucionário, DonVito - Despertar Lisboa
05. Poeta de Rua - Raízes de África
06. Nkwa Kobanza com Beto Stone - Ya Mwiji Wami
07. DonVito, Poeta de Rua & Abdelkar - Se eu Fosse
08. Revolucionário com Nyashia & Beto Stone - Patriota, Revolucionário e Africanista
09. DonVito - Carta ao amigo
10. Conductor - Ser Inserido
11. Nkwa Kobanza & Verídiko - Kuando Xeguei à Tuga...
12. Nyashia - Semente da Vida
13. Nkwa Kobanza, Abdelkar, O Revolucionário & Conductor - Planeta África.
14. Retirada

Catem o mambo aqui

sábado, 30 de novembro de 2013

Afroman, um corajoso entre os comerciais


 Há uns meses e no decurso de uma entrevista via skype com uma rapariga que está a fazer um estudo antropológico sobre o hip hop consciente em Angola, me foi dada a conhecer esta música do Yannick/Afroman, que lhe terá causado uma impressão negativa acerca do artista. Eu vou tentar resumir a complexidade de sentimentos que suscitou em mim a letra desta música:

Em primeiro lugar, não sei se foi consciente ou não, mas achei de uma extrema CORAGEM o Yannick ter abordado um tema que se faz tabú, que se escamoteia, que se finge não existir e que provoca logo reações de reprovação quando alguém se "aventura" neste domínio. Sobretudo quando é feito como ele fez, sem floreados, sem perfumes poetizados, mas direto ao assunto, cru, preto no branco.

Lembremo-nos que o Yannick já conquistou o seu "lugar ao Sol" e podia muito bem ter-se acomodado à sua fórmula humorística de tratar a triste condição do povo angolano, mas não, escolheu sair da sua zona de conforto e comprometer a sua permanência no top dos mais queridos da rádio e televisão que, como bem sabemos, carece de "trabalhos de manutenção", com afagamento de egos, bajulação e um comportamento sem máculas.

Pessoalmente não concordo com muitas das coisas que ele diz que me parecem ter sido analisadas com superficialidade e leviendade não muito convenientes em assuntos de tamanha delicadeza e que podem inclusivamente apelar à instintos primários normalmente perigosos. Há muitas conclusões que o Yannick tira criando generalizações de casos excecionais, distanciando-se da análise factual e baseando-se mais nas suas observações pessoais, elas próprias influenciadas por um preconceito que também carrega em si, apesar de anunciar que o dele não é nada mais do que "realismo".

Dito isto, as generalizações são abusos de linguagem aos quais todo o ser humano neste mundo se entrega frequentemente, pelo que não posso de forma nenhuma atirar a primeira pedra.

Certamente muita gente subscreve TOTALMENTE as palavras do Yannick e isso é um poder que os artistas têm, de preencher com palavras sentimentos que muita gente partilha, o que lhes confere a importância social que manifestamente têm, outros reprovarão veementemente a postura do Yannick por ter sequer cometido a heresia de verbalizar esta letra, mas eu estou numa zona mais cinzenta, porque não vejo aqui nem só verdades, nem só extremismos e, não concordando com muitas das conclusões a que chega, percebo perfeitamente como se pode chegar a elas. Há factos que ele cita que são inaceitáveis num país como o nosso mas que são reais: o facto por exemplo de haver ou ter havido a determinada altura (até há muito poucos anos atrás os relatos deste absurdo eram frequentíssimos) certos pubs/discotecas onde os pretos, por mais bem apresentados que estejam, têm uma probabilidade desproporcional de ser barrados à porta é particularmente escandalosa e reveladora desse mal-estar e, mais flagrantemente ainda, quando estes pretos se fazem acompanhar de amigos brancos e/ou mulatos que os porteiros sem noção aceitam fazer entrar sem problemas com um "tu podes, mas tu não". Toda a gente sabe que uma empresa com expatriados é uma empresa com capacidade de pagar salários astronómicos e daí a observação inicial ser justa, apesar de chocante na forma como se coloca como uma mera questão cromática desconsiderando a natureza das ditas empresas e o seu capital social.

O tema é extremamente pertinente e é de lamentar que os promotores da intelectualidade na sociedade continuem a escamotear este assunto como se racismo não existisse em Angola. Temos de ser maduros o suficiente para abordar o tema sem complexos, de uma maneira massiva e transversal a todos os setores da sociedade, desde a escola até à comunicação social, promover palestras e debates, para aprofundar as nossas perceções superficiais de um fenómeno que é extremamente complexo e com origens ancestrais.

É lamentável que um artista tenha de fazer uma música destas, mas não pela música que podia ser apenas uma máscara para o seu próprio preconceito, e sim pela existência de razões concretas que a justifiquem.


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Momento Ant3na #7: Expensive Soul

É lamechas, é comercial, mas está muito bem feito, está bonito e até o Demo QUASE que conseguiu soar bem com as suas rimas da pré-cabunga. Menos 10 segundos e safava-se!


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Momento Ant3na #6: Márcia

Bonita voz, boa vibe da moça. Curti bwé este balanço.


Momento Ant3na #5: JP Simões

Um ode à embriaguez, bem engraçado do novo disco do JP Simões, Roma. O rapaz é original e está a dar o que falar, só ainda não consegui entender porquê que todos os locutores da Ant3na leem o nome dele GP Simões (Gê Pê Simões) quando o nome se escreve JOTA PÊ!!! Ainda se o "J" se lê-se "gê" numa língua qualquer era um mambo, agora... fica só assim no barulho e ninguém lhes corrige?

Curtindo o balanço:


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Momento Ant3na #4: Orelha Negra

Custa-me crer que nunca tenha partilhado nada desta equipa de luxo pois são sem dúvida uma das bandas mais fortes que apareceu na tuga nos últimos anos e ainda por cima estão super dentro do meu universo, ao contrário das outras que tenho partilhado que descobri ouvindo a rádio e que tenho aprendido a apreciar (algumas delas MUITO). Quanto mais não seja pelas capas de disco incríveis que eles têm e que dão vontade de ser detentor de uma cópia original.

Este é o single do segundo álbum de originais dos Orelha Negra (Sam the Kid, Chico Rebelo, João Gomes, DJ Cruz e Fred), este com uma participação do Regula à altura do desafio com algumas linhas muito boas ("em homenagem à Amy, é só vinho em casa").


Momento Ant3na #3: Mundo Cão

Este tema está muito engraçado, uma letra arrebatadora de Valter Hugo Mãe, musicada de forma altamente adequada pela banda no que parece (intencionalmente) um balanço de um filme Western. O vídeo está simples mas sóbrio e tendo em conta as dificuldades dos artistas terem kumbú para grandes produções até está bem catita. A parte do fim onde fazem um "rap do Minho" está inusitada.

Engraçado que no vídeo "censurem" a parte da letra em que se diz "o bandido solitário só faz pausa para foder", pois passa na rádio sem cortes e a qualquer hora do dia.

Mais um grupo a meter na lista de observação para o futuro.